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domingo, 15 de setembro de 2013

Redescobrir Aquilino



A primeira vez que o li achei o seu vocabulário, gíria e regionalismos demasiados densos. Arrumei-o na prateleira. Agora por referência de um amigo, regressei aos seus livros: "Casa Grande de Romarigães" e "O Malhadinhas". E percebi a sua enorme dimensão, originalidade e qualidade. Enfim, não devem faltar argumentos nem livros para ler Aquilino Ribeiro. A graça e a vivacidade da sua prosa é única e faz-nos sentir intensamente portugueses. O contexto do seu génio pertencem a  uma determinada cultura - mais interior e afastada dos grandes centros do litoral. Numa altura, em que se fala em regressar às origens, devido à crise, ler as obras de   Aquilino Ribeiro é já um regresso às origens, ao mundo ancestral de um portugal remoto, mas mais genuíno que qualquer outro.




quarta-feira, 11 de setembro de 2013

"A Luz da Terra Antiga", Luís Oliveira Santos

A Academia Portuguesa de Cinema anunciou a sua  lista de nomeados aos Prémios Sophia 2013. Na categoria de "Melhor curta metragem documental" foi nomeado o documentário "A Luz da Terra Antiga", Luís Oliveira Santos. Este trabalho aborda o trabalho de campo efetuado pelo fotografo Duarte Belo na produção do seu livro "Portugal - Luz e Sombra, O País depois de Orlando Ribeiro" Ed. Temas e Debates, 2012.

Para quem como eu já viu este documentário, entende que esta nomeação foca-se no excelente trabalho de Luís Oliveira Santos e no tema aliciante do trabalho de campo do fotografo Duarte Belo. Para além, de uma excelente seleção musical.




A Luz Da Terra Antiga - Movie Trailer from Luís Oliveira Santos on Vimeo.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Caminhada

Brilha no buraco onde se fixa a sombra.
Corre pela brisa que não corre na fotografia.
A luz cegou-te, ainda assim continua.
Hás-de encontrá-la, juro-te.
Não sabes bem o quê,
mas hás-de encontrá-la um dia.

Vale do rio Erges, próximo de Salvaterra do Extremo. 2005 - Foto de Duarte Belo



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Alcácer do Sal - O sabor da história

Alcácer do Sal é uma das cidades mais antigas da europa. Usado como porto pelos Fenícios para o comércio de estanho com a Cornualha,  constituiu um ponto de referência pelos  povos que marcaram Portugal culturalmente (Romanos, Visigodos e Árabes). A cidade  apresentava todas as condições para ser considerada um ponto estratégico do ponto vista militar e económico durante a reconquista cristã no séc.XII. A sua conquista definitiva efetua-se apenas no reinado de D.Afonso II.

Hoje a cidade tem pouco mais de 6.000 habitantes e o concelho, 13.000 – o que me parece muito pouco. Alcácer - relativamente próxima de Lisboa, Setubal e Sines - merece uma visita. Pelas suas gentes (A Pensão “A cegonha” é muito acolhedora), gastronomia ( Provem a pinhoada), beleza (Tomem uma refeição à beira do Sado) e pela sua oferta turística (De Tróia a Sines, passando pelