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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A marcha estática

Talvez devesse partir, talvez devesse chegar, talvez devesse lutar. Mas troquei as asas por umas sandálias rotas e comprei a espada num reino de plástico.
Agora, estático, chamo a tudo melancolia, como um pincel que repete infinitamente as mesmas cores, os  traços mecânicos  de um quadro famoso, tão famoso que todos o olham, mas já ninguém  vê.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Desenhar

O prazer de desenhar advém sobretudo do exercício de olhar para fora, olhar cada detalhe  da outra coisa que está para além da psique ou do ego. Desenhar é por isso uma prática de altruísmo.

Chapim de Crista - Pinhal da Aroeira | 2009


Podemos ainda assim desenhar as nossas paisagens interiores, as composições do nosso imaginário. É um exercício diferente, mas inteiramente humano e confortante. Neste caso, materializamos as representações interiores, num exercício de introspeção.

Ilustração do poema "Ulisses" da Mensagem de F.Pessoa

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

verde, ainda não

Chove cinza
dentro dos corações.

Entre esse pó informe
os teus olhos guiam-me,
como faróis-esmeraldas,  
pelos regatos ansiosos
da próxima primavera.

( Quando ela chegar,
dir-te-ei uma boca cheia
de rosmaninhos
pelas quelhas acima.)


domingo, 5 de janeiro de 2014

Brincar com os clássicos



O meu amigo e colega (informático) Ricardo Simões continua a brincar aos clássicos. Primeiro foi o Wagner e agora o Dali. Obviamente ele não é Dali. É de Setúbal. Mas tem também a sua dose de criatividade e humor. 

Este sublime (como hei-de chamar-lhe) trocadilho com o pintor, o seu bigode e a gravidade faz me lembrar um verso do José Gomes Ferreira (o poeta, não o jornalista da SIC):"Os pássaros quando morrem caem no céu." Por que mudando um elemento ( posição da foto ou "do" pelo "no"), tudo continua a fazer sentido - um sentido mais reforçado.

 Acho que a foto do Ricardo Simões é uma espécie de contra-ataque, no confronto com o Salvador Dali, que deu golo.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Feliz aniversário, Sir JRR Tolkien

Se fosse vivo (para muitos, há-de ser eterno), JRR Tolkien, nascido em 3 de janeiro de 1892, na África do Sul, faria hoje anos. Foi professor, escritor e, soube-o hoje também ilustrador. Só posso recomendar a leitura da sua obra, a qual é única e encantadora, como é aliás toda a mitologia celta, na qual se terá inspirado. Tolkien não é um simples escritor de aventuras. É um académico brilhante (Filólogo) que, há semelhança do seu amigo e matemático C.S. Lewis, envereda pela literatura fantástica, de uma forma fundamentada ao nível da simbologia e da própria linguagem. Entre várias línguas, Tolkien inventou duas línguas élficas usadas em algumas passagens nos seus livros.


Ilustrações de JRR Tolkien


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O velho dia de ano novo

         A uma ressaca de meia-idade

A coleção dos cromos por acabar ainda.

A chuva morrente que teima em ofuscar

o que já não brilha mais.

Deixo o odor da noitada

a fermentar sob a pele.
A noite foi longa, a noite foi curta.

Dança comigo, miúda.


De dois em dois minutos

morre uma estrela
e em redor dela
fenecem no escuro
um cesto florido de planetas estúpidos.

Vamos dançar, miúda,

como se houvesse amanhã.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Há árvores...


                  Há árvores que dão frutos, 
                  outras que dão pássaros 
                  e outras, serenidade quanto baste.

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