29/12/2016
19/12/2016
A propósito do medo e da cobiça de Thomas Hobbes
15/12/2016
África Delas
Achei a foto descritiva, equilibrada e enigmática. Gosto de ver os portugueses fotografados em África. Ficam mais humanos e naturais. Perdem aquela película sofisticada que lhes mascara a atitude. Libertam-se daquela peça teatral, velha e demasiado encenada chamada Europa.
Foto de Emanuel Cortesão de Seiça
O abrigo
Onde havia eu de abrigar-me
das chuvas frias, das noites húmidas
que atormentam meu estro tão cansado como o vosso ?
Onde esconder, ó defuntos, os vossos ossos
que se encaixam já nos os meus ?
Creio que seguindo o vosso rastro, Senhor,
chegarei ao abrigo, ao lastro da humanidade toda
- esse lugar onde um ar rarefeito se eleva às grutas,
desce às nuvens,
e percorre livre as pradarias das covas escuras.
Ai deixará de haver passado ou futuro,
apenas um rio desaguando nos confins do início
e uma paixão escondida entre duas eternidades.
Como explicar a um jovem porque é bom ler romances ?
"Caro amigo,
Ainda acerca dos livros, tenho de dizer-te mais uma coisa: O fantástico é aliciante e livros como o "Senhor dos Anéis" e o "Harry Potter" ajudam-nos a desenvolver a imaginação. Contudo, livros como "O velho que lia romances de amor" do Luís Sepúlveda ajudam-nos a compreender a realidade exterior e interior do Homem. Por isso mesmo, histórias como estas são muito bonitas e reveladoras. Muitas vezes apenas conhecemos a curta realidade que está à nossa volta e não chegamos a compreender a realidade dos outros. Por isso, é bom ler romances. Não é preciso ler muito. Apenas o suficiente para ganharmos sensibilidade para os problemas dos outros. Então boas férias e não te esqueças de ler."
09/12/2016
Do caridade
05/11/2016
A culpa do ócio
Mais a Norte, Suiça, Holanda e em parte da Inglaterra, outro movimento ganha corpo. Liderado, a partir de Genebra, por João Calvino, este movimento religioso defende a ideia da predestinação, onde a salvação está destinada à nascença e toda a riqueza é vista como um sinal da predestinação divina. Está lançada a ideologia, que permitirá a coexistência da riqueza e da salvação divina. Ao contrário disto, os católicos advogam que a salvação atinge-se através dos atos praticados em vida. Mas as lutas políticas escoradas pela religião, continuam na Europa. Entre vários palcos, a Inglaterra é onde esta luta ganha mais relevância e interesse histórico. A rainha Isabel I, envolvida numa guerra contra os católicos espanhóis, sai vitoriosa. Manda decapitar, Maria Stuart, princesa escocesa católica e pretendente ao trono inglês. Depois de o falecimento de Isabel I, sucede-lhe o filho de Maria Stuart, entretanto convertido ao Anglicanismo, Jaime I. Mais tarde, a coroa chega a Carlos I, filho de Jaime I, e que defende a aproximação do culto anglicano ao católico.
Os calvinistas, agora apelidados de puritanos, são perseguidos e partem em grande quantidade, 250.000 pessoas, para o novo mundo. A génese filosófica dos Estados Unidos está criada.
A condenação do ócio e a sacralização do trabalho, a par de a perspetiva de que a riqueza e a pobreza são, respetivamente, uma graça ou uma condenação de Deus, ainda hoje marcam a sociedade ocidental. A par de outros sentimentos de culpa que fomos adquirindo ao longo dos tempos, oriundos de uma consciência religiosa alimentada desde tempos remotos, o sentimento de culpa relativa ao ócio é uma das últimas aquisições da consciência ocidental cristã.
Schwanitz, Dietrich - "Cultura da Idade Moderna à Idade Contemporânea" - Coleção Expresso
Wikipédia Inglesa - Artigo sobre "Carlos I de Inglaterra", "Puritanos" e "Peregrinos".
02/11/2016
Os hoplitas
28/10/2016
Procuro abrigo
debaixo de uma ponte
que ligue o tronco ao ramo,
a borda à flor
ou essas zonas fugazes
apenas consentidas aos equinócios
e demais répteis levemente aquecidos.
