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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Baudelaire - Uma prova de conceito

Li e gostei. Depois tentei fazer uma tradução que mantivesse a rima:


"De onde vem, dizeis vós, esta tristeza estrangeira,
Imparável como o mar entrando pela rocha negra e nua
- Quando o nosso coração  já fez a vindima inteira
Viver é um mal. Este é o segredo que guardamos na rua"


«D'où vous vient, disiez-vous, cette tristesse étrange,

Montant comme la mer sur le roc noir et nu?»
— Quand notre coeur a fait une fois sa vendange
Vivre est un mal. C'est un secret de tous connu,"

Extrato de "Semper eadem" das "Fleur du Mal" de Charles Baudelaire




terça-feira, 29 de setembro de 2015

Onde param os loucos ?


Dar

Hoje dei um poema que escrevi a um casal amigo. Sobretudo, porque enquanto o escrevia, percebi que aquelas palavras e conceitos tinha algo a ver com eles.  Aprendi a oferecer poemas,  quando li a biografia do poeta grego Kavafis, que o fazia regularmente. Ainda pensei: "Será pretencioso ?" Hoje quando o entreguei, senti que não é. Senti também que só podemos dar qualquer coisa de valor, se essa coisa tem valor para nós.

Post Scriptum:  Outra dica para os economistas e materialistas em geral: Só há uma coisa que  dinheiro não compra, o verdadeiro afecto. Se assim for, já viram o valor que ele tem?

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Humidade

Nada melhor que a humidade na parede para exprimir a marca do tempo nos seus dois significados conhecidos.


domingo, 27 de setembro de 2015

1 ato

(Neblina.)

(Os cavaleiros chegam a trote.)

Druida: "Esperai!
que o tempo dos deuses cai naturalmente 
como uma pedra
malhando a superfície do lago.

Essa pedra que lhe agita 
uma inquietação centrífuga, quase plana,
molhando amiúde 
os pés descalços das ervinhas de Chamelot"

Coro: "Molhados, os pés da erva
movem-se para a esquerda 
e, sem saberem,
mudaram já a rota do mundo."

(Os cavaleiros saiem a galope.)

(O sol some-se também 
virgem e sem dote.)






quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A timida loucura



Foto de Duarte Belo em CidadeInfinita.Blogspot.com



É preciso encher os pulmões  de  poesia  para atravessar, incólume, os lugares da desumanidade. 

Não há vita nuova sem risco.  

Será a tímida loucura, o gene que nos distingue ?

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"Quartos alugados" de Alexandre Andrade


"Entra-se num livro pela literatura, normalmente é assim, mas no caso do Alexandre Andrade as coisas complicam-se bastante. Além de Proust e Beckett, somos agraciados com naturezas-mortas e retratos, Charpentier e John Coltrane, Tondela e Paris, baguetes e bolas de berlim, luvas de pelica e gatos, Godard e (sem nunca ser mencionado) o espírito arisco de Jacques Rivette. O cheiro do café com bolos quentes antecipa-se ao efeito da escrita; dir-se-ia que a vida chega em primeiro lugar, e é juvenil e doce. As histórias crescem com delicadeza, as personagens envolvem-se em peripécias afáveis e levemente misteriosas, os gatos perdem-se e encontram-se — enfim, n’ Os Quartos Alugados respira-se uma atmosfera botânica. Roubando as palavras a uma das personagens: é tudo ao mesmo tempo conceptualmente simples, fértil e profundo. "

Texto extraído do site da Editora Exclamação

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