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| Ilustrações de JRR Tolkien |
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Feliz aniversário, Sir JRR Tolkien
Se fosse vivo (para muitos, há-de ser eterno), JRR Tolkien, nascido em 3 de janeiro de 1892, na África do Sul, faria hoje anos. Foi professor, escritor e, soube-o hoje também ilustrador. Só posso recomendar a leitura da sua obra, a qual é única e encantadora, como é aliás toda a mitologia celta, na qual se terá inspirado. Tolkien não é um simples escritor de aventuras. É um académico brilhante (Filólogo) que, há semelhança do seu amigo e matemático C.S. Lewis, envereda pela literatura fantástica, de uma forma fundamentada ao nível da simbologia e da própria linguagem. Entre várias línguas, Tolkien inventou duas línguas élficas usadas em algumas passagens nos seus livros.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
O velho dia de ano novo
A uma ressaca de meia-idade
A coleção dos cromos por acabar ainda.
A chuva morrente que teima em ofuscar
o que já não brilha mais.
Deixo o odor da noitada
a fermentar sob a pele.
A noite foi longa, a noite foi curta.
Dança comigo, miúda.
De dois em dois minutos
morre uma estrela
e em redor dela
fenecem no escuro
um cesto florido de planetas estúpidos.
Vamos dançar, miúda,
como se houvesse amanhã.
A coleção dos cromos por acabar ainda.
A chuva morrente que teima em ofuscar
o que já não brilha mais.
Deixo o odor da noitada
a fermentar sob a pele.
A noite foi longa, a noite foi curta.
Dança comigo, miúda.
De dois em dois minutos
morre uma estrela
e em redor dela
fenecem no escuro
um cesto florido de planetas estúpidos.
Vamos dançar, miúda,
como se houvesse amanhã.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Inside Llewyn Davis ou "O direito à ilusão"
Inside Llewyn Davis (A propósito de Llewyn Davis) é um
manifesto do direito à ilusão. Numa história circular, onde a metáfora de
Ulisses regressado a Ítaca transporta-se para o homónimo gato e para o próprio
Llewyn, demonstra que o talento (Inside) e a personalidade de um homem
determina o seu destino independentemente do seu sucesso. Llewyn acaba por
aceitar o seu fado, a sua cidade (Nova Iorque) e a relação áspera com aqueles
que o rodeiam e que o acham, cada um há sua maneira, um falhado especial. O gato que acompanha a história é um alter ego do músico, conotando a personagem com a eterna mística dos gatos: Orgulhosos, independentes, mas demasiados frágeis para se imporem. Digamos que à semelhança dos domésticos felinos, Llewyn também é apenas tolerado, como um animal de estimação, por todos aqueles que lhe querem algum bem.Deixam-no inclusivamente dormir no sofá, como aliás também se faz aos gatos caseiros.
A
música Folk é o pano de fundo. A seleção da banda sonora e a forma natural como
as musicas vão acontecendo, ora como um canto órfico de Llewlyn, ora
apresentadas com o travo de humor amargo e vulgar, é simplesmente genial. Só por ela, vale a pena assistir a esta fita.
Inside Llewyn Davis é um filme (levemenete) hollywoodiano dentro do
espetro independente dos Cohen, como narrativa que nos deixa a sonhar e com
vontade de aprender a tocar violão para pedir esmola na estação do Marquês. Tudo
o que este filme apresenta é irrepreensível: Atores, banda sonora, argumento,
fotografia, realização.
Só posso dizer outra vez: Obrigado, irmãos Cohen.
