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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Santo Condestável


Corajoso, brandiu a espada e conquistou a terra. Agora, sentado e humilde, repousa o olhar num livro de horas, para ganhar o céu.




quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Slava

Sabemos que estamos na presença de um grande palhaço quando, durante o seu desempenho, alternamos entre a vontade de chorar e de rir.

Slava






Algum consolo

Não chores pelo que perdeste, luta pelo que tens.

Não chores pelo que está morto, luta por aquilo que nasceu em ti. 

Não chores por quem te abandonou, luta por quem está contigo. 

Não chores por quem te odeia, luta por quem te quer.

Não chores pelo teu passado, luta pelo teu presente. 

Não chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade.

Com as coisas que vão nos acontecendo vamos aprendendo que nada é impossível de solucionar, apenas siga adiante.



Jorge Mario Bergoglio, Papa Francisco.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Desfocados

Desfocados, porque partiram cheios de ilusões, ou seriam certezas absurdas ? Eles olharam-se ao espelho. Não conseguiram distinguir a coisa do seu reflexo e arriscaram. Afinal, já estavam habituados a viajar nos jogos de consola. Logo, Barcelona, Amesterdão ou Taiwan que diferença faz para quem já lutou contra exércitos fantásticos sem vidas infinitas ? Eles ficaram desfocados, mas apenas nos olhos enrugados pelos ventos salgados que sobem o Tejo. Os meus olhos, claro.

Foto de Gonçalo Fonseca

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A casa que honra os avós

Insondáveis pulsões, habitam a cave da casa. E só pelas estreitas janelas assomam a cor das labaredas que insistem em sobreviver na lareira antiga -  o verdadeiro coração da família. Pelas portas entra e sai o pão, o vinho e esculturas clássicas, onde ainda se notam algumas imperfeições de um cinzel cansado do fim do dia. Os jardins vestem a casa de flores e abelhas. Um gato  caminha cauteloso não vá algum ruído melindrar os anjos que por aqui persistem em cantar e tanger violas.  Por detrás das grades do jardim, a história passa e fica empedernida nas colinas da cidade. Mas a casa, não. A casa já não é história. Transcendeu-se. Os deuses  olham para ela como um lar do verbo “ser”. Depois descem até ela e deixam-se ficar suaves e inteiros como só eles sabem viver.

(Texto escrito no jardim da casa Roque Gameiro na Venteira Amadora)


Casa Roque Gameiro (Venteira - Amadora)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Eixo Trafaria-Belém

    Para o Tiago e para a Beatriz




Uma sombra radiosa
guia-te sobre as águas.

Abre-as.

De calça arregaçada,
caminhas dentro do rio.
E entre as paredes liquefeitas,
tens impressões marítimas:
ruínas de barcos,
fazendo bolhinhas pueris,
ânforas romanas,
decalcando o prazer
nos lábios dos caranguejos.

O que podes afinal ali fazer,
se os teus olhos tudo criam
e a tua pele outrora partilhada com as coisas
já nada sente ou lambe ?

Resta-te avançar
nesse jeito turístico
e condenado a ver apenas
por detrás dos carreiros envidraçados
que a maré abriu,
enquanto levava as corvinas,
neste mês encantadas,
por este mar ali tão
finalmente.



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