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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Triste consolo

Triste consolo,
enxaguar as lágrimas
com lenços molhados
de cansaço e desolos

Mas o sol regressa sempre
até ver
e, como crianças,
somos felizes a crédito
(mas com juros)

sabes que não minto

sabes bem que não minto

mesmo na profunda masmorra,
agarrado a grilhetas bem temperadas,
sabes que não minto,

mesmo que a verdade 
se enrede na loucura
própria de quem se julga vivo
sabes que não minto

apenas dedilho  as poucas palavras 
que fogem pela fresta dos olhos
encaminhando-as para o poço da morte,
onde motards tatuados nas costas
 desafiam os limites  de uma coisa sem nome


e quando as coisas se tornam inomináveis
 começa um poema

sábado, 5 de setembro de 2015

El-Jadida #1

Aqui início um conjunto de poemas escritos, no mês de Julho,  em El-Jadida (antiga Mazagão) no reino de Marrocos.

#1

Porta a porta
sente-se o destino,
(o makbut como aprendi depois )

Por entre o ar fétido das ruas,
há um exército de vontades
tão diferentes das nossas

Os burros e as vacas comem lixo
e um  rocinante procura esquelético
o seu Quixote numa rua de papel

Os barcos vão e vêm

Há peixe ftito
a vender pelas ruas
como um trigo que nasceu no mar

As suas escamas e guelras
esventram a maresia
com odores de morte
e especiarias

O divino é geométrico
para que deus se torne tão lógico
como um bule de  chá de hortelã e menta

Alá é afinal um teorema
que prova que os dias sem chuva
são a tensão vibratória dos músculos
de um garanhão árabe

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O ator que não sabia fingir

Lembras-te da aflição do ator que não queria fingir ?
Se até o gafanhoto finge a sua estupefacção,
o que será do ator sem o  sortilégio da representação ?
Será apenas um provocador que
- retirando máscara a máscara
até ao limite de ser um cais de pedra -
aprendeu apenas a atracar navios
e a fazer partir uma  aragem de vontade.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Aprender a passar


Olho o céu e vejo as nuvens  passar. Também nós passamos como elas e sem deixar grande rasto. Antes delas passaram muitas outras e depois delas muitas outras passarão também. Quem se importa com elas ou quem no futuro se importará connosco ?
 
 
Porque damos então tanta importância ao nosso futuro, se ele não tem importância nenhuma, assim como as nossas insignificantes vidas ? Preocupemo-nos também, em cada ato ou palavra, aligeirar o caminho dos outros, porque ele é tão duro e  agreste como o nosso.

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Uma simples preposição

"Cansado dos outros" ou "Cansado com os outros"  é a prova da riqueza das palavras,  onde a mudança da preposição "de" para "com" faz  toda a diferença. Entre estas duas frases encontra-se o estado de espírito do mundo ocidental.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Alerta

E se os outros te pedirem para te tornares uma má pessoa  ? E se te coagirem ? Os soldados devem sentir a mesma angústia quando lhes pedem para matar outros soldados.

A alguma experiência que tenho, diz-me que não devemos ceder um milímetro ao mal e nem sequer podemos mais tarde evitar o seu retorno. 
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