Todo o Homem nasce frágil. Tem por isso medo de tudo e tudo cobiça, porque tem necessidade extrema de se defender. Esta tensão gera um conflito de todos contra todos. Poderão as grandes massas populares, a sociedade cívil e as suas instituições proteger um ser humano de outro ser humano ? Penso que sim. Existem, neste momento (a meu ver trata-se de uma antitese histórica da forma como Hegel conceptualiza na sua dialética ), para isso dois pilares : estado e religião. Só estes dois conceitos conseguem reunir uma perspetiva holística e segura. Desta primeira premissa chega-se à necessidade de um contrato social, mas também espiritual. O materialismo marxista afirma que só depois de teres a pedra (matéria) na mão é que decides o que fazer dela (decisão moral ou ética). Já temos a pedra na mão e agora? Vamos atirá-la à cabeça do nosso irmão ou construir uma casa para vivermos literalmente juntos ?
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
África Delas
Vi esta foto no Facebook e gostei muito dela. Trata-se de um conjunto de estudantes de medicina que foram estagiar até São Tomé e Príncipe. Ao fundo, o Ilhéu das Rolas.
Achei a foto descritiva, equilibrada e enigmática. Gosto de ver os portugueses fotografados em África. Ficam mais humanos e naturais. Perdem aquela película sofisticada que lhes mascara a atitude. Libertam-se daquela peça teatral, velha e demasiado encenada chamada Europa.
Foto de Emanuel Cortesão de Seiça
Achei a foto descritiva, equilibrada e enigmática. Gosto de ver os portugueses fotografados em África. Ficam mais humanos e naturais. Perdem aquela película sofisticada que lhes mascara a atitude. Libertam-se daquela peça teatral, velha e demasiado encenada chamada Europa.
Foto de Emanuel Cortesão de Seiça
O abrigo
Em memória de António Queiroz Lopes
Onde havia eu de abrigar-me
das chuvas frias, das noites húmidas
que atormentam meu estro tão cansado como o vosso ?
Onde esconder, ó defuntos, os vossos ossos
que se encaixam já nos os meus ?
Creio que seguindo o vosso rastro, Senhor,
chegarei ao abrigo, ao lastro da humanidade toda
- esse lugar onde um ar rarefeito se eleva às grutas,
desce às nuvens,
e percorre livre as pradarias das covas escuras.
Ai deixará de haver passado ou futuro,
apenas um rio desaguando nos confins do início
e uma paixão escondida entre duas eternidades.
Onde havia eu de abrigar-me
das chuvas frias, das noites húmidas
que atormentam meu estro tão cansado como o vosso ?
Onde esconder, ó defuntos, os vossos ossos
que se encaixam já nos os meus ?
Creio que seguindo o vosso rastro, Senhor,
chegarei ao abrigo, ao lastro da humanidade toda
- esse lugar onde um ar rarefeito se eleva às grutas,
desce às nuvens,
e percorre livre as pradarias das covas escuras.
Ai deixará de haver passado ou futuro,
apenas um rio desaguando nos confins do início
e uma paixão escondida entre duas eternidades.
Como explicar a um jovem porque é bom ler romances ?
Ao explicar a um jovem de 13 anos porque deveria ler romances, disse-lhe:
"Caro amigo,
Ainda acerca dos livros, tenho de dizer-te mais uma coisa: O fantástico é aliciante e livros como o "Senhor dos Anéis" e o "Harry Potter" ajudam-nos a desenvolver a imaginação. Contudo, livros como "O velho que lia romances de amor" do Luís Sepúlveda ajudam-nos a compreender a realidade exterior e interior do Homem. Por isso mesmo, histórias como estas são muito bonitas e reveladoras. Muitas vezes apenas conhecemos a curta realidade que está à nossa volta e não chegamos a compreender a realidade dos outros. Por isso, é bom ler romances. Não é preciso ler muito. Apenas o suficiente para ganharmos sensibilidade para os problemas dos outros. Então boas férias e não te esqueças de ler."
"Caro amigo,
Ainda acerca dos livros, tenho de dizer-te mais uma coisa: O fantástico é aliciante e livros como o "Senhor dos Anéis" e o "Harry Potter" ajudam-nos a desenvolver a imaginação. Contudo, livros como "O velho que lia romances de amor" do Luís Sepúlveda ajudam-nos a compreender a realidade exterior e interior do Homem. Por isso mesmo, histórias como estas são muito bonitas e reveladoras. Muitas vezes apenas conhecemos a curta realidade que está à nossa volta e não chegamos a compreender a realidade dos outros. Por isso, é bom ler romances. Não é preciso ler muito. Apenas o suficiente para ganharmos sensibilidade para os problemas dos outros. Então boas férias e não te esqueças de ler."
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
Do caridade
Do amor ao outro até amor próprio existe uma grande distância. É hábito confundirmos o amor narcisista com o amar o outro. No amor narcisista, amamos o outro porque ele nos ama, ou julgamos que ama. Este sentimento gera ciúmes, insegurança e não raras vezes conflito. Na verdade, refletimos o nosso amor próprio no outro e deixamo-nos banhar nos pequenos raios por ele ou ela refletidos.
