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sexta-feira, 20 de junho de 2014

dois gomos apenas

talvez
em breve
os corpos se voltem
a colar outra vez
como um fruto maduro
que germina dentro de si
a semente aconchegada da paixão.



um jovem septuagenário

Dizem por aí que o Chico Buarque completou 70 anos de vida, mas eu não acredito. Quando escuto as suas músicas fico sempre com a mesma sensação de amor à primeira vista.




quarta-feira, 18 de junho de 2014

azul insensato

Primeiro, o azul encheu-se de tanta razão que se tornou  digital.
E tão digital ficou que perdeu toda razão, tornando-se azul insensato.



sexta-feira, 13 de junho de 2014

O primeiro dia de verão

"Primavera em Catou" - Auguste Renoir


A abelha torpe e desmazelada foge do recanto mais quente em direção às primeiras flores secas do verão. Não há regresso para ela e, mesmo que houvesse, já a sua casa teria ardido entre as labaredas inflamadas pela brisa das asas das intimas borboletas.

Nasceu mais uma estação meridional, mas ninguém reparou. Só mesmo a papoila, por que secou, e um gato atento ao lírico esvoaçar das aves, parecem perceber o novo ângulo solar dos  raios. Mais tarde, virão marés coloridas e olorosas misturar os fluídos brilhantes da novel estação.

E Deus, que anda de calça arregaçada entre o feno, faz-me uma saudação vulgar e contínua, enquanto deixa atrás de si um trilho de estrelas e planetas, onde as formigas combinam a hora certa da próxima alucinação.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A suave resistência



A poesia é resistência.

A poesia é a resistência de uma erva daninha 
diante das comportas abertas de uma barragem sôfrega.

"GUADIANA 86-14" - FOTOGRAFIA DUARTE BELO

"Quando se percorrem a pé, demoradamente, as margens do Guadiana, fica gravada no nosso ser, indelevelmente, a experiência primordial da integração num mundo que nos transporta a um tempo imemorial..."
Entre 1986 e 2014, Duarte Belo, fotógrafo, percorre as margens do Rio Guadiana, colecionando imagens do que era e do que é o maior rio do sul do país. Esta é uma exposição com fotografias do arquivo do autor, a preto&branco e a cores, numa organização dinâmica que sugere uma viagem pelas margens do Guadiana...
"As fotografias querem fixar uma memória, são documentos sobre um tempo passado, um rio sobre o seu leito. Ao mesmo tempo procura-se a linguagem própria da singularidade dos elementos, ou descodificar a sua essência, o olhar humano que sobre eles pousa. A construção de suportes de exposição, mesmo do desenho do conjunto planificado das imagens, quer definir uma arquitetura de comunicação. Uma escrita que, recusando, por impossível, a replicação de uma realidade concreta, quer construir uma arquitetura nova onde se pode viver a invenção de um tempo paralelo."
DB
Entre  10 de maio e 23 de novembro de 2014
No Museu da Luz - Aldeia da Luz (Mourão)
http://www.museudaluz.org.pt/

Pulo do Lobo - Rio Guadiana - Mértola

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