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quarta-feira, 2 de julho de 2014

O jardim dos mortos felizes

Pintura: "Jardim dos mortos felizes"  de Friedrich Hundertwasser


Esta pintura do artista e arquiteto austríaco Friedrich Hundertwasser propõe um cemitério onde sobre cada campa fosse plantada uma árvore e desta forma reciclar os corpos mortos numa segunda vida de orientação mais perene e ecológica.

A poesia e a rutura



Charles Baudelaire

"Em 1857, no dia 25 de Junho, são publicadas As Flores do Mal pelo poeta francês Charles Baudelaire. O livro, obra iniciática do modernismo e simbolismo literário,  foi logo violentamente atacado pelo Le Figaro e recolhido poucos dias depois sob acusação de insulto aos bons costumes. Baudelaire foi condenado a uma multa de 300 francos (reduzida depois para 50) e o editor a uma multa de 100 francos e, mais grave, seis poemas tiveram de ser suprimidos da publicação, condição sem a qual a obra não poderia voltar a circular." - extraído de Wikipédia - "Flores do mal" de Charles Baudelaire

terça-feira, 1 de julho de 2014

barcelona



um gato azul
de várias cores
tangendo laboriosamente
as cordas vocais
do mediterrâneo




sexta-feira, 20 de junho de 2014

dois gomos apenas

talvez
em breve
os corpos se voltem
a colar outra vez
como um fruto maduro
que germina dentro de si
a semente aconchegada da paixão.



um jovem septuagenário

Dizem por aí que o Chico Buarque completou 70 anos de vida, mas eu não acredito. Quando escuto as suas músicas fico sempre com a mesma sensação de amor à primeira vista.




quarta-feira, 18 de junho de 2014

azul insensato

Primeiro, o azul encheu-se de tanta razão que se tornou  digital.
E tão digital ficou que perdeu toda razão, tornando-se azul insensato.



sexta-feira, 13 de junho de 2014

O primeiro dia de verão

"Primavera em Catou" - Auguste Renoir


A abelha torpe e desmazelada foge do recanto mais quente em direção às primeiras flores secas do verão. Não há regresso para ela e, mesmo que houvesse, já a sua casa teria ardido entre as labaredas inflamadas pela brisa das asas das intimas borboletas.

Nasceu mais uma estação meridional, mas ninguém reparou. Só mesmo a papoila, por que secou, e um gato atento ao lírico esvoaçar das aves, parecem perceber o novo ângulo solar dos  raios. Mais tarde, virão marés coloridas e olorosas misturar os fluídos brilhantes da novel estação.

E Deus, que anda de calça arregaçada entre o feno, faz-me uma saudação vulgar e contínua, enquanto deixa atrás de si um trilho de estrelas e planetas, onde as formigas combinam a hora certa da próxima alucinação.
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