O amor ao outro é uma admiração às qualidades culturais ou naturais da outra pessoa, uma admiração incondicional. É esquecermo-nos de nós mesmos e centrarmo-nos nos outros. É fazermos como o sol e a lua, onde o primeiro(o sol), aquele/a que ama, ilumina a segunda(a lua), o amado/a, para que ela ou ele brilhe, mesmo que não tenha luz própria.
sábado, 5 de novembro de 2016
A culpa do ócio
Depois de um imposto lançado pelo Papa Júlio II, em 1510, para a construção da
Basílica d,e São Pedro, alguns príncipes alemães revoltam-se. Encontram em
Martinho Lutero, um argumento ideológico e iniciam um movimento de separação da Igreja Papal.
Mais a Norte, Suiça, Holanda e em parte da Inglaterra, outro movimento ganha corpo. Liderado, a partir de Genebra, por João Calvino, este movimento religioso defende a ideia da predestinação, onde a salvação está destinada à nascença e toda a riqueza é vista como um sinal da predestinação divina. Está lançada a ideologia, que permitirá a coexistência da riqueza e da salvação divina. Ao contrário disto, os católicos advogam que a salvação atinge-se através dos atos praticados em vida. Mas as lutas políticas escoradas pela religião, continuam na Europa. Entre vários palcos, a Inglaterra é onde esta luta ganha mais relevância e interesse histórico. A rainha Isabel I, envolvida numa guerra contra os católicos espanhóis, sai vitoriosa. Manda decapitar, Maria Stuart, princesa escocesa católica e pretendente ao trono inglês. Depois de o falecimento de Isabel I, sucede-lhe o filho de Maria Stuart, entretanto convertido ao Anglicanismo, Jaime I. Mais tarde, a coroa chega a Carlos I, filho de Jaime I, e que defende a aproximação do culto anglicano ao católico.
Os calvinistas, agora apelidados de puritanos, são perseguidos e partem em grande quantidade, 250.000 pessoas, para o novo mundo. A génese filosófica dos Estados Unidos está criada.
A condenação do ócio e a sacralização do trabalho, a par de a perspetiva de que a riqueza e a pobreza são, respetivamente, uma graça ou uma condenação de Deus, ainda hoje marcam a sociedade ocidental. A par de outros sentimentos de culpa que fomos adquirindo ao longo dos tempos, oriundos de uma consciência religiosa alimentada desde tempos remotos, o sentimento de culpa relativa ao ócio é uma das últimas aquisições da consciência ocidental cristã.
Schwanitz, Dietrich - "Cultura da Idade Moderna à Idade Contemporânea" - Coleção Expresso
Wikipédia Inglesa - Artigo sobre "Carlos I de Inglaterra", "Puritanos" e "Peregrinos".
Mais a Norte, Suiça, Holanda e em parte da Inglaterra, outro movimento ganha corpo. Liderado, a partir de Genebra, por João Calvino, este movimento religioso defende a ideia da predestinação, onde a salvação está destinada à nascença e toda a riqueza é vista como um sinal da predestinação divina. Está lançada a ideologia, que permitirá a coexistência da riqueza e da salvação divina. Ao contrário disto, os católicos advogam que a salvação atinge-se através dos atos praticados em vida. Mas as lutas políticas escoradas pela religião, continuam na Europa. Entre vários palcos, a Inglaterra é onde esta luta ganha mais relevância e interesse histórico. A rainha Isabel I, envolvida numa guerra contra os católicos espanhóis, sai vitoriosa. Manda decapitar, Maria Stuart, princesa escocesa católica e pretendente ao trono inglês. Depois de o falecimento de Isabel I, sucede-lhe o filho de Maria Stuart, entretanto convertido ao Anglicanismo, Jaime I. Mais tarde, a coroa chega a Carlos I, filho de Jaime I, e que defende a aproximação do culto anglicano ao católico.
Os calvinistas, agora apelidados de puritanos, são perseguidos e partem em grande quantidade, 250.000 pessoas, para o novo mundo. A génese filosófica dos Estados Unidos está criada.
A condenação do ócio e a sacralização do trabalho, a par de a perspetiva de que a riqueza e a pobreza são, respetivamente, uma graça ou uma condenação de Deus, ainda hoje marcam a sociedade ocidental. A par de outros sentimentos de culpa que fomos adquirindo ao longo dos tempos, oriundos de uma consciência religiosa alimentada desde tempos remotos, o sentimento de culpa relativa ao ócio é uma das últimas aquisições da consciência ocidental cristã.
Schwanitz, Dietrich - "Cultura da Idade Moderna à Idade Contemporânea" - Coleção Expresso
Wikipédia Inglesa - Artigo sobre "Carlos I de Inglaterra", "Puritanos" e "Peregrinos".
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Os hoplitas
Na Grécia Antiga (Período Clássico), os cidadãos para além da sua atividade económica, habitualmente ligada à agricultura ou comércio, cumpriam funções militares. Da sua própria bolsa, compravam as proteções ( Couraça, elmo e escudo) e as armas (Lança e espada). Estes soldados de infantaria chamados Hoplitas (nome dado ao escudo) formavam falanges. Estas eram formadas por fileiras de soldados que lutavam muito juntos entre si. Esta estratégia tornava-os pouco vulneráveis e promovia a colaboração entre eles. A cooperação sobrepunha-se assim e de forma determinante ao individualismo. Os combates eram muito formais e logo que uma das forças se rendia, os vencedores permitiam que estes recolhessem os feridos e os mortos em combate. Não agrediam populações civis.
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