domingo, 29 de dezembro de 2013
Aquilino, uma literatura bem temperada
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| Portão e Capela do Amparo da Casa Grande de Romarigães - Freguesia de Romarigães, concelho de Paredes de Coura |
Já chega de comida sem sal e as palavras alinhadas tão comummente. Ler Aquilino Ribeiro é como saborear uma iguaria bem condimentada e única. Os seus temas coincidem com um Portugal rural, interior e iniciático. Transportam-nos às raízes da cultura lusitana como os coentros ao sabor típico de alguns pratinhos da nossa cozinha. As suas personagens assumem de peito-feito as suas incoerências e são vertiginosamente sádias. Cada parágrafo de "A Casa Grande de Romarigães" é uma pincelada deliciosa de um grande fresco. Tanto assim é, que apetece copiá-lo como fazíamos na escola primária ou mesmo como faz um pintor-aprendiz diante de um fresco de Giotto ou de uma natural pintura renascentista. Leiam com atenção os primeiros parágrafos do romance:
"O vento, que é um Pincha-no-Crivo devasso e curioso, penetrou na camarata, bufou, deu um abanão. O estarim parecia deserto. Não senhor, alguém dormia meio encurvado, cabeça para fora no seu decúbito, que se agitou molemente. Volveu a soprar. Buliu-lhe a veste, deu mesmo um estalido em sua tela semi-rígida e imobilizou-se. Outro sopro. Desta vez o pinhão, como um pretinho da Guiné de tanga a esvoaçar, liberou-se da cela e pulou no espaço. Que pára-quedista !
Precipitado tão de alto do pinheiro solitário, balouçou-se um instante e ensaiou um voo oblíquo. A meio caminho volteou, rodopiou, viu as nuvens ao largo, a terra em baixo e, saracoteando a fralda, desceu em espiral. Poisou em cima duma fraga, ligeiro como um tira-olhos. Mas novo pé-de-vento atirou com ele para a banda, quase de escantilhão, e a aleta, tomando-se de imprevisto fôlego, arrebatou-o para mais longe. Foi cair numa mancheia de terra, removida de fresco pelos roçadores do mato, e ali permaneceu à espera que pancada de água ou calcanhar de homem o mergulhasse no solo, dado que um pombo bravo o não avistasse e engolisse. (...)
Do pinhão, que um pé-de-vento arrancou ao dormitório da pinha-mãe, e da bolota, que a ave deixou cair no solo, repetido o acto mil vezes, gerou-se a floresta. Acudiram os pássaros, os insectos, os roedores de toda a ordem a povoá-la. No seu solo abrigado e gordo nasceram as ervas, cuja semente bóia nos céus ou espera à tez dos pousios a vez de germinar. De permeio desabrocharam cardos, que são a flor da amargura, e a abrótea, a diabelha, o esfondílio, flores humildes, por isso mesmo troféus de vitória. Vieram os lobos, os javalis, os zagais com os gados, a infinita criação rusticana. Faltava o senhor, meio fidalgo, meio patriarca, à moda do tempo. Ora, certa manhã de Outono...»
Aquilino Ribeiro, A casa grande de Romarigães: crónica romanceada (1957). Lisboa : Bertrand, cop. 1985
Então, que dizem ? Genial, não é? Parece a "Génesis" bíblica à escala da paisagem minhota.
sábado, 21 de dezembro de 2013
O presépio de Greccio
Na véspera de natal de 1223, estavam proibidos os dramas litúrgicos por todas as igrejas por ordem do Papa Inocente III.
Francisco de Assis partiu, com o seu inseparável companheiro, frade Leão, para Greccio - Italia. Francisco, com dispensa do santo padre, recolheu apoios de alguns homens relevantes na região, e, numa gruta abandonada, encenou um presépio. Convocou depois, ao som de campainhas, todos os habitantes de Greccio a se deslocarem à gruta. Nesse local, a missa ficou sob a responsabilidade do Cardeal. Francisco já doente - viria a falecer dois anos depois - falou aos presentes. Durante as suas palavras, ele e muitos outros dos presentes viram o Menino Jesus a tomar forma sobre os seus braços.
Bibliografia "O Presépio" de Pietro Gargano
"S.Francisco celebra festa do presépio" - Fresco de Giotto na Basílica Superior de S.Francisco em Assis (Italia)
domingo, 15 de dezembro de 2013
Desertos
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| Praia da Fonte da Telha - Inverno |
Aos nossos pés, às nossas mãos, aos nossos olhos ou apenas avançando sobre o pensamento, os desertos abrem-nos as portas do silêncio. Entregues somente a nós próprios, tornamos-nos a única fonte da vida, onde Deus nos alcançará sem dificuldade. Ali, onde quase nada vive, podemos descansar sem ruído, sem dor. Apenas com o destino insólito do sol rasante sobre a cabeça.
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