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sexta-feira, 21 de março de 2014

"Rituais da Terra" - Teatro inclusivo ou simplesmente bom teatro ?

Eu fiquei sem palavras e eles, os atores, encheram-se delas. Depois deu-se uma comunhão de linguagens e acabei a aplaudir agitando as mãos em linguagem gestual. Tudo isto aconteceu no "Ritual da Terra", o espetáculo que estreou ontem. Este original evento cultural resultou da parceria entre o Associação Cultural de Surdos da Amadora e o Teatro Passagem de Nível. 

Atores surdos e não-surdos a partir de vários textos e musicas, entre os criadores estão  o poeta e dramaturgo  Domingos Galamba e o músico João Garcia Barreto, interpretam doze quadros onde são descritas as atividades agrícolas e sagradas de uma sociedade rural - tão frequente há 40 ou 50 anos atrás. Se estiver perto da Amadora não perca, dia 21, 22, 23 e 27 de março, pelas 21h30 no Auditório de Alfornelos. Encenação de Porfírio Lopes






Guarda-roupa: Matilde Matos | Apoio Musical: João Garcia Barreto |
Luminotécnica: Rui Ferreira e Luis Mendes | Sonoplastia: André Tenente | Fotografia: Carladeabreu Ferreira | Criação Gráfica: Jorge Couto | Facilitadora da comunicação e intérprete: Sofia Rocha | Dramaturgia:Domingos Galamba e Porfirio Lopes

quarta-feira, 19 de março de 2014

segunda-feira, 17 de março de 2014

Moira encantada












O ator e colega do Teatro Passagem de Nível, António Augusto Borges, brindou-nos hoje com um bonito poema sobre a nova produção de "A moura". Passo a transcrevê-lo:


"Moira Encantada
Tez morena
Gestos delicados
Quase bailados"

Vida atribulada
Em meio da intriga
Divida bondade
Foi superior,

A simplicidade
No comportamento
Com a empatia
P'ra ricos e pobres,
criava paixão
despertava amor.

Tornaram-na Santa
Quanto partiu
Deixou a saudade
No povo e nobres.

As noites de lua
Em quarto crescente
Trazem à lembrança
A princesa Santa


"Moira Encantada
Tez morena
Gestos delicados
Quase bailados"




António Augusto Borges


sexta-feira, 14 de março de 2014

O passarinho (III)

Hoje, talvez por ser sexta-feira, o passarinho apenas piou e disse: "O medo há-de levar-nos à condição de ratos.".

Veio-me à imaginação um rato roendo, numa cave insalubre, um restinho de fast-food. E quando olhei de novo para o passarinho, já ele tinha alevantado voo. Tomara eu.

Sentimentos




Junto
às mágoas
dorme o sonho

Amanhã
pela manhã
virão
os olhos acordar-me

O resto
invento.



de Domingos Galamba


quinta-feira, 13 de março de 2014

O passarinho (II)

Hoje voltei a ouvir o passarinho amarelo. Está mesmo desesperado. Imaginem o que chilreava do cimo de uma árvore sobre a Praça do Marquês Pombal: "Que cidade admite ser dominada por uma estátua de um marquês com um leão à ilharga ?  Precisamos sempre de um capataz para dar ordens ao som do chicote, não é? Cambada de cobardes! Não há um homem com tomates que rebente à bomba a merda desta estátua ? E no seu lugar plantar um sobreiro,  onde eu e os outros pássaros possamos lá fazer os nossos ninhos."

Pobre pássaro. Quem o ouve, senão eu ?


quarta-feira, 12 de março de 2014

O passarinho

Hoje, quando me deslocava para o trabalho, um passarinho amarelado, gritava em cima do tronco mais alto de uma oliveira, "Recuso-me a morrer antes da morte! Filhos da puta de esclavagistas do caralho!"

Achei o episódio tão pitoresco que decidi partilhá-lo convosco.

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