Faltam-me dois dedos de fé para encontrá-lo,
eu sei.
(Falta sempre, não é?)
Talvez por isso
as nossas mãos fiquem hirtas
entre o prego e a cruz
enquanto o amor balança,
balança e sugere
mais dia, menos dia,
a martelada final.
08/10/2016
05/10/2016
Alexandre Andrade na Amadora
O escritor Alexandre Andrade vai estar à conversa com todos aqueles que na próxima Sexta-feira, dia 7 de Outubro, se deslocarem au auditório da Biblioteca Piteira Santos na Amadora, pelas 21:00. Uma iniciativa do Clube Literário da Amadora. e da Bilblioteca Central da Amadora.
04/10/2016
Ataque e contra-atsque
o amor
como tudo o mais»
senão ele não grita.
22/09/2016
A primavera sulista
Lembrou-me hoje, este facto, um blog-irmão.
Nada melhor do que saúda-la com um verso do poeta brasileiro, Manoel de Barros:
As árvores me começam.
19/09/2016
"O Passado Já Não Se Encontra Atribuído" de Vanda Palma
Todo este intróito, para tentar explicar uma das facetas da arte: A surpresa. Sempre que alguém surpreende, renovando ou acrescentando à estética uma nova perspetiva, a arte agradece. Agradecemos todos, porque, "a tradição só sobrevive porque muda"(1).
A ceramista Vanda Palma surpreendeu-me com estilo e arrojo. O titulo da sua exposição ""O Passado Já Não Se Encontra Atribuído"" a decorrer na CM Serpa até dia 8 de outubro de 2016 é uma espécie de síntese, em jeito de pregão, desta renovação. Jorge Luis Borges, ficionista e poeta argentino, escreveu "Nós somos os mortos", ainda, acrescento eu, que agora eles estejam com uma nova roupagem e novos objetivos de vida.
O trabalho de Vanda Palma é essa ruptura para a continuidade. O seu trabalho é essa destruição que salva o "mundo", sendo neste caso o mundo da tradição ceramista do sul de Portugal. Lembrei-me da Rosa Ramalho (ceramista minhota), mas agora dando à cerâmica de cariz popular uma nova consciência nacional.
Ligação: Exposição em Serpa
09/09/2016
Teatro-Filosofia-Homem/Mulher
08/09/2016
Um dia na aldeia
Começo o pequeno-almoço com o toque a finados, como paisagem sonora. Ao qual se juntam, o chilrear das andorinhas e as vozes na rua. Estas últimas, despertam-me a tentação de ser humano. Ainda assim resisto, enquanto barro a manteiga no pão.
Avança um carro pela rua abaixo. Rezo alguns estribilhos para que não seja dos funerários. Afinal não era. Ficaram as andorinhas barradas de manteiga branca e uma crença estranha que salvamos a alma se comermos este pão espanhol tão alvo, imaculado.
Aqui o vento imita o tráfego das grandes cidades. Percorre as ruas, conflui, dispersa-se, apita amiúde, num sopro sibilante. À semelhança do roncar dos motores das grandes avenidas, se incomoda, fecha-se a porta. Que importa. Dentro de casa, com portas e janelas fechadas, o exterior é uma abstração, um reflexo de realidade, uma construção com alicerces de experiências passadas e com paredes pintadas de ilusão. Por agora, deixo Platão para mais tarde. Afinal, pensar é estar doente dos olhos, como escreveu o mestre Caeiro.
Desço barbeado à escarpa altaneira num ritual que cumpro há anos. O lugar chama-se o Salto da Cabra. Foram os contrabandistas que puseram o nome. Levo um manto branco sobre os ombros, uma mitra(1) escarlate na cabeça e carne antiga numa bandeja de prata para as rapaces (2).
No Salto da Cabra, fico a sós com as terras a perder de vista. Ali, julgo-me um sacerdote, um xamã(3), um homem do lixo, sei lá...Fecho os olhos, como há pouco fechava as portas e janelas, e deixo de ser uma coisa individual. Agora faço parto do todo, como se não morresse nunca, como se fosse uma personagem bíblica ou um pequeno cristal incrustado ao granito.
