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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

E agora ?


Desço ou subo ? Se desço, não chegarei e todo o esforço despendido será um farrapo lançado aos cães. Para subir é preciso mais coragem e eu estou atónito, gelado e pétreo como a montanha que me segura e empurra.

Atiro-me ou rezo ? Atirar-me era fácil. Como era fácil, ó meu Deus. E para rezar é preciso espaço. Não há altar mais sagrado que esta paisagem que se espraia a meus pés, porém a minha fé  é menor que a minha descrença. É tarde demais, para encontrar o divino dentro de mim, por que não Lhe conheço o rosto, nem sei ao certo que rasto devo seguir na floresta mística da minha esperança.

Espero ? Mas por quem ? De que vale gritar, se os meus gritos se misturam entre tantos outros, que todos os apelos do mundo não são mais que uma massa informe que passa indiferente entre este zumbido continuo que é a voz humana escutada por um penedo.

Eu sei que não devia ter tomado este caminho, mas tomei. E agora ?

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

outra condenação paradoxal

Somos inteligentes demais para nos submetermos a Deus, mas demasiado frágeis para vivermos sem Ele.

Ainda ninguém sabe ao certo onde acaba a terra e começa o céu.

Condenação libertária

Dizia Jean-Paul Sartre que "estamos condenados à nossa liberdade", porém, somos quase sempre  fracos demais para assumir tamanha responsabilidade.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Ilhas encantadas (I)


















Quando a terra e o céu se olham no espelho do mar,
refletem grãos de claridade extraviados
 fecundando amiúde
o ventre sedento das sereias.

(Foi Helena, serenamente, que me disse
que estes grãos eram o sémen dos deuses.)


Foto: Helena Encarnação (Madeira/2013)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O jardim dos mortos felizes

Pintura: "Jardim dos mortos felizes"  de Friedrich Hundertwasser


Esta pintura do artista e arquiteto austríaco Friedrich Hundertwasser propõe um cemitério onde sobre cada campa fosse plantada uma árvore e desta forma reciclar os corpos mortos numa segunda vida de orientação mais perene e ecológica.

A poesia e a rutura



Charles Baudelaire

"Em 1857, no dia 25 de Junho, são publicadas As Flores do Mal pelo poeta francês Charles Baudelaire. O livro, obra iniciática do modernismo e simbolismo literário,  foi logo violentamente atacado pelo Le Figaro e recolhido poucos dias depois sob acusação de insulto aos bons costumes. Baudelaire foi condenado a uma multa de 300 francos (reduzida depois para 50) e o editor a uma multa de 100 francos e, mais grave, seis poemas tiveram de ser suprimidos da publicação, condição sem a qual a obra não poderia voltar a circular." - extraído de Wikipédia - "Flores do mal" de Charles Baudelaire
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