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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Oração de um cão

Às vezes, sinto-me mais só do que nunca,
Abandonado e maltratado como um cão sem dono.
Por isso, Te peço que me faças humilde,
Que me faças aceitar tudo até ao fim.
Eu sei que tens o melhor caminho para mim.
Vou confiar em Ti como Abraão confiou.
Vou suportar tudo como Job suportou.

És o meu único Senhor
Os outros são pessoas como eu, nada mais.

terça-feira, 24 de março de 2015

Mudar de vida ou mudar o mundo?

"Mudar o mundo e mudar de vida, são dois lemas que significam exatamente a mesma coisa"
André Breton (1896-1966)


O discípulo e o mestre

Atrai-me ser discípulo de um crucificado, ainda que pese saber que nunca estarei à altura do mestre. Por isso, me interrogo e sinto-me incompleto. Por isso me sinto , às vezes, só diante da sua magnitude. Mas é uma solidão diferente, porque permanecem comigo os olhos de Jesus Cristo. Ele e eu, sozinhos e exangues, contemplando-nos no sacrifício e na admiração mútua. Espero pelo menos valê-la [a admiração dele].

sexta-feira, 20 de março de 2015

A consciência de um pássaro

Hoje ao ouvir um pardal, pensei: Terá um pardal atitudes hipócritas e cínicas, ou serão elas apenas apanágio da consciência humana ? Sinceramente, não sei a resposta.

Terão obviamente comportamentos básicos parecidos com os humanos: sentimento de posse, defesa do território, luta pela sobrevivência. Quanto à hipocrisia e cinismo, tenho muitas dúvidas.


domingo, 15 de março de 2015

Nau dos Cucos

I

Ca'nau com corvos e tude.

Turistes aos molhes
catrapiscam-na com smartfones
e já está.
Levam-na para casa
comcorvos e tude.

II

O poeta com ar superior
regista tudo no livrinho de mão.

E assim se constrói
a tão singela e soberaníssima
pirâmide das vaidades.


sexta-feira, 13 de março de 2015

Raquel Silvestre - Uma história de amor entre uma pastora e um lobo




A curta-metragem de animação “Raquel Silvestre, a pastora”,  de Marina Palácio foi selecionada para a Competição Portuguesa Vasco Granja, no dia 20 de Março, às 22h00, no Cinema S. Jorge. Não percam.



O telhado

O menino gostava de subir das águas furtadas da casa da avó até ao telhado. Sentia-se num ermitério, num lugar de aventura e reflexão. Ensaiava as primeiras fugas a caminho do etér – numa espécie de passagem entre a terra e o céu, como se fosse um anjo. Nesse tempo, a vida era infinita e o mundo também. E havia quem seguramente tomava conta de dele. Afinal as suas asas estavam dentro dele, na sua imaginação, na possibilidade de recriar tudo o que o envolvia. Os dias eram grandes, as noites acolhedoras dentro dos lençóis, onde acreditava que dormia no fojo dos lobos. Depois havia a escola, as regras, aqueles exercícios de aritmética que o aborreciam de morte e que lhe tiravam tempo para desenhar. Mais tarde, percebeu que também a matemática era um mundo de utopia e sem o comércio dos afectos e das hierarquias que lhe tolhiam os dias, um após a um.

Naquela manhã, estava de novo numas águas furtadas, fumando um cigarro. Ao ver o telhado, sentiu vontade de subir para cima dele. Mas era tarde demais, estava já demasiado comprometido com o mundo das máscaras. E só por isso escreveu esta pequena história.




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