Volto a casa por uma estrada feita por mãos e pés invisíveis. Depois escrevo tudo isto como uma fotografia tremida.
O almoço estende-se como uma pequena praia entre a infância e a adulta idade do vinho. Adormeço depois sobre o clamor de uma aguardente de medronho - o sabor mais verídico que conheço da terra.
À tarde, desço ao cemitério, para sentir quem morreu nos últimos mil anos. É redundante pedir aos céus que os mortos descansem em paz nesta aldeia.
No cimo de um barranco, afago a penugem da pedra. Chamam-lhe líquenes, quase todos. Sinto a terra excitada, húmida. É primavera. Fico embevecido, vencido neste jogo antigo. Vergo-me de novo diante a paisagem: cansaço ou veneração ?
Rudeza e ternura são as duas palavras que encontro no bolso roto das calças para escrever esta sublimação que me aflora os olhos, seca a garganta e de enche-me o coração de sangue novo.
À noite, a escuridão vira o mundo do avesso e só vejo o forro das coisas. A aldeia abre-se como um livro de mistérios, e vou desfolhando as suas páginas feitas de ardósia e musgo.
Adormeço, convencido pelo piar da coruja que alguém o guardou dentro da torre sineira.
Salvaterra do Extremo, Páscoa de 2014
(1) Chapéu cerimonial do bispo.
(2) Aves carnívoras , de garras potentes e bico robusto em forma de gancho
(3) Feiticeiro indígena nas culturas ameríndias
Fotografias de Duarte Belo extraídas do livro "Terras templárias da Idanha" - Edt. Assírio e Alvim
Ligação:www.duartebelo.com
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| Salvaterra do Extremo (2005) |
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| Salvaterra do Extremo (2005) |
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| Salvaterra do Extremo - Torre medieval (2005) |
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| Salvaterra do Extremo - Rio Erges (2005) |
07/09/2016
Teatro de excelência na Amadora
"O urso" de Anton Tcheckov no Auditório de Alfornelos (Amadora) no dia 10 de setembro pelas 21:30 (4 euros) e "Variações à beira de um lago" de David Mamet nos dias 16, 17 e 18 de setembro nos Recreios da Amadora (Junto à estação da CP)
São dois textos incríveis e excelentemente encenados e interpretados. Não perca, porque vai lembrar-se deles para o resto da vida.
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| "Variações à beira de um lago" - Teatro dos Aloés |
02/09/2016
23/08/2016
O destino
19/08/2016
Homem duplicado
como se o gato da fenomenologia,
olhando pela janela,
não entendesse já, que em cada coisa repousa
a imanência de um olhar pessoal
como se o transeunte não conhecesse apenas
a transcendência escassa
que vai do seu nariz ao virar da esquina
como se cada letra não se entregasse a outra letra
por mero acaso histórico
como se a rapariga que fecha os olhos
não fosse a única a reconhecer o caminho
no mais brilhante dia de verão
O homem duplicado foi aprovado em sessão autárquica
E deus riu-se
05/08/2016
O meu avô
Que deus era o teu, Avô ? O da terra vermelha transmutada em tons de verde e castanho nas veias vitreas dos sobreiros? Como era simples o teu deus: sem palavras, nem orações. Ninguém te ensinou deus e tu aprendeste-o, nos corpos dos homens que saiam das searas para a taberna e no passo miúdo das raparigas ao domingo a caminho da cataquese. Tu conhecias deus sem o saberes, eis o mistério. Sentias-o na pele, na cama, ao fim do dia quando cansado voltavas silencioso para casa. Cada cumprimento teu era uma pedra escrita com os mandamentos. E quanto aos sacramentos, limitavas a copiar o que vias. Afinal foi assim que aprendeste a semear o grão e o feijão.
Mais tarde, ninguém te entendeu, quando te reformaste e decidiste viver numa indigência de monge. O Nuno Álvares Pereira fez o mesmo. Mas esse como era rico e poderoso, todos concordaram que ele só podia ser santo. Tu não podias. Eras só um forreta. Ninguém entendeu que querias viver naquela paz que só existe na pobreza, onde não há lugar para a propriedade, nem para o terrível medo em perdê-la.
Avô, foste santo e não o sabias. Ninguém to disse. E nenhum santo verdadeiro se acha à altura do seu título.
Eras simplesmente o avô e a prova cabal dessa natureza é que já esqueci o teu nome.
08/07/2016
O tempo passou
e não se amarrou
à boca insonora
das esferas celestiais
Alguns anjos
chegaram irritados
sem notícias nem canções
para nos dar
E só no voar
dos pequenos pássaros
perscrutámos ao de leve
o som longínquo das velhas primaveras
(É fácil falar com o passado
através das asas dos pássaros.
Basta ser talvez.)
29/06/2016
"Academia das Musas" de José Luís Guerin
O professor fala ainda de Orfeu e de Euridice. Orfeu falou e cantou aos mortos para trazer à vida a sua amada, quando esta se encontrava já no submundo dos mortos. Fazer poesia é falar com os mortos, estejam eles impressos no ADN ou na linguagem que eles mesmo inventaram para nós, os vivos. Na verdade, todo o poeta sabe disso e tem a secreta ambição de falar com os vivos depois de morto.
É também disto que trata "Academia das Musas" do cineasta catalão José Luis Guerin. O filme de 92 minutos é uma aula do ponto vista formal e conceitual. Está no Monumental no Saldanha. Tem várias sessões, mas a das 19:45 dá muito jeito. E o preço dos bilhetes é de 5 euros. Vá ver o filme e ajude a salvar a humanidade.
24/06/2016
Temeridade
Tememos a nossa vontade e a do nosso irmão
Tememos a força e a fraqueza
Tememos até a liberdade
Então porque não Te tememos, Senhor ?
15/06/2016
A riqueza (e angústia) das nações
Confesso que em tempos idos namorei com os mercados. Agora que eles me "torcem o nariz", declaro-vos a minha antipatia por eles. Não pensem que vou "andar à galheta" com algum dos seus arautos, correlegionários, doutrinados ou doutrinadores. Nada disso. Procuro antes um argumento categórico, uma corrente filosófica capaz de arregimentar um exército ou pelo menos justificar-me os atos diante dos meus ascendentes, descendentes e irmãos.
Temos o mercado de capitais, o bolsista, o cambial, o de trabalho, dos jogadores e o que mais engraço, o mercado local com alfaces murchas e nêsperas pequenas, mas verdadeiras.
Os mercados põem e dispõem, assustam-se e irritam-se. São poderosos como os deuses do Olimpo e, por isso, devemos temê-los e jamais ofendê-los ou desafiá-los. Lembrai-vos das tragédias! Talvez por tradição, os gregos metem-se amiúde com eles.
E porque não há eremitério que se coadune com a minha consciência, nem com o meu comodismo, vou andar por ai como uma erva daninha, misturando-me na multidão, tentando escapar à sachadelas de um qualquer mercado que se lembre de se entreter a limpar a sua horta.
14/06/2016
A mais longa coação
ocorre sob regras ditadas pelo senhor Kant
e, em ondas sublimes,
recolhidas pelo centésimo tal
sentido oculto do xamã
A mais longa coação dos corpos
substitui a razão por um sussurro
nascido de um brilho instantâneo, solúvel,
como a última faisca verde daquele sol
que por detrás do mar se põe,
quando percebemos sem querer
a suavidade das penas, dos pelos
na derradeira tarde de verão
A mais longa coação dos corpos
são os teus lábios entreabertos,
ora murmurando, ora apelando
ao gosto mastigado, mas sincero,
dos meus
07/06/2016
Anjos cadentes
e inexplicável
chamada Deus.
Quando a abro,
tenho tudo o que preciso.
Até o infinito arrumei por lá.
Abro-a para orar três vezes ao dia.
Depois fecho-a
e retomo a angústia alucinante da queda livre.
27/05/2016
From greeks
bubbling as airy temples
The other half,
seeping up in the footsteps
that Pegasus drew on clay
Are men, gods
or the gods, men?
Statues, poems and fine figures,moving from urn to urn,
recall plaster souls in plain cloths.
All white over white
In the background starry darkness for each islands,
a sun tunnel fading in sleep,
a faint,
for when we wake up costumed liked fauns,
Athena has already become an angel,
illuminating the rowers' fearless ignorance.
