FAZ-TE MEMBRO DESTE BLOG E RECEBE NOTIFICAÇÕES DOS NOVOS POSTS

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

João Lagarto trouxe o Beckett ao Auditório de Alfornelos



Este fim-de-semana tive o privilégio de assistir ao espetáculo “Começar a acabar” de Samuel  Beckett numa leitura/compilação de vários extratos de peças do dramaturgo irlandês. A autoria do espetáculo é de João Lagarto que com este espetáculo alcançou um globo de ouro para a melhor interpretação em 2006. O homem de teatro – prefiro chamar-lhe assim – João lagarto efetuou ainda, no dia seguinte,  uma palestra dedicada ao making-off do espetáculo, com enquadramento biográfico e artístico, aberto a todos.

A minha avaliação não podia ser a melhor. O monólogo com o qual foram presenteados os espetadores que se deslocaram ao Auditório de Alfornelos – a casa do Teatro Passagem de Nível – foi de uma qualidade extrema, ora ao nível da interpretação, ora ao nível da coletânea de textos apresentados. O ator pouco se movimenta, cumprindo o minimalismo Beckettiano, mas quando faz cria espaços dramatúrgicos e significados fortes. O estudo e investigação que João Lagarto efetuou para a construção deste espetáculo é a prova que o trabalho compensa.  A sua interpretação é muito boa – diria quiçá o papel da sua vida ou do fim de vida para qualquer mortal.

A peça versa os últimos dia de vida de um mendigo típico das ruas Dublin, que durante hora e meia efetua o seu “relatório e  contas” com a vida. A personagem precisa finalmente de alguém para comunicar e fá-lo com o público de uma forma forte e convincente. Mais tarde, na sua palestra de domingo, João Lagarto explica-nos esta abordagem pós-modernista onde o público faz como nunca parte da obra. Ou seja a sua interpretação complementa a visão do autor, como nos processos de abstração.


Enfim em nome de todos que gostam de teatro, quero agradecer ao João Lagarto e ao Teatro Passagem de Nível este momento que me tornou mais rico e esclarecido.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Abutres ou gaivotas ?

Do terraço, vêem-se algumas colinas da cidade. Sobre a mais alta, ergue-se Palácio da Justiça. Sobre ela pairavam aves grandes e estranhas, mas indistintas. Na minha imaginação eram abutres que aguardavam os restos mortais dos condenados. Talvez não. Talvez fossem apenas gaivotas, aguardando ao abrigo do guardião institucional que o mau tempo passe, para voltarem ao lindo Tejo que as espera ansioso.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Hércules e os mortais

"Os doze trabalhos de Hércules eram ninharias comparados com os que vizinhos meus têm empreendido, porque aqueles eram apenas doze e tiveram um fim, ao passo que eu nunca pude ver esses homens matarem ou capturarem monstro algum, nem  sequer acabarem qualquer trabalho. Além disso não têm um amigo como Iolas para queimar com ferro em brasa a raiz da cabeça da Hydra; pelo contrário, mal uma cabeça é esmagada, duas brotam." - extraído de "Walden ou a vida nos bosques"

Henry David Thoreau - Sec. XIX

Alto relevo romano (séc. III AD), representando os 12 trabalhos de Hércules

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

profecia calada

acordo
apenas para dizer
a palavra que não pode ser escutada
a palavra que sai da boca dos anjos de Rilke
e que tudo estreme-se e  tudo queima
tal a sua pureza e verdade

 por isso e só por isso
continuo o silêncio que vem das montanhas longínquas
ampliando-o como um ruído cego e sem boca
 - incapaz apenas
de calar a canção do  pássaro
que, pousado na  árvore, me canta e escuta
tão humanamente




segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Henry David Thoreau, outra vez

"Sem correr riscos, podemos ser mais confiantes, abrindo mão de tanta atenção para connosco e aplicando-a alhures. A natureza está bem ajustada, quer à nossa fraqueza, quer à nossa força. A ansiedade e tensão de alguns é quase uma incurável doença" - H.D.Thoreau em "Walden ou a vida nos bosques" - séc.XIX

A casa que Thoreau construiu para viver dois anos e dois meses no bosque

domingo, 19 de janeiro de 2014

Está aí alguém ?

"Hei! Hei! Está aí alguém ?" - Temo que não e tenho esperança que sim.
 Escrevo sempre como um náufrago que, colocando a  mensagem dentro da última garrafa, espera que uma boa vontade venha em meu socorro do lado infinito do mar.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Thoreau eterno.

"Os homens trabalham à sombra de um erro, lançando ao solo para adubo o que têm de melhor. Por sina ilusória, vulgarmente chamada necessidade, desgastam-se a amontoar tesouros que a traça ou a ferrugem estragarão e que os ladrões hão-de roubar. É uma vida de imbecis, como perceberão ao fim dela, se não antes." extraído do livro "Walden ou a vida nos bosques" de Henry David Thoreau - séc. XIX


_