És para mim um pensamento ainda tão esquivo. Quando falo de Ti, parecem-me sempre escassas as palavras. Quando falo de Ti, sinto-me um inocente traidor. Saibam ao menos os meus atos e olhares indicarem aos outros uma pista recente para a Tua excelsa presença.
sexta-feira, 8 de junho de 2018
terça-feira, 5 de junho de 2018
Rua da Saudade
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| Foto do topónimo da rua de acesso ao cemitério de Belas |
De regresso a Belas, fui caminhando pelos seus caminhos magníficos. Os mais altos, no cimo do vale, entregam-nos uma vista maravilhosa. Os mais resguardados, dentro da núcleo central da vila, levam-nos a um passado burguês e campal. Levam-me a mim, especialmente, ao início da minha vida de casado. O último percurso partia dos célebres fofos de Belas até às portas do cemitério e chamava-se Rua da Saudade. Caminhando etapa a etapa lá fiz a sua subida e este poema:
I
a água da fonte
recorda o chilrear do chamariz
quando de súbito se calou
e voltou
ao infinito da memória
II
como se possível fosse
percorro o passado
à procura de um desvio ou atalho
que me permita regressar à visibilidade
III
cambaleio num labirinto
ou danço com a tua ausência
a valsa transparente da saudade ?
IV
no final da estrada
lá está a carreta funerária
sedutora e pacífica
como um banco de jardim
que por mistério ou misericórdia
não é ainda para mim
terça-feira, 29 de maio de 2018
O mundo não está para líricos
Com a orelha de Van Gogh na mão
entro na pastelaria.
O mundo não está para líricos.
entro na pastelaria.
O mundo não está para líricos.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Mater
Abre a boca
e deixa entrar o sol até às vísceras
Espera como o botão de rosa,
o espreguiçar da primeira pétala
E finalmente grita entre dentes
o cardo para dar sombra
à ousada perfeição do escaravelho
e deixa entrar o sol até às vísceras
Espera como o botão de rosa,
o espreguiçar da primeira pétala
E finalmente grita entre dentes
o cardo para dar sombra
à ousada perfeição do escaravelho
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Prometeu
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| O mito de Prometeu e Pandora - Christian Griepenkerl (1839 – 1912) |
Na tragédia grega, o herói é sempre vítima de si mesmo. Só assim o teatro se torna moral. Prometeu terá sido também vítima do seu carácter. Esses mesmo traços de personalidade que dão e retiram vantagem arbitrariamente, porque o tempo não pára para ninguém, nem mesmo para quem vive no Olimpo.
Zeus temeu que os mortais ficassem tão poderosos como os deuses e puniu Prometeu. Acorrentou-o na escarpa de uma montanha no Cáucaso, onde todos os dias uma águia lhe comia o figado, esse mesmo que regenerava no dia seguinte para voltar a ser debicado complemente. Não tenho lembrança de pena tão cruel e prolongada no tempo. Talvez Zeus quisesse que o seu castigo servisse de exemplo para aplacar futuros atrevimentos. Acho que não foi suficientemente dissuasor. De vez em quando surge um privilegiado que por vaidade ou sentido de justiça ou ambas as coisas - porque a justiça e a vaidade andam às vezes juntas - rouba o fogo aos privilegiados e o entrega aos outros. Não é uma tarefa fácil. Quem o faz será sempre lembrado como herói por uns, como um vilão por outros.
domingo, 29 de abril de 2018
sexta-feira, 20 de abril de 2018
Poemas de graça - O malmequer e o robot
O cheiro do malmequer
dá-me prazer
Ainda bem que não o posso comer
O malmequer tem a liberdade
das coisas inúteis
Pai, fazes um robot igual a mim ?
dá-me prazer
Ainda bem que não o posso comer
O malmequer tem a liberdade
das coisas inúteis
Pai, fazes um robot igual a mim ?
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