(tradução de Ronan Hyancinthe)
23/05/2016
Dos gregos
borbulhando como templos gasosos
A outra metade,
escoando-se nas pegadas
que Pégaso desenhou na argila
Serão os homens, deuses
ou os deuses, homens ?
Estátuas, poemas e cuidadosas figuras,
movendo-se de vaso em vaso,
lembram almas de gesso em pano cru.
Ao fundo, as trevas estreladas por ilhas,
enquanto um túnel de sol
desvanece num sono, num desmaio,
para quando acordarmos, trajados de faunos,
Atena seja já um anjo,
iluminando a impávida ignorância dos remadores.
17/05/2016
03/05/2016
29/04/2016
A segurança na internet
que cada pergunta apenas almejava
um pestanejar breve
da lesma.
E sempre da mesma.
26/04/2016
Verdade, le parfum
o chão enlouqueceu.
O sortilégio surgiu de um solavanco apenas,
vindo do ego da terra.
E o que jazia, negro e desastroso, floresceu.
E que odor esclarecido carregam agora
as pequenas fadas até aos nossos
inertes narizes.
Se um publicitário desse um nome
a este perfume de margaridas
chamar-lhe-ia "Verdade".
Isso.
Somente, "Verdade".
12/04/2016
Margaridas
Ninguém as plantou ou regou,
mas nasceram aos molhos
e bem vestidas
nos folhos da rocha ígnea.
Talvez as suas sementes
sejam os gafanhotos que Deus cospe
quando grita as leis lá no céu, talvez.
Fazem lembrar-me o poema das 'Liláceas'
que o Camilo Pessanha escreveu.
É um poema tão harmónico e completo,
que ao pensar nele,
decidi parar o meu.
04/04/2016
Peixe dourado
Só lhe dá flocos alemães.
A bomba de ar avariou-se
e aquela quietude lembrou-me
a simplicidade que outrora apreciei
numa gravura que decorava
um restaurante chinês.
01/04/2016
A última quinta-feira do mês
o que escondido está.
Isso mesmo, irmã.
Esconde-o num mistério
enrolado em betão maduro
de uma periferia
onde não se vislumbra a lua,
nem nenhuma mercearia aberta,
nem um pardal sequer
Se calhar ainda não entendeste
que estás em trânsito para a esperança da noite,
onde um vão de escada e uma mão-cheia de gatos
te esperam
para relançar de novo esse hálito noturno
na primeira sexta-feira de abril.
29/03/2016
o teatro e os humanos
Breve texto da minha autoria publicada em https://espalhafactos.com/2016/03/27/dia-mundial-do-teatro-2/
14/03/2016
escuro
talvez quando o sol se puser
o sol se ponha
e o silêncio encha deveras
o núcleo e a aparência
das coisas
e tudo
mesmo tudo
se apague
tornando-se enfim
real
08/03/2016
"Pessoa"
![]() |
| Ensaio geral de "Pessoa" no Theatro Club - Póvoa do Lanhoso |
04/03/2016
28/02/2016
monte do pilar
e do rochedo, um país
lá longe
à distância de um lobo
ouviam-se os rios
a dedilhar as serras
o sal fértil corria
discreto
de um buraco virginal
molhado e confuso,
andava ali um pastor
que no buraco se acoitou
e chamou-lhe portugal
![]() |
| Foto de Jorge Couto no Monte do Pilar - Lanhoso |
17/02/2016
21/01/2016
imutável
Se o passado cristaliza o novo dia, só é possível respirar através da canalização complexa do edifício.
Resta-nos orar, preenchidos de nada, como ascetas ou contemplar folhas de nogueira quando recém nascem ou os carreiros de formigas, determinados pela mais ínfima teimosia das ervas.
Só tudo tem, quem nada quer.
Ó velho relógio parado e esquecido na sombra do alçado,
ensina-me a não desejar,
porque não ser, também é.
15/01/2016
Mercado
Respondeu-me, por escrito e em carta registada, que vale muito pouco, sobretudo pela dificuldade em embrulhá-la.

























