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terça-feira, 29 de maio de 2018

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Mater

Abre a boca
e deixa entrar o sol até às vísceras

Espera como o botão de rosa,
o espreguiçar da primeira pétala

E finalmente grita entre dentes
o cardo  para dar sombra
à ousada perfeição do escaravelho

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Prometeu

O mito de Prometeu e Pandora - Christian Griepenkerl (1839 – 1912)
Prometeu era um titã, uma entidade capaz de enfrentar os deuses - algo impossível ao comum dos mortais. Ele roubou o fogo aos deuses para o dar aos mortais. Porque o fez, não sei. Talvez por vaidade, talvez por estratégia no confronto que oponha os deuses aos titãs na mitologia grega. Ninguém o disse. O profundo conhecimento do subconsciente das personagens chegou muito mais tarde, num período chamado pré-modernismo ou realismo psicológico. Há quem diga que aparece pela primeira vez no romance "Preto e vermelho" de Sthendal, mas isso não vem agora para a história de Prometeu. O fato é que este levou o calor, a luz, o combustível aos mortais, encurtando as diferenças entre os homens e os deuses.

Na tragédia grega, o herói é sempre vítima de si mesmo. Só assim o teatro se torna moral. Prometeu terá sido também vítima do seu carácter. Esses mesmo traços de personalidade que dão e retiram vantagem arbitrariamente, porque o tempo não pára para ninguém, nem mesmo para quem vive no Olimpo.

Zeus temeu que os mortais ficassem tão poderosos como os deuses e puniu Prometeu. Acorrentou-o na escarpa de uma montanha no Cáucaso, onde todos os dias uma águia lhe comia o figado, esse mesmo que regenerava no dia seguinte para voltar a ser debicado complemente. Não tenho lembrança de pena tão cruel e prolongada no tempo. Talvez Zeus quisesse que o seu castigo servisse de exemplo para aplacar futuros atrevimentos. Acho que não foi suficientemente dissuasor. De vez em quando surge um privilegiado que por vaidade ou sentido de justiça ou ambas as coisas - porque a justiça e a vaidade andam às vezes juntas - rouba o fogo aos privilegiados e o entrega aos outros. Não é uma tarefa fácil. Quem o faz será sempre lembrado como herói por uns, como um vilão por outros.

domingo, 29 de abril de 2018

Como subir da morte para a vida ?

Orfeu foi regastar Euridice ao mundo dos mortos, reino do deus Hades. Uma das premissas do resgaste era que ela não olhasse para traz durante a fuga e ela olhou. Assim, por lá ficou Euridice eternamente, restando a Orfeu, a sua lira e os seus poemas para estar com a sua amada - em espírito, tão só.


sexta-feira, 20 de abril de 2018

Poemas de graça - O malmequer e o robot

O cheiro do malmequer
dá-me prazer
Ainda bem que não o posso comer

O malmequer tem a liberdade
das  coisas inúteis

Pai, fazes um robot igual a mim ?

Poemas de graça - A gata

A gata tem graça
e uma fragilidade insubmissa.

Quanto se cansa de descansar,
descansa.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Gatela - uma janela de gatos

Janela de granito no centro de Salvaterra do Extremo - Foto Luís Palma Gomes


Salvaterra do Extremo, Páscoa de 2018

A passagem da páscoa (Judaico-Cristã) na Beira Baixa deixava-me sempre poemas, fotos, desenhos, contos e prosas para mais tarde recordar. Desta vez não. Por isso, vinha um pouco menos feliz. Não escrevera, não desenhara, não fotografara. Com mil raios e coriscos, estaria a ficar velho? Se calhar os 50 anos secaram-me o espanto pelo mundo ? Outrora, mesmo quando partia, para a aldeia, seco pela urbe, parecia-me renascer a curiosidade e a inspiração quando chegava àquele sortilégio de cheiros, cores, paisagens e sobretudo àquele tempo vagaroso - mais parecido com  o de Deus ou pelo menos mais humano. Ter-se-ia banalizado também aquele espaço e aquele tempo ?

Hoje, deu comigo a olhar para as fotos do telemóvel, quando encontrei esta pequena maravilha que me havia esquecido. Estavam lá muitas coisas que me fazem lembrar a aldeia: o granito, os gatos de pelo queimado, a gamela da comida atada por uma guita, a janela, aquela luz antiga. Que bom poder recordar a Páscoa de 2018. Na Páscoa de Salvaterra do Extremo, onde as tradições judaico-cristãs teimam em subsistir, entende-se melhor o conceito da "ressuscitação" ou do "renascimento". Por isso, aleluia.


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