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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O que faz sorrir o Hassan ?

Hassan é um marroquino com vinte e poucos anos, com estudos secundárias e uma conversa interessante e inteligente. Hassan trabalha como caseiro de uma propriedade perto de El-Jadida e a 80 Km de Casablanca. Apesar da solidão do seu trabalho, da provável falta de boas condições remuneratórias, de viver num regime absolutista em termos políticos e de o futuro não lhe reservar provavelmente nenhuma melhoria destas condições, o Hassan tem um sorriso verdadeiro, constante e luminoso. Mais do que um sorriso, ele parece feliz - quase diria com toda certeza que o é, na medida possível.

É este o grande mistério que me ocupa o espírito: O que faz sorrir o Hassan ?


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

que nunca desejes

desejar apenas não desejar,
como quem regressasse
à manhã anterior do pecado original

e atado à pedra
ficar a contemplar
ludibriando as impossibilidades

com o traço incógnito de uma aguarela



Photograph Untitled by Gonçalo Fonseca on 500px
Foto de Gonçalo Fonseca
Untitled by Gonçalo Fonseca on 500px

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Uma barata de sonho

Hoje tirei o dia, para ensinar uma barata coxa a dançar a valsa.
Pé ante pé, lá chegou ela com as suas perninhas peludas - uma delas meio arrastiça.
Coloquei o disco do Strauss na grafonola e não é que, passado meio dia, o insecto dançava, dançava como uma princesa imaculada no dia do baile de debutantes.





A cruz de luz de Tadao Ando


E se a nossa cruz fosse afinal feita de luz ?



A igreja da luz é a capela princípal da igreja protestante da Ibaraki Kasugaoka. Foi construída em 1989, na cidade de Ibaraki, no distrito de Osaka. Um projeto do arquiteto japonês Tadao Ando, conhecido pelo seu minimalismo e projeção da luz natural.

Rara chama

Rara chama
a que aquece e alumia
e  traz ainda
no espetro azul da labareda
uma faísca de maresia



quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Locke

Temos dos filmes duas perspetivas. Uma mais técnica e social, na qual enquadramos uma opinião mais genérica e que nos permite dizer aos amigos: "Vê que é bom". A outra é mais subjetiva e ligada à nossa sensibilidade e memórias. O filme "Locke" de Steven Knight liga-se a esta segunda perspetiva. Por isso não posso consciente dizer que ele é muito bom. Tem uma avaliação de 7,1 no índice do IMDB, o que justifica a classificação de um filme de qualidade. Eu achei-o muito bom por razões pessoais, mas não só. O argumento e o guião são uma lição. O filme, com uma estratégia narrativa muito clássica, explora, como a "Odisseia" de Homero, a viagem do herói. Não a do regresso a casa, mas a da partida. Mas se a qualidade do argumento tem uma dimensão clássica, o filme explora depois um novo conceito das vidas atuais, a ubiquidade. Isto é, a capacidade de estar num curto espaço de tempo, a interagir com muitos universos que, neste caso, não se conhecem entre si. E apenas o indivíduo, o protagonista, os interrelaciona . E a se fusão de espaços exclusivos dentro de um automóvel através de uma telemóvel, não bastasse para nos prender a atenção à história, no banco de detrás do automóvel habita ainda um fantasma. E assim numa história onde um problema conjugal e outro profissional se cruzam, surge ainda este outro personagem, morador apenas na psique de Ivan Locke (Tom Hardy).

Nem que seja pelo  exercício de assistir a um filme passado dentro de um automóvel, onde o único ator com representação corporal (os outros atores apenas emprestam a voz ao filme) vai dialogando ao telemóvel com as outras personagens (vozes), vale a pena ver esta fita. Uma excelente metáfora sobre o nosso quotidiano na madrugada do século XXI.



























Escrito e realizado por Steven Knigth e interpretado por Tom Hardy

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Podem os espíritos morrer ?

Morreu  Ana Hatherly, com 85 anos de idade. Ontem reparei no cartaz da exposição "Tensão e Liberdade" da FCG e achei-o magnífico. Aproximei-me e descobri que se tratava de um trabalho da  Ana Hatherly. Hoje vim a saber que o corpo do dela já não existe, mas o cartaz continua lá.



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