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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Parabéns, Ruy

Ruy Belo fazias hoje 82 anos e por isso queria dizer-te o seguinte:

Caro Ruy,

Eu andava acamado na poesia que lia, 
repetia repetia e tudo era apenas somente.
Depois o Mário (Viegas) falou-me da tua presença
já ausente. 
Desci ao poço, subi à ladeira.
Levantei-me da longa convalescença
e afastei alguma poeira
que repousava infantil sobre os teus livros talhados a canivete.

Li-te e pareceu-me que também tu andavas entre Deus ausente.
Felizmente, encontrei-O de calça arregaçada pela beira-mar.
Desse mar que era só teu.
E doeu, às vezes,
quase sempre,

mas valeu, Ruy, se valeu…



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O que faz chorar Nani ?

 Nani era um rapaz pobre. Vivia nos bairros mais pobres da Amadora: Santa Filomena e 6 de Maio. Foi jogar para o Real de Massamá e ia pé todos os dias para os treinos. O seu dom chamou atenção do Sporting Clube Portugal e ao longo dos anos foi crescendo como futebolista. Os contratos melhoraram até chegar ao Manchester United, onde fez dois contratos que resolveram ad aeternum os seus problemas financeiros. Nani parece ser um jovem equilibrado que estuda música e tem uma vida normal para um futebolista de elite.

Tudo isto é a história vulgar de um futebolista em ascensão: Sucesso, fama e riqueza. Contudo, no passado fim de semana, ao marcar um golo antológico fora da área, festejou com lágrimas de tristeza e raiva. Eu perguntei-me porquê? O que lhe falta, que terá levado aquele desespero contido ? Que lágrimas eram aquelas? 

Acho que eram as dele, as minhas e as tuas que lês este texto. E também a prova que a matéria não satisfaz nem preenche o homem por completo. Quase arriscaria a dizer, quase nada. O Nani precisa de compaixão e compreensão. Foi excluído, este ano, do Manchester  United que o emprestou ao Sporting. Entrou bem na época de 2014-2015 ao serviço dos "Leões". Porém uma lesão e alguns jogos menos bons, levou a que o público, sempre pronto a julgar e a criticar, às vezes com uma boa dose de injustiça, duvidasse das suas qualidades ou tentando "picá-lo" como se faz aos cavalos de corrida. Nani tem ou pode ter tudo o que provavelmente um simples cidadão português gostaria de possuir. Contudo, faltou-lhe às vezes o amor dos outros, como tu ou como eu e só por isso chora. 


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Chegaram as andorinhas!

Hoje olhei para o céu e vi duas andorinhas a cumprimentarem-me. Tirei-lhes o chapéu em sinal de respeito e pensei: "Sejam bem vindas."




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A égua

Numa secreta viagem ao Alentejo reflecti os meus medos e ansiedades no olhar assustado primeiro e depois ternurento de uma égua a quem chamamos depois “Elvira”. A égua andava agitada com a nossa presença. Corria a galope no espaço exíguo daquela pequena quinta. Ao ver aquela erva tão verde, deitei-me no chão. A Elvira parou. Ficámos ali por instantes estudando mutuamente as nossas intenções. A minha postura revelou-lhe alguma humildade, quiçá, e confiança. Ela viu alguém prostrado que provavelmente precisava de ajuda. A curiosidade ou outra coisa qualquer mais afectuosa, motivou-a a avançar até mim. Lentamente, agachei-me, arranquei um molho de erva e ofereci-lhe como quem dá um ramo de rosas a uma mulher ou a um amigo. Encontramo-nos os dois a meio caminho. Fiz-lhe uma festa no focinho e depois outra. As suas pálpebras semicerraram de acalmia.  Estava feita uma comunhão temporária dentro de mim. Dentro dela também, sabe-se lá.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Os mitos


"O mito é nada que é tudo" - escreveu Fernando Pessoa. E às vezes apetece destruí-lo. Mas será correto fazê-lo ? Caso o destruamos que mitos nasceram no seu lugar ? O melhor será a mistificação do que nos ajude a ultrapassar as grandes ansiedades da vida. Por exemplo, a maior delas, aquela que é criada pela morte:



domingo, 8 de fevereiro de 2015

Assurancetourix



Porque é que na aldeia gaulesa prendem sempre o bardo Assurancetourix, impedindo-o de trovar no momento do festim ?
Será a poesia tão avessa à força que guia à vitória ? Será entediante a beleza quando se devoram javalis ? Em abono do bardo, realço a sua teimosia em nunca renunciar à sua vontade indómita de cantar para os outros. Sublinho, para os outros.
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