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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A cruz de luz de Tadao Ando


E se a nossa cruz fosse afinal feita de luz ?



A igreja da luz é a capela princípal da igreja protestante da Ibaraki Kasugaoka. Foi construída em 1989, na cidade de Ibaraki, no distrito de Osaka. Um projeto do arquiteto japonês Tadao Ando, conhecido pelo seu minimalismo e projeção da luz natural.

Rara chama

Rara chama
a que aquece e alumia
e  traz ainda
no espetro azul da labareda
uma faísca de maresia



quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Locke

Temos dos filmes duas perspetivas. Uma mais técnica e social, na qual enquadramos uma opinião mais genérica e que nos permite dizer aos amigos: "Vê que é bom". A outra é mais subjetiva e ligada à nossa sensibilidade e memórias. O filme "Locke" de Steven Knight liga-se a esta segunda perspetiva. Por isso não posso consciente dizer que ele é muito bom. Tem uma avaliação de 7,1 no índice do IMDB, o que justifica a classificação de um filme de qualidade. Eu achei-o muito bom por razões pessoais, mas não só. O argumento e o guião são uma lição. O filme, com uma estratégia narrativa muito clássica, explora, como a "Odisseia" de Homero, a viagem do herói. Não a do regresso a casa, mas a da partida. Mas se a qualidade do argumento tem uma dimensão clássica, o filme explora depois um novo conceito das vidas atuais, a ubiquidade. Isto é, a capacidade de estar num curto espaço de tempo, a interagir com muitos universos que, neste caso, não se conhecem entre si. E apenas o indivíduo, o protagonista, os interrelaciona . E a se fusão de espaços exclusivos dentro de um automóvel através de uma telemóvel, não bastasse para nos prender a atenção à história, no banco de detrás do automóvel habita ainda um fantasma. E assim numa história onde um problema conjugal e outro profissional se cruzam, surge ainda este outro personagem, morador apenas na psique de Ivan Locke (Tom Hardy).

Nem que seja pelo  exercício de assistir a um filme passado dentro de um automóvel, onde o único ator com representação corporal (os outros atores apenas emprestam a voz ao filme) vai dialogando ao telemóvel com as outras personagens (vozes), vale a pena ver esta fita. Uma excelente metáfora sobre o nosso quotidiano na madrugada do século XXI.



























Escrito e realizado por Steven Knigth e interpretado por Tom Hardy

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Podem os espíritos morrer ?

Morreu  Ana Hatherly, com 85 anos de idade. Ontem reparei no cartaz da exposição "Tensão e Liberdade" da FCG e achei-o magnífico. Aproximei-me e descobri que se tratava de um trabalho da  Ana Hatherly. Hoje vim a saber que o corpo do dela já não existe, mas o cartaz continua lá.



El Jadida #1

Era habitual em El Jadida (Marrocos) encontrar no final do dia, homens sós a ler e a refletir virados para o mar e não para Meca, onde se viram no momento das orações.

Escrevi sobre este fato, estes curtos versos:

duas estrelas
e quatro luas viajantes
iluminam a praia
onde o homem azul*
olhando o mar
recorda um deserto 
escondido no futuro




*Aos berberes, tribo indígena marroquina, chamam "Homens azuis"











terça-feira, 4 de agosto de 2015

A forma mais radical de liberdade

Estranhamente, ou talvez não, também  descobri sozinho esta forma de  me sentir menos prisioneiro.




O sorriso do Hassan




Je ne suis pas un autre,
eu sou o outro,
o que me atira sorridentes beijos  
a caminho da aldeia,
o que apenas sobrevivendo
partilha comigo o último pão,
o que preso no seu circo de feras
gasta um gesto verdadeiramente livre
para me cozinhar um cuz cuz.


Je ne suis pas un autre,
eu sou o outro,
o que caminha a meu lado
serenamente,
o que me estende o seu único braço,
o que por mim ora e me faz orar,
o que me faz ter saudades
do inferno, da pestilência invita
que carreguei rente à pele,
e da pureza que descobri dentro dela.


Je ne suis pas un autre,
eu sou o sorriso do Hassan.






















Pedro e Hassan (caseiro de uma propriedade rural) na província de Doukala.

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