Desenhas identidades fáceis
no primeiro espelho da manhã.
Através de uma estampa barata
pendurada na parede entra o ar fresco
que se enleia de súbito ao pigmento
dos teus cabelos.
Perguntas-lhe três vezes
e o espelho diz-te quem serás hoje,
recitando em versos brancos
o plano quieto dos deuses
agora mesmo consagrados.
Juntas devagar as pálpebras das mãos;
sussurras uma cantiga só tua,
um credo imediato,
uma ladainha que alguém trouxe outrora
de uma aldeia que não conheces.
Procuras ainda uma fuga;
uma alucinação barata
apenas na margem permitida;
E quem te vê passar,
acredita até que possuis
um ténue arbítrio de vontade.
Amanhã, porém,
quando de novo acordares
serás outra vez uma ideia premeditada.
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