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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Reflexões pelo bosque afora

 I 

Li a história de um cão pisteiro de lobos que trabalhava apenas para que o dono lhe atirasse uma pequena bola no final da tarefa. Também na minha infância, nos intervalos das aulas, eu perseguia feliz e recompensado uma bola de borracha. Era tribo contra tribo: sentimento de pertença e adrenalina. Mais umas gotas de dopamina quando marcávamos um golo. Isso me bastava.

Agora preparo-me para a eternidade possível. Tento escrever, porque me parece que os pensamentos não morrem. Leio e vejo clássicos, também e sempre que posso. Tento aprender latim com o Frederico Lourenço, preparando-me, como posso, para visitar os mortos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Fronteira

Há uma barreira invisível 
entre mim e o mundo.

O rio, que corre a meus pés, 
desvia-se através da película dos olhos. 
Esse limite aquoso 
levantado entre as imagens e as sensações.

Entre mim e a realidade,
há um vidro polido e deslizante
que me separa das coisas vivas.

Às vezes distraído, embato nele, 
tão nítido e sedutor, ele me parece.  
.

domingo, 8 de novembro de 2020

A ruína política

És o dançarino que chegou tarde à festa.

És o partisano depois da queda do Muro.

És o princípio que chegou depois do fim.

És o solista que trocou o dia do concerto.

És o ateu orando ao Teorema de Pitágoras. 

És a espingarda que encravou no fuzilamento dos Romanov.

És relógio que partiu o ponteiro das horas.

És mas já não estás. 
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