"Mas, para dizer a verdade, toda a minha vida tenho tentado ser uma pessoa bastante medíocre. Fiz o meu trabalho, procurei atingir os meus objectivos, cumprindo as minhas obrigações e esperei pelo velho quid pro quo. Aquilo que recebi, como é natural, foi um valente murro na cabeça. Acreditava que tinha estabelecido um acordo secreto com a vida para me livrar do pior. Uma ideia perfeitamente burguesa." - Werner Herzog extraído do Blogue Malparado
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Antígona
Antígona desejava dar uma sepultura ao seu irmão Polinice. Este que tinha comandado um ataque a Tebas, morreu a combater contra o seu outro irmão, Etéocles. Creonte, rei de Tebas, decidiu prestar homenagens fúnebres a Etéocles, devido a ter morrido a defender a cidade. Enquanto, ao cadáver de Polinice, ordenou que fosse lançado aos abutres e cães e que nenhum ritual fúnebre lhe fosse prestado. Antígona rebelou-se contra a ordem de Creonte e por suas próprias mãos enterrou e prestou os devidos cultos fúnebres a Polinice.Achava ela que todo o homem tinha direito a ser enterrado, independentemente do seu passado. Muitos em Tebas, pensavam como Antígona, porém ninguém ousou contrariar a decisão do rei. Creonte inquiriu Antígona que afirmou ter sido ela a efetuar aquele ato. Creonte mandou enterrá-la viva. O filho de Creonte, Hêmon, era o noivo de Antígona e ao saber da condenação encerrou-se no túmulo com Antígona. Quando Creonte se dirige para o local da condenação para resgatar o seu filho, Hêmon ameça o seu pai com um punhal, mas em vez de matá-lo, decide-se suicidar. Ao saber da morte de seu filho Hêmon, Euridice, mulher de Creonte, também se mata.
Esta peça escrita 300 AC, continua uma imitação do real. Só assim se entende a sua persistência histórica e qualidade poética (segundo Aristóteles em "Poética", uma peça era uma imitação do real). Eu posso testemunhar que continua acontecer isto entre os homens: Tirania e despotismo gera desgraça a quem a pratica. Tenho pelo menos fé que assim continue.
Confidência
Tenho a alma ferida,
por uma pátria que não entendo,
por uma língua que não conheço,
por um desamor vadio que me espera nas esquinas
e me apunha-la sem dó.
E dito isto resta-me continuar
como quem finalmente compreende
porque é o fado a cantiga da nação.
Queria fazer a guerra, mas não sou capaz.
Queria dar gritos, mas a rouquidão tolhe-me a loucura.
Sim, sei que tenho amigos (graças a Deus!)
Mas eles passam em suas barcaças
e acenam-me e gritam longínquos: “Viva, amigo!”
E depois seguem o curso dos seus rios
tantas vezes de marés avessas aquelas que me levam.
A minha resistência é a poesia.
Mas tão leve ela é
quando irrompem as águas impenitentes da história
da minha e da tua história.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Sempre às sextas-feiras
uma gota de silêncio
caiu dentro de um copo
cheio de dias de azáfama
e logo
outra gota transbordou
cheia de gatos grandes e distantes
bebia em tragos largos
e as pálpebras semicerraram
três milímetros antes de um sono
quase sexo
"Que fresco aquele sabor
intensamente neutro
e aberto!"
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Salmo do homícida
Quem me dá a arma ?
Quem oferece o peito à bala ?
Onde me escondo e de quem ?
"Não matarás", escreveste tu, Senhor, nas tábuas da velha lei.
Mas os outros são o inferno, Senhor.
Não cabem na palma da tua mão,
feita de terra-mel
para os que contigo decidiram viver,
feita de terra-fel
para os que por mim devem morrer.
Quem oferece o peito à bala ?
Onde me escondo e de quem ?
"Não matarás", escreveste tu, Senhor, nas tábuas da velha lei.
Mas os outros são o inferno, Senhor.
Não cabem na palma da tua mão,
feita de terra-mel
para os que contigo decidiram viver,
feita de terra-fel
para os que por mim devem morrer.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
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