quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
domingo, 23 de fevereiro de 2014
A mais leve inquietação
A inquietude das formas
lembrando-nos que o rio que passa
é um peixe que quer ser ave,
é uma ave que quer ser vento,
é o vento que quer ser a vela do moinho
rodando em círculos e mais círculos
como se fosse um ritual de pão.
lembrando-nos que o rio que passa
é um peixe que quer ser ave,
é uma ave que quer ser vento,
é o vento que quer ser a vela do moinho
rodando em círculos e mais círculos
como se fosse um ritual de pão.
E de súbito,
tudo se sustém,
tudo aguarda, quieto,
a fotografia de um anjo
que passa apenas passando
e ao passar nos deixa
a sensação estranha de não haver nomes,
nem tempo, nem sequer o sol
(esse supremo grão de areia,
seguro entre os dedos de outras estrelas)
mas apenas um resto de brisa
saído de um desfolhar de pétalas.
tudo se sustém,
tudo aguarda, quieto,
a fotografia de um anjo
que passa apenas passando
e ao passar nos deixa
a sensação estranha de não haver nomes,
nem tempo, nem sequer o sol
(esse supremo grão de areia,
seguro entre os dedos de outras estrelas)
mas apenas um resto de brisa
saído de um desfolhar de pétalas.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
"Encontros imaginários" na Amadora
Os primeiros "Encontros Imaginários na Amadora" decorrerem ontem (17 de fevereiro) na Biblioteca Fernando Piteira Santos. Este evento cultural resulta de uma parceria entre aAssociação Amadora Ppf e o Teatro Passagem de Nível. A sala estava cheia e entre ospresentes estavam o autor, Hélder Costa, e o desenhador amadorense José Ruy.
Neste encontro, estiveram sentados sobre a coordenação de Jacinto Furtado, o cauteloso Professor Salazar, o corajoso Humberto Delgado e a infeliz Soror Mariana. E foi uma conversa muito elucidativa e com momentos hilariantes.
Atores: António Oliveira Salazar ( Porfíriio Lopes), Soror Mariana Alcoforado (Matilde Cañamero), Humberto Delgado (João Moreira) e o entrevistador(Jacinto Furtado)
Próximo encontro, decorrerá no mesmo espaço, no próximo dia 17 de Março com Jesus Cristo, Goebbels e Mao-Tse-Tung.
Marque já na sua agenda!
Neste encontro, estiveram sentados sobre a coordenação de Jacinto Furtado, o cauteloso Professor Salazar, o corajoso Humberto Delgado e a infeliz Soror Mariana. E foi uma conversa muito elucidativa e com momentos hilariantes.
Atores: António Oliveira Salazar ( Porfíriio Lopes), Soror Mariana Alcoforado (Matilde Cañamero), Humberto Delgado (João Moreira) e o entrevistador(Jacinto Furtado)
Próximo encontro, decorrerá no mesmo espaço, no próximo dia 17 de Março com Jesus Cristo, Goebbels e Mao-Tse-Tung.
Marque já na sua agenda!
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Realidade Touchscreen
O carro parou no semáforo. A paisagem lá fora era a habitual. A criança dentro do automóvel varreu, com o dedo indicador, o vidro lateral do veículo para que este avançasse. Era assim que mudava as imagens no tablet do pai. Era daquela forma que o presente se tornava passado. Por coincidência, ou talvez não, o sinal ficou verde e o automóvel avançou para o nivel seguinte daquele jogo mais monótono do que aqueles que ele jogava no tablet do pai.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
O amor é um filho da puta
Há linhas que se quebram, triângulos de vários ângulos que se criam, vértices que não se tocam, linhas paralelas ou então concorrentes,
mas que apenas se cruzam tarde de mais. Esta é a geometria do amor. Os corpos não
se fundem, os olhos não se tornam unos e os corpos tocam-se por instantes demasiado
curtos quando vistos de longe, da eternidade. O amor tem ainda um lado animal, instintivo e cínico que apela apenas à sobrevivência dos espécimes.
É fácil falar de amor quando não estamos
apaixonados, quando não fomos abandonados no caminho. Caso contrário, também falamos,
escrevemos, cantamos, mas ficamos a sós com as nossas palavras e os nossos vazios
temporiamente por preencher. Nestes espaços, ecoam vozes e raivas e silêncios onde soam...sei lá...violencelos ou campainhas incómodas . Mas tu vais levantar-te, camarada. Levantamos-nos sempre e caminhamos
discretamente diante do olho semiaberto da fera que descansa e nos vigia.
Falar de amor é uma seca, um aborrecido lugar
comum. O amor é um filme que já conhecemos o fim ou um jogo de futebol em
diferido do qual já sabemos que o nosso clube perdeu. O amor conquista tudo, todos espaços e segundos. Quando ele parte com o seu espólio de ouro e prata, pouco nos resta. Ficamos entregues a uma nova e estranha solidão. E é preciso (re)amar-nos de novo para suportarmos essa senhora tão intima e imprevista como uma sombra.
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