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quarta-feira, 21 de maio de 2014

terra.corpo

Descobri esta expressão enquanto navegava na internet: "terra.corpo" e achei-a muito feliz. Tem atualidade e complementaridade. Numa época de especialização, desenjoa pensar que um corpo faz parte de algo imenso como a Terra. E como qualquer eletrodoméstico, também os corpos humanos deviam ter uma ligação à terra, para não "queimar os fusíveis" da fraternidade para com o mundo.





sexta-feira, 9 de maio de 2014

Humanity, a simple face

He phoned me. And, told that  just wanted chat with me. Nothing more. This is what I call  humanity. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Camaradagem unipessoal

«Em luta!O Capitão não tem barbas
(Isso era literatura): tem medo
Medo da vaga verde, e d'águas bravas;
Disso fez a coragem e o segredo.
Aqui ninguém sente nem chora, é boa!
Aqui - um por todos e todos por um,
Embora, na verdade, não haja mais do que um.»

Vitorino Nemésio (Séc.XX)

Camaradagem

O senhor X, entrando no seu gabinete, apresenta-me o seu colega:
 "Este é que é o gajo que eu tenho de aturar. Ainda por cima é do meu curso." - indicando-me um tipo com óculos debruçado sobre o monitor do computador.
Este responde de pronto: "Tenho uma má notícia para ti, ó lagarto. O Jardim vai para o Mónaco".
O senhor X mostra um ar de frustração tímido e vai à sua vida.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Sem tempo

Quase sempre
o tempo  cuspe-nos
à praia do tédio.

E mesmo
que à maré nos lancemos,
logo ele nos agarra
para  jusante.

Não há 
como ganhar-te à vida, ó tempo, 
não há.





sexta-feira, 2 de maio de 2014

Recensão poética de "Tojo" de Miguel-Manso

Deixas que arda
debaixo da pulsação dos astros,
as camadas geológicas da tua pele.

Junto do desfiladeiro,
tomas, como teu, o transe de um xamã
que recita de um  mapa longínquo,
itinerários caminhados para os outros.

Retalhos são retalhos.
O teu poema apenas os semeia,
desperta e tolhe com a foice de uma noiva,
enquanto a primeira luminescência
se advinha
três polegadas antes da origem da luz.

Sim,
os teus poemas são retalhos
presos por fios de letras & giz.

O poeta Miguel-Manso

"Tojo" de Miguel-Manso - Ed. Relógio D'Água

quarta-feira, 30 de abril de 2014

"Ó Salvaterra" do Tenente Dias Catana

Margens do Rio Erges (primeiro afluente do rio Tejo em Portugal)
foto de Luís Palma Gomes





















Ó minha terra adorada,
Meu conforto e minha festa,
Quero-te sempre lembrada
Na minha Musa modesta.

Porque foi em ti, que um dia,
    - Minha doce feiticeira!
Esta luz que me alumia
Eu vi pela vez primeira.

Vejo às vezes, a sonhar,
Os teus vales e os teus montes,
Onde ouço as aves cantar
Ao desafio com as fontes...

Deixo a música dos ninhos
Que escutei horas a fio,
E, tomando outros caminhos
Vou tomar banho ao teu Rio.

Regresso pela Deveza,
Subo à Forca, sem parar,
Donde admiro a Natureza
Embevecido, a sonhar!...

Prostrado pela canseira,
Estendo-me sobre os fenos
Debaixo duma azinheira,
E respiro a pulmões plenos!

Na paz que então me rodeia
Ouço cânticos estranhos
De envolta co’a melopeia
Dos chocalhos dos rebanhos.

Até o cuco indolente
Quer mostrar que tem garganta,
E eu conto, maquinalmente,
As vezes que o cuco canta.

Como é bom, sonhando, ver
Os lugares da mocidade!
Só é pena não poder
Voltar-se, atrás, na idade!

Ó Salvaterra da Beira,
- Meu doce e suave enleio! –
Na minh’hora derradeira,
Dá-me guarida em teu seio!

"Natural da raiana Salvaterra do Extremo, o Tenente Dias Catana é nome conhecido em todo o distrito de Castelo Branco. Conhecido e apreciado. Não precisa de apresentação, além da que já dele fez o ilustre  beirão e académico, dr. Jaime Lopes Dias, no prefácio que escreveu: “sonhador, idealista, possuído de excessiva modéstia, que anda de braço dado com a sinceridade, autodidacta, folclorista, músico, compositor e executante”." extraído do blog salvaterraeeu.blogspot.pt
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