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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

África Delas

Vi esta foto no Facebook e gostei muito dela. Trata-se de um conjunto de estudantes de medicina que foram estagiar até São Tomé e Príncipe. Ao fundo, o Ilhéu das Rolas.

Achei a foto descritiva, equilibrada e enigmática. Gosto de ver os portugueses fotografados em África. Ficam mais humanos e naturais. Perdem aquela película sofisticada que lhes mascara a atitude. Libertam-se daquela peça teatral, velha e demasiado encenada chamada Europa.



Foto de Emanuel Cortesão de Seiça

O abrigo

Em memória de António Queiroz Lopes

Onde havia eu de abrigar-me
das chuvas frias, das noites húmidas
que atormentam meu estro tão cansado como o vosso ?

Onde esconder, ó defuntos,  os vossos ossos
que se encaixam já nos os meus ?

Creio que seguindo o vosso rastro, Senhor,
chegarei ao abrigo, ao lastro da  humanidade toda
- esse lugar onde um ar rarefeito se eleva às grutas,
 desce às nuvens,
e percorre livre as pradarias das covas escuras.

Ai deixará de haver passado ou  futuro,
apenas um rio desaguando nos confins do início
e uma paixão escondida entre duas eternidades.



Como explicar a um jovem porque é bom ler romances ?

Ao explicar a um jovem de 13 anos porque deveria ler romances, disse-lhe:

"Caro amigo,
Ainda acerca dos livros, tenho de dizer-te mais uma coisa: O fantástico é aliciante e livros como o "Senhor dos Anéis" e o "Harry Potter" ajudam-nos a desenvolver a imaginação. Contudo, livros como "O velho que lia romances de amor" do Luís Sepúlveda ajudam-nos a compreender a realidade exterior e interior do Homem. Por isso mesmo, histórias como estas são  muito bonitas e reveladoras. Muitas vezes apenas conhecemos a curta realidade que está à nossa volta e não chegamos a compreender a realidade dos outros. Por isso, é bom ler romances. Não é preciso ler muito. Apenas o suficiente para ganharmos sensibilidade para os problemas dos outros. Então boas férias e não te esqueças de ler."


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Do caridade

Do amor ao outro até amor próprio existe uma grande distância. É hábito confundirmos o amor narcisista com o amar o outro. No amor narcisista, amamos o outro porque ele nos ama, ou julgamos que ama. Este sentimento gera ciúmes, insegurança e não raras vezes conflito. Na verdade, refletimos o nosso amor próprio no outro e deixamo-nos banhar nos pequenos raios por ele ou ela refletidos.

O amor ao outro é uma admiração às qualidades culturais ou naturais da outra pessoa, uma admiração incondicional. É esquecermo-nos de nós mesmos e centrarmo-nos nos outros. É fazermos como o sol e a lua, onde o primeiro(o sol), aquele/a que ama,  ilumina a segunda(a lua), o amado/a, para que ela ou ele brilhe, mesmo que não tenha luz própria. 

sábado, 5 de novembro de 2016

A culpa do ócio



Depois de um imposto lançado pelo Papa Júlio II, em 1510, para a construção da Basílica d,e São Pedro, alguns príncipes alemães revoltam-se. Encontram em Martinho Lutero, um argumento ideológico e iniciam um movimento de separação da Igreja Papal.

Mais a Norte, Suiça, Holanda e em parte da Inglaterra, outro movimento ganha corpo. Liderado, a partir de Genebra, por João Calvino, este movimento religioso defende a ideia da predestinação, onde a salvação está destinada à nascença e toda a riqueza é vista como um sinal da predestinação divina. Está lançada a ideologia, que permitirá a coexistência da riqueza e da salvação  divina. Ao contrário disto, os católicos advogam que a salvação atinge-se através dos atos praticados em vida. Mas as lutas políticas escoradas pela religião, continuam na Europa. Entre vários palcos, a Inglaterra  é onde esta luta ganha mais relevância e interesse histórico. A rainha Isabel I, envolvida numa guerra contra os católicos espanhóis, sai vitoriosa. Manda decapitar, Maria Stuart, princesa escocesa católica e pretendente ao trono inglês. Depois de o falecimento de Isabel I, sucede-lhe o filho de Maria Stuart, entretanto convertido ao Anglicanismo, Jaime I. Mais tarde, a coroa chega a Carlos I, filho de Jaime I, e que defende a aproximação do culto anglicano ao católico.

Os calvinistas, agora apelidados de puritanos, são perseguidos e partem em grande quantidade, 250.000 pessoas, para o novo mundo. A génese filosófica dos Estados Unidos está criada.

 A condenação do ócio e a sacralização do trabalho, a par de a perspetiva de que a riqueza e a pobreza são, respetivamente,  uma graça ou uma condenação de Deus, ainda hoje marcam a sociedade ocidental.  A par de outros sentimentos de culpa que fomos adquirindo ao longo dos tempos, oriundos de uma consciência religiosa alimentada desde tempos remotos, o sentimento de culpa relativa ao ócio é uma das últimas aquisições da consciência ocidental cristã.

Schwanitz, Dietrich - "Cultura da Idade Moderna à Idade Contemporânea" - Coleção Expresso

Wikipédia Inglesa - Artigo sobre "Carlos I de Inglaterra", "Puritanos" e "Peregrinos".

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Os hoplitas

Na Grécia Antiga (Período Clássico), os cidadãos para além da sua atividade económica, habitualmente ligada à agricultura ou comércio, cumpriam funções militares. Da sua própria bolsa, compravam as proteções ( Couraça, elmo e escudo) e as armas (Lança e espada). Estes soldados de infantaria chamados Hoplitas (nome dado ao escudo) formavam falanges. Estas eram formadas por fileiras de soldados que lutavam muito juntos entre si. Esta estratégia tornava-os pouco vulneráveis e promovia a  colaboração entre eles. A cooperação sobrepunha-se assim e de forma determinante ao individualismo. Os combates  eram muito formais e logo que uma das forças se rendia, os vencedores permitiam que estes recolhessem os feridos e os mortos em combate. Não agrediam populações civis.


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Procuro abrigo

Procuro abrigo
debaixo de uma  ponte
que ligue o tronco ao ramo,
a borda à flor
ou essas zonas fugazes
apenas consentidas aos equinócios
e demais répteis levemente aquecidos.

Faltam-me dois dedos de fé para encontrá-lo,
eu sei.

(Falta sempre, não é?)

Talvez por isso
as nossas mãos fiquem hirtas
entre o prego e a cruz
enquanto o amor balança,
balança e sugere
mais dia, menos dia,
a martelada final.







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