O tempo chama-nos às vezes para conversar:
memórias, esperanças, lágrimas,
acabamos por lhe dar razão.
É então que deixamos de ouvir ressoar os seus argumentos
no labirinto inquietante dos caminhos por onde não fomos.
A atenção que devemos ao mundo tem uma dimensão impagável. A melhor solução seria cada um nós escrever, durante toda a vida, apenas um poema sobre uma ínfima parte da realidade observada. Assim mesmo, tornar-nos-iamos todos absolutos mestres de um segundo apenas. Entenderiamos finalmente a sábia eternidade do instante.
A aspereza da vida é interromper "O Vale Abraão " do Manoel de Oliveira por estar na hora da fisioterapia. São estes momentos que reforçam a subjugação do espírito às leis da condição animal.