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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Salmo do homícida

Quem me dá a arma ?
Quem oferece o peito à bala ?
Onde me escondo e de quem ?

"Não matarás", escreveste tu, Senhor, nas tábuas da velha lei.

Mas os outros são o inferno, Senhor.
Não cabem na palma da tua mão,
feita de terra-mel
para os que contigo decidiram viver,
feita de terra-fel
para os que por mim devem morrer.



segunda-feira, 13 de outubro de 2014

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Amadeo de Souza-Cardoso


"Eu não sigo escola alguma. As escolas morreram. Nós, os novos, só procuramos a originalidade"
Amadeo de Souza-Cardoso

"Retrato de médico" - 1916



terça-feira, 7 de outubro de 2014

Outubro

Qualquer coisa de ouro velho e abstrato invade o ar através do lento vapor desta manhã de outubro. As gotas da chuva miudinha desfazem-se nas folhas dos arbustos mais rasteiros, tornando-as tristes e vivas como seres pensantes, quando se detêm diante de um tom magoado de luz.  Os pássaros prometem-nos que não há pressa. Entre eles, nunca a houve verdadeiramente. A primavera está outra vez demasiado longe do horizonte e as sementes preparam as suas camas de orvalho nas veias do húmus sobrevivente da última estação quente. O poema, omnipresente e impotente, escreve-se no voo curto e débil  das primeiras folhas caídas. Em cima dos lábios, cantilenas sombrias entreabrem  frestas no peito do mais distraído pastor de máquinas.  


terça-feira, 30 de setembro de 2014

à beira do lago

(Durante um almoço na esplanada do "espelho de água" - Parque Eduardo VII)

O sol espraia-se sob o lago municipal. Junto a ele - e por entre dois arbustos de semblante aromático - duas crianças brincam como se o o mundo delas coubesse em meia casca de noz.
Depois uma delas deita-se e deixa que o sol se divirta sobre a sua epiderme. Algo lhe chama atenção na superfície do lago e, tocando no espelho de água, produz uma serpente de ondas que agitam o coração do dia e por ai adiante, até ao limite do caos que apenas entendo com uma imprecisa emoção.

Dou o último gole na bica e regresso ao trabalho.


domingo, 28 de setembro de 2014

Casa do segredo

Enquanto
as palavras amadurecem
no silêncio,
os nossos olhares fixam-se
e, grão a grão, constroem
a casa idílica do segredo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Canção de setembro

Setembro é um mês reflexivo, uma metáfora para a vida, para o ano. É um dos protagonistas do ciclo de estações que faz o favor de renovar-nos as sensações. Setembro é o clímax dos nostálgicos e dos bucólicos que com sabedoria definiram a fronteira entre a decadência romântica e o precipício da tristeza.

Caro amigo ou amiga, aproveita esta suave estação, mas tem cuidado. Não deixes que o pessimismo te atraiçoe.

Se tiveres tempo, houve esta canção que ouvi ontem na peça "September Song" da minha amiga Marcela Costa.



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