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sábado, 8 de março de 2014

"À Beleza" de Fernando Olim

Fernando Olim é um escritor, professor e, diria eu, filósofo que descobri há pouco tempo, mas que se  tornou já uma voz que teimo em seguir. Gosto de o ler e ainda de acompanhar o seu percurso ético, o seu pensamento refrescante.

Deixo-vos aqui um poema  emblemático da sua vivência. Fernando vive primeiro e escreve depois - o que lhe dá uma sinceridade muito grande.

Tenho a sensação que ainda irão ouvir falar dele com mais regularidade.

À Beleza 

Ó Beleza! Para onde o olhar se espraia aí te encontras!
Acima de mim aí estás!
Sob os pés, humildemente aí estás!
Ao meu lado aí estás!
Para onde quer que me volte aí te achas.
Como posso fugir, como posso escapar à tua presença?
Mesmo na fealdade te insinuas sub-reptícia e veladamente.
Querem-te destruir, querem-te desfigurar, querem-te comprar e vender, 
Mas aí estás gratuita e livre para os que verdadeiramente escutam, olham e sentem.


de Fernando Olim 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Simplicidade

Nada mais simples.
Nada mais.
Nada.
...
Fui almoçar. Volto já.
...
Nada.
Nada de novo.
Nada de novo outra vez.
...
E fui-me embora de vez.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Renascer em Salvaterra do Extremo

Bateram à porta.

"Quem é?", perguntei eu.

"A primavera.", responderam. 

Fui abrir a porta na Beira Baixa. 


Árvore de fruto,  junto à estrada de acesso à Estrada Nacional


Quinta das Flores


Quinta das Flores


Quinta das Flores


Quinta das Flores

quarta-feira, 5 de março de 2014

Luna e o cavaleiro

O cavaleiro leva escondido no peito
uma mulher e um desafio.

Chama-se Luna.  É a cigana
mais bela que a aldeia já viu.

Por amar o cavaleiro
as lágrimas de Luna sangram o rio.

Pouco importa ao cavaleiro
que tristezas de amor nunca sentiu.

Sua lança espeta um toiro quente
que cai entre as ervas morto de frio.

Às cinco da tarde foge com Luna
e a desflora sem força nem  cio.

Debaixo de um sobreiro
que o vento penteia  com o seu assobio.

O chefe cigano e o seu bando
procuram os dois de fio a pavio.

Chamam, imploram, ameaçam
mas Luna, a cigana,  ninguém mais a viu.

Dizem que moram serenos
na outra margem, na casa de um tio.

E  ninguém mais os alcança
porque os junquilhos de Luna encheram o rio.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Poema #2

A tua presença
é a parte do silêncio que pode ser dito,
é a leve interrupção da ausência,
o bater de asas de um colibri
ou a ínfima poeira celestial
pousada rente à película do olho.



A mais leve inquietação

A inquietude das formas
lembrando-nos que o rio que passa
é um peixe que quer ser ave,
é uma ave que quer ser vento,
é o vento que quer ser a vela do moinho
rodando em círculos e mais círculos
como se fosse um ritual de pão.

E de súbito,
tudo se sustém,
tudo aguarda, quieto,
a fotografia de um anjo
que passa apenas passando
e ao passar nos deixa
a sensação estranha de não haver nomes,
nem tempo, nem sequer o sol
(esse supremo grão de areia,
seguro entre os dedos de outras estrelas)
mas apenas um resto de brisa
saído de um desfolhar  de pétalas.
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