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terça-feira, 14 de junho de 2016

A mais longa coação

A mais longa coação dos corpos
ocorre sob regras ditadas pelo senhor Kant
e, em ondas sublimes,
recolhidas pelo centésimo tal
sentido oculto do xamã

A mais longa coação dos corpos
substitui a razão por um sussurro
nascido de um brilho instantâneo, solúvel,
como a última faisca verde daquele sol
que por detrás do mar se põe,
quando percebemos sem querer
a suavidade das penas, dos pelos
na derradeira tarde de verão

A mais longa coação dos corpos
são os teus lábios entreabertos,
ora murmurando, ora apelando
ao gosto mastigado, mas sincero,
dos meus




terça-feira, 7 de junho de 2016

Somos assim, segundo Dostoiévsky


Anjos cadentes

Tenho uma mala castanha
e inexplicável
chamada Deus.
Quando a abro,
tenho tudo o que preciso.
Até o infinito arrumei por lá.
Abro-a para orar três vezes ao dia.

Depois fecho-a
e retomo a angústia alucinante da queda livre.


sexta-feira, 27 de maio de 2016

From greeks

Half of our bones
bubbling as airy temples

The other half,
seeping up in the footsteps
that Pegasus drew on clay

Are men, gods
or the gods, men?

Statues, poems and fine figures,
moving from urn to urn,
recall plaster souls in plain cloths.

All white over white
In the background starry darkness for each islands,
a sun tunnel fading in sleep,
a faint,
for when we wake up costumed liked fauns,

Athena has already become an angel,
illuminating the rowers' fearless ignorance.

(tradução de Ronan Hyancinthe)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Dos gregos

Metade dos nossos ossos
borbulhando como templos gasosos

A outra metade,
escoando-se nas pegadas
que Pégaso desenhou na argila

Serão os homens, deuses
ou os deuses, homens ?

Estátuas, poemas e cuidadosas figuras,
movendo-se de vaso em vaso,
lembram almas de gesso em pano cru.

Ao fundo, as trevas estreladas por ilhas,
enquanto um túnel de sol
desvanece num sono, num desmaio,
para quando acordarmos, trajados de faunos,
Atena seja já um anjo,
iluminando a impávida ignorância dos remadores.


terça-feira, 17 de maio de 2016

Ouvindo o mestre Hélder

No lançamento do meu livro "A Moura", convidei o mestre Hélder Costa para o apresentar. Foi um prazer ouvi-lo e conversar com ele antes e depois do lançamento. Uma lição de história e de coragem, a sua vida.

Obrigado, Hélder,

Eu e Hélder Costa no lançamento de "A Moura" no Auditório de Alfornelos

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