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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Às quatro da madrugada

Agora sei e sinto como toda a casa expira e inspira: O frigorífico, as paredes e até o gato que me vigia incrustado às macias almofadas do sofá,  como se de um fantasma consentido se tratasse. Ouço o bater do velho relógio e cada segundo marca o preço da eternidade que homem nenhum pode pagar.
Lá fora a noite esvai-se por um ralo ainda acordado, escoando-se num vórtice  a caminho de um oriente qualquer. E, em segredo, escrevo todo este rumor silabado pela insónia.



quinta-feira, 3 de abril de 2014

Gacela del amor imprevisto
















Nadie comprendía el perfume
de la oscura magnolia de tu vientre.
Nadie sabía que martirizabas
un colibrí de amor entre los dientes.

Mil caballitos persas se dormían
en la plaza con luna de tu frente,
mientras que yo enlazaba cuatro noches
tu cintura, enemiga de la nieve.

Entre yeso y jazmines, tu mirada
era un pálido ramo de simientes.
Yo busqué, para darte, por mi pecho
las letras de marfil que dicen siempre,

siempre, siempre: jardín de mi agonía,
tu cuerpo fugitivo para siempre,
la sangre de tus venas en mi boca,
tu boca ya sin luz para mi muerte.

de Federico Garcia Lorca do livro 'Diván del Tamarit'


Tradução

Ninguém entendia o perfume 
da obscura magnólia do teu útero. 
Ninguém sabia que  martirizavas 
um beija-flor de amor entre teus dentes. 

Mil  cavalinhos persas adormeceram 
na praça com a lua da tua fronte, 
Durante quatro noites eu abracei 
a tua cintura, inimiga da neve. 

Entre gesso e jasmins, o teu olhar 
era um ramo pálido de sementes. 
tentei dar-te, pelo meu peito 
as letras de marfim que dizem sempre, 

sempre, sempre: jardim da minha agonia, 
teu corpo fugitivo para sempre, 
o sangue das tuas veias em minha boca, 
tua boca já sem luz para a minha morte

De Luís Palma Gomes

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A vitória da primavera



O verde acabou agora mesmo de conquistar a angústia seca dos últimos galhos resistentes. Mais uma vez, a primavera deu a volta ao mundo e regressou vitoriosa às árvores da minha rua.

terça-feira, 1 de abril de 2014

domingo, 23 de março de 2014

Descansa em paz, homem-punk

Apesar de nunca ter te conhecido, João Ribas,  ouvi falar muito de ti. Acho que fumaste e bebeste a tua parte e depois partiste.  Obrigado por nos teres despenteado as cabeleiras que crescem no sentido inverso, ou seja, as que crescem desgrenhadas dentro do pensamento.  Ficará sempre dentro do meu ouvido, uma guitarra a arranhar e uma voz genuína cantando:' Nós seremos censurados nesta vida até morrer'. Neste pais tão manso, a tua teimosia ainda que juvenil era uma referência.  Até sempre, homem-punk.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Ao "Dia Mundial da Poesia"

naquele tempo 
dizia-se poesia
ou ausência de paredes

|Luís Palma Gomes - 1994|

"Rituais da Terra" - Teatro inclusivo ou simplesmente bom teatro ?

Eu fiquei sem palavras e eles, os atores, encheram-se delas. Depois deu-se uma comunhão de linguagens e acabei a aplaudir agitando as mãos em linguagem gestual. Tudo isto aconteceu no "Ritual da Terra", o espetáculo que estreou ontem. Este original evento cultural resultou da parceria entre o Associação Cultural de Surdos da Amadora e o Teatro Passagem de Nível. 

Atores surdos e não-surdos a partir de vários textos e musicas, entre os criadores estão  o poeta e dramaturgo  Domingos Galamba e o músico João Garcia Barreto, interpretam doze quadros onde são descritas as atividades agrícolas e sagradas de uma sociedade rural - tão frequente há 40 ou 50 anos atrás. Se estiver perto da Amadora não perca, dia 21, 22, 23 e 27 de março, pelas 21h30 no Auditório de Alfornelos. Encenação de Porfírio Lopes






Guarda-roupa: Matilde Matos | Apoio Musical: João Garcia Barreto |
Luminotécnica: Rui Ferreira e Luis Mendes | Sonoplastia: André Tenente | Fotografia: Carladeabreu Ferreira | Criação Gráfica: Jorge Couto | Facilitadora da comunicação e intérprete: Sofia Rocha | Dramaturgia:Domingos Galamba e Porfirio Lopes
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