segunda-feira, 10 de agosto de 2015
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Locke
Temos dos filmes duas perspetivas. Uma mais técnica e social, na qual enquadramos uma opinião mais genérica e que nos permite dizer aos amigos: "Vê que é bom". A outra é mais subjetiva e ligada à nossa sensibilidade e memórias. O filme "Locke" de Steven Knight liga-se a esta segunda perspetiva. Por isso não posso consciente dizer que ele é muito bom. Tem uma avaliação de 7,1 no índice do IMDB, o que justifica a classificação de um filme de qualidade. Eu achei-o muito bom por razões pessoais, mas não só. O argumento e o guião são uma lição. O filme, com uma estratégia narrativa muito clássica, explora, como a "Odisseia" de Homero, a viagem do herói. Não a do regresso a casa, mas a da partida. Mas se a qualidade do argumento tem uma dimensão clássica, o filme explora depois um novo conceito das vidas atuais, a ubiquidade. Isto é, a capacidade de estar num curto espaço de tempo, a interagir com muitos universos que, neste caso, não se conhecem entre si. E apenas o indivíduo, o protagonista, os interrelaciona . E a se fusão de espaços exclusivos dentro de um automóvel através de uma telemóvel, não bastasse para nos prender a atenção à história, no banco de detrás do automóvel habita ainda um fantasma. E assim numa história onde um problema conjugal e outro profissional se cruzam, surge ainda este outro personagem, morador apenas na psique de Ivan Locke (Tom Hardy).
Nem que seja pelo exercício de assistir a um filme passado dentro de um automóvel, onde o único ator com representação corporal (os outros atores apenas emprestam a voz ao filme) vai dialogando ao telemóvel com as outras personagens (vozes), vale a pena ver esta fita. Uma excelente metáfora sobre o nosso quotidiano na madrugada do século XXI.
Escrito e realizado por Steven Knigth e interpretado por Tom Hardy
Nem que seja pelo exercício de assistir a um filme passado dentro de um automóvel, onde o único ator com representação corporal (os outros atores apenas emprestam a voz ao filme) vai dialogando ao telemóvel com as outras personagens (vozes), vale a pena ver esta fita. Uma excelente metáfora sobre o nosso quotidiano na madrugada do século XXI.
Escrito e realizado por Steven Knigth e interpretado por Tom Hardy
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
El Jadida #1
Era habitual em El Jadida (Marrocos) encontrar no final do dia, homens sós a ler e a refletir virados para o mar e não para Meca, onde se viram no momento das orações.
Escrevi sobre este fato, estes curtos versos:
duas estrelas
e quatro luas viajantes
iluminam a praia
onde o homem azul*
olhando o mar
recorda um deserto
escondido no futuro
*Aos berberes, tribo indígena marroquina, chamam "Homens azuis"
Escrevi sobre este fato, estes curtos versos:
duas estrelas
e quatro luas viajantes
iluminam a praia
onde o homem azul*
olhando o mar
recorda um deserto
escondido no futuro
*Aos berberes, tribo indígena marroquina, chamam "Homens azuis"
terça-feira, 4 de agosto de 2015
O sorriso do Hassan
Je ne suis pas un autre,
eu sou o outro,
o que me atira sorridentes beijos
a caminho da aldeia,
o que apenas sobrevivendo
partilha comigo o último pão,
o que preso no seu circo de feras
gasta um gesto verdadeiramente livre
para me cozinhar um cuz cuz.
Je ne suis pas un autre,
eu sou o outro,
o que caminha a meu lado
serenamente,
o que me estende o seu único braço,
o que por mim ora e me faz orar,
o que me faz ter saudades
do inferno, da pestilência invita
que carreguei rente à pele,
e da pureza que descobri dentro dela.
Je ne suis pas un autre,
eu sou o sorriso do Hassan.
Pedro e Hassan (caseiro de uma propriedade rural) na província de Doukala.
terça-feira, 7 de julho de 2015
Hoje há caracóis
Se a mão do ato fere a melancolia,
pensar nela apenas a enxota -
com graça, às vezes,
sem vitalidade, quase sempre.
Creio que é por amor,
e não por medo,
que aceito este sofrimento de agir tão levemente.
Creio na magia de Não Ser
e deserto trôpego das trincheiras,
como um profeta anónimo
que colhe de flor em flor
o microscópico pólen de curtos dias.
Visto-me de preto
para fenecer no firmamento.
E assim preparo discreto, ou mesmo nulo,
o caminho dos vindouros - sua esperança e alegria.
Ensaio com persistência
a ausência de palavras,
para que no altar da estreia
não me falte o silêncio.
pensar nela apenas a enxota -
com graça, às vezes,
sem vitalidade, quase sempre.
Creio que é por amor,
e não por medo,
que aceito este sofrimento de agir tão levemente.
Creio na magia de Não Ser
e deserto trôpego das trincheiras,
como um profeta anónimo
que colhe de flor em flor
o microscópico pólen de curtos dias.
Visto-me de preto
para fenecer no firmamento.
E assim preparo discreto, ou mesmo nulo,
o caminho dos vindouros - sua esperança e alegria.
Ensaio com persistência
a ausência de palavras,
para que no altar da estreia
não me falte o silêncio.
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