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quarta-feira, 27 de março de 2019

Dia Mundial do Teatro


Primeiro era o verbo. E para o articularmos criou-se a sintaxe, a semântica,  a ortografia, a gramática.  Porém, nada tornou a palavra tão precisa, relacional e intencional como a voz humana. A arte que sublima esse artifício chama-se Teatro. Hoje é o seu dia mundial. Muito obrigado,  amigo Teatro.

sábado, 23 de março de 2019

Perpétuo olhar

                                                         ao Duarte Belo

Tudo é novo quando de novo olhas

como se uma claridade atrevida

iluminasse a gruta esquecida 

e retocasse aqui e ali 

com enlevo e espanto

a maquiagem das pedras

que jazem prematuras

 na lembrança dos vindouros

quarta-feira, 20 de março de 2019

Primavera tardia

Deito-me ao sol, indiscreto. Reajo sem pudor aos transeuntes. Sou um resto lançado à praia
pela juventude serôdia que me assola, como um copo de vinho entornado sobre alvura de mundo.

Escuto-me assim por dentro, sem remorso de mim mesmo.  Estou cansado. Andei por ai meio século  e só por que uma breve brisa se levantou, acho que devo regressar mais cedo à vossa noite.

terça-feira, 19 de março de 2019

Viagem

Há um instinto que se torna chão

Caminhas sobre ele

e as imagens que ficam para trás tornam-se opacas



Tentas o latim e o esperanto,

enquanto aguardas um sinal

que traga o transcendente às tuas mãos



Mas só um mendigo,

que atira pão aos pombos,

ensina-te a urgência da respiração

segunda-feira, 11 de março de 2019

Segunda-feira de cinzas

O tempo chama-nos às vezes para conversar: 
memórias,  esperanças, lágrimas,
acabamos por lhe dar razão.
É então que deixamos de  ouvir ressoar os seus argumentos
no labirinto inquietante dos caminhos por onde não fomos.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

E se viver não bastasse

E se viver não bastasse à poesia
Haveria ainda na encruzilhada
Dos caminhos para a fantasia
Aquele que me leva à mulher amada

E só de outras musas eu falaria
Se ao olhar o mar, teu rosto não visse
Avançando entre as brumas da maresia
Ao encontro na praia da nossa meninice

Onde nua corres no encalço das aves
Que leves e lentas partem para sul
Sem pressa nenhuma, desdém ou entrave

E se viver não bastasse à poesia
Bastaria este enlace de verde com azul
Que são teus olhos enchendo  minh'alma vazia

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

O instante absoluto

A atenção que devemos ao mundo tem uma dimensão impagável.  A melhor solução seria cada um nós escrever, durante toda a vida, apenas um poema sobre uma ínfima parte  da realidade observada. Assim mesmo, tornar-nos-iamos todos absolutos mestres de um segundo apenas. Entenderiamos finalmente a sábia eternidade do instante.

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