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sexta-feira, 14 de março de 2014

O passarinho (III)

Hoje, talvez por ser sexta-feira, o passarinho apenas piou e disse: "O medo há-de levar-nos à condição de ratos.".

Veio-me à imaginação um rato roendo, numa cave insalubre, um restinho de fast-food. E quando olhei de novo para o passarinho, já ele tinha alevantado voo. Tomara eu.

Sentimentos




Junto
às mágoas
dorme o sonho

Amanhã
pela manhã
virão
os olhos acordar-me

O resto
invento.



de Domingos Galamba


quinta-feira, 13 de março de 2014

O passarinho (II)

Hoje voltei a ouvir o passarinho amarelo. Está mesmo desesperado. Imaginem o que chilreava do cimo de uma árvore sobre a Praça do Marquês Pombal: "Que cidade admite ser dominada por uma estátua de um marquês com um leão à ilharga ?  Precisamos sempre de um capataz para dar ordens ao som do chicote, não é? Cambada de cobardes! Não há um homem com tomates que rebente à bomba a merda desta estátua ? E no seu lugar plantar um sobreiro,  onde eu e os outros pássaros possamos lá fazer os nossos ninhos."

Pobre pássaro. Quem o ouve, senão eu ?


quarta-feira, 12 de março de 2014

O passarinho

Hoje, quando me deslocava para o trabalho, um passarinho amarelado, gritava em cima do tronco mais alto de uma oliveira, "Recuso-me a morrer antes da morte! Filhos da puta de esclavagistas do caralho!"

Achei o episódio tão pitoresco que decidi partilhá-lo convosco.

Torso arcaico de Apollo

Torso arcaico de Apollo
Não sabemos como era a cabeça, que falta,
De pupilas amadurecidas, porém
O torso arde ainda como um candelabro e tem,
Só que meio apagada, a luz do olhar, que salta
E brilha. Se não fosse assim, a curva rara
Do peito não deslumbraria, nem achar
Caminho poderia um sorriso e baixar
Da anca suave ao centro onde o sexo se alteara.
Não fosse assim, seria essa estátua uma mera
Pedra, um desfigurado mármore, e nem já
Resplandecera mais como pele de fera.
Seus limites não transporia desmedida
Como uma estrela; pois ali ponto não há
Que não te mire. Força é mudares de vida.

Poema de de Rainer Maria Rilke
Tradução de Manuel Bandeira

Extraído do post do blogue(recomendo a leitura): https://gavetadoivo.wordpress.com/tag/torso-arcaico-de-apolo/


terça-feira, 11 de março de 2014

Educação

Não considero a frase abaixo replicada uma verdade absoluta, mas um vetor, uma força, um trilho que não pode ser esquecido quando falamos de educação:

"Para aprender, precisamos de nos concentrar em algo real e verdadeiro. Não precisamos de tarefas atribuídas por outras pessoas, mas de algo que queremos criar, algo que queremos entender. Não precisamos de exercícios vazios, mas de projetos significativos e escolhidos por nós mesmos."

Lori McWilliam Pickert


Contradição

“Não é poeta quem quer(…)” começa assim um poema de que gosto muito,  do meu amigo Júlio Mendes.
 E quem não quer ou não pode ser, o que faz ? Acho que faz poemas. É isso. Um poeta é alguém que não quer ou que não pode ser poeta. Que triste definição.
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