segunda-feira, 5 de maio de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Recensão poética de "Tojo" de Miguel-Manso
Deixas que arda
debaixo da pulsação dos astros,
as camadas geológicas da tua pele.
Junto do desfiladeiro,
tomas, como teu, o transe de um xamã
que recita de um mapa longínquo,
itinerários caminhados para os outros.
Retalhos são retalhos.
O teu poema apenas os semeia,
desperta e tolhe com a foice de uma noiva,
enquanto a primeira luminescência
se advinha
três polegadas antes da origem da luz.
Sim,
os teus poemas são retalhos
presos por fios de letras & giz.
debaixo da pulsação dos astros,
as camadas geológicas da tua pele.
Junto do desfiladeiro,
tomas, como teu, o transe de um xamã
que recita de um mapa longínquo,
itinerários caminhados para os outros.
Retalhos são retalhos.
O teu poema apenas os semeia,
desperta e tolhe com a foice de uma noiva,
enquanto a primeira luminescência
se advinha
três polegadas antes da origem da luz.
Sim,
os teus poemas são retalhos
presos por fios de letras & giz.
![]() |
| O poeta Miguel-Manso |
![]() |
| "Tojo" de Miguel-Manso - Ed. Relógio D'Água |
quarta-feira, 30 de abril de 2014
"Ó Salvaterra" do Tenente Dias Catana
| Margens do Rio Erges (primeiro afluente do rio Tejo em Portugal) foto de Luís Palma Gomes |
Ó minha terra adorada,
Meu conforto e minha festa,
Quero-te sempre lembrada
Na minha Musa modesta.
Porque foi em ti, que um dia,
- Minha doce feiticeira!
Esta luz que me alumia
Eu vi pela vez primeira.
Vejo às vezes, a sonhar,
Os teus vales e os teus montes,
Onde ouço as aves cantar
Ao desafio com as fontes...
Deixo a música dos ninhos
Que escutei horas a fio,
E, tomando outros caminhos
Vou tomar banho ao teu Rio.
Regresso pela Deveza,
Subo à Forca, sem parar,
Donde admiro a Natureza
Embevecido, a sonhar!...
Prostrado pela canseira,
Estendo-me sobre os fenos
Debaixo duma azinheira,
E respiro a pulmões plenos!
Na paz que então me rodeia
Ouço cânticos estranhos
De envolta co’a melopeia
Dos chocalhos dos rebanhos.
Até o cuco indolente
Quer mostrar que tem garganta,
E eu conto, maquinalmente,
As vezes que o cuco canta.
Como é bom, sonhando, ver
Os lugares da mocidade!
Só é pena não poder
Voltar-se, atrás, na idade!
Ó Salvaterra da Beira,
- Meu doce e suave enleio! –
Na minh’hora derradeira,
Dá-me guarida em teu seio!
"Natural da raiana Salvaterra do Extremo, o Tenente Dias Catana é nome conhecido em todo o distrito de Castelo Branco. Conhecido e apreciado. Não precisa de apresentação, além da que já dele fez o ilustre beirão e académico, dr. Jaime Lopes Dias, no prefácio que escreveu: “sonhador, idealista, possuído de excessiva modéstia, que anda de braço dado com a sinceridade, autodidacta, folclorista, músico, compositor e executante”." extraído do blog salvaterraeeu.blogspot.pt
sábado, 26 de abril de 2014
À conversa com filósofo na aldeia
Ao meu amigo Domingos "Sol", um guerreiro-filósofo
Nada ou tudo flui ?
A eternidade ou um segundo ?
O sagrado ou o profano ?
A intuição ou a verdade ?
Tu insistes que não há verdade.
As coisas fazem ou não sentido, dizes.
Mas a partir de quando e até onde ? Pergunto eu.
Um dogma não se prova, continua-se.
É esta a natureza dos inícios, dos axiomas.
O caminho lógico é apenas uma das tentações do labirinto.
E se esse caminho não tiver saída, insistimos ?
Abril de 2014, Salvaterra do Extremo
Nada ou tudo flui ?
A eternidade ou um segundo ?
O sagrado ou o profano ?
A intuição ou a verdade ?
Tu insistes que não há verdade.
As coisas fazem ou não sentido, dizes.
Mas a partir de quando e até onde ? Pergunto eu.
Um dogma não se prova, continua-se.
É esta a natureza dos inícios, dos axiomas.
O caminho lógico é apenas uma das tentações do labirinto.
E se esse caminho não tiver saída, insistimos ?
Abril de 2014, Salvaterra do Extremo
A giesta
3,7 segundos antes da expulsão de Eva,
estoira, entre pássaros de minério,
uma mão de lava
que agarra e ergue
uma giesta em flor.
Já na era cenozóica ,
o poeta olha aquela combustão floral,
qual sarça (ainda) ardente,
e regista-a no seu livrinho de mão.
Abril de 2014 em Salvaterra-do-Extremo (Beira-Baixa)
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Um problema ontológico
ao Miguel-Manso
O poema é a parte do silêncio
que não coube na caixa negra do esquecimento,
transbordou por entre as frestas dos dedos
e ouviu-se cair no vazio
que se instala entre os pingos da chuva.
O poema é o que ficou do retrato
depois de recortado o rosto.
O poema é o big bang do instante,
expandindo-se pelo infinito do balde
que uma criança loura levou para a praia.
O poema é só isto.
O poema é a parte do silêncio
que não coube na caixa negra do esquecimento,
transbordou por entre as frestas dos dedos
e ouviu-se cair no vazio
que se instala entre os pingos da chuva.
O poema é o que ficou do retrato
depois de recortado o rosto.
O poema é o big bang do instante,
expandindo-se pelo infinito do balde
que uma criança loura levou para a praia.
O poema é só isto.
terça-feira, 8 de abril de 2014
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