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quinta-feira, 13 de março de 2014

O passarinho (II)

Hoje voltei a ouvir o passarinho amarelo. Está mesmo desesperado. Imaginem o que chilreava do cimo de uma árvore sobre a Praça do Marquês Pombal: "Que cidade admite ser dominada por uma estátua de um marquês com um leão à ilharga ?  Precisamos sempre de um capataz para dar ordens ao som do chicote, não é? Cambada de cobardes! Não há um homem com tomates que rebente à bomba a merda desta estátua ? E no seu lugar plantar um sobreiro,  onde eu e os outros pássaros possamos lá fazer os nossos ninhos."

Pobre pássaro. Quem o ouve, senão eu ?


quarta-feira, 12 de março de 2014

O passarinho

Hoje, quando me deslocava para o trabalho, um passarinho amarelado, gritava em cima do tronco mais alto de uma oliveira, "Recuso-me a morrer antes da morte! Filhos da puta de esclavagistas do caralho!"

Achei o episódio tão pitoresco que decidi partilhá-lo convosco.

Torso arcaico de Apollo

Torso arcaico de Apollo
Não sabemos como era a cabeça, que falta,
De pupilas amadurecidas, porém
O torso arde ainda como um candelabro e tem,
Só que meio apagada, a luz do olhar, que salta
E brilha. Se não fosse assim, a curva rara
Do peito não deslumbraria, nem achar
Caminho poderia um sorriso e baixar
Da anca suave ao centro onde o sexo se alteara.
Não fosse assim, seria essa estátua uma mera
Pedra, um desfigurado mármore, e nem já
Resplandecera mais como pele de fera.
Seus limites não transporia desmedida
Como uma estrela; pois ali ponto não há
Que não te mire. Força é mudares de vida.

Poema de de Rainer Maria Rilke
Tradução de Manuel Bandeira

Extraído do post do blogue(recomendo a leitura): https://gavetadoivo.wordpress.com/tag/torso-arcaico-de-apolo/


terça-feira, 11 de março de 2014

Educação

Não considero a frase abaixo replicada uma verdade absoluta, mas um vetor, uma força, um trilho que não pode ser esquecido quando falamos de educação:

"Para aprender, precisamos de nos concentrar em algo real e verdadeiro. Não precisamos de tarefas atribuídas por outras pessoas, mas de algo que queremos criar, algo que queremos entender. Não precisamos de exercícios vazios, mas de projetos significativos e escolhidos por nós mesmos."

Lori McWilliam Pickert


Contradição

“Não é poeta quem quer(…)” começa assim um poema de que gosto muito,  do meu amigo Júlio Mendes.
 E quem não quer ou não pode ser, o que faz ? Acho que faz poemas. É isso. Um poeta é alguém que não quer ou que não pode ser poeta. Que triste definição.

sábado, 8 de março de 2014

"À Beleza" de Fernando Olim

Fernando Olim é um escritor, professor e, diria eu, filósofo que descobri há pouco tempo, mas que se  tornou já uma voz que teimo em seguir. Gosto de o ler e ainda de acompanhar o seu percurso ético, o seu pensamento refrescante.

Deixo-vos aqui um poema  emblemático da sua vivência. Fernando vive primeiro e escreve depois - o que lhe dá uma sinceridade muito grande.

Tenho a sensação que ainda irão ouvir falar dele com mais regularidade.

À Beleza 

Ó Beleza! Para onde o olhar se espraia aí te encontras!
Acima de mim aí estás!
Sob os pés, humildemente aí estás!
Ao meu lado aí estás!
Para onde quer que me volte aí te achas.
Como posso fugir, como posso escapar à tua presença?
Mesmo na fealdade te insinuas sub-reptícia e veladamente.
Querem-te destruir, querem-te desfigurar, querem-te comprar e vender, 
Mas aí estás gratuita e livre para os que verdadeiramente escutam, olham e sentem.


de Fernando Olim 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Simplicidade

Nada mais simples.
Nada mais.
Nada.
...
Fui almoçar. Volto já.
...
Nada.
Nada de novo.
Nada de novo outra vez.
...
E fui-me embora de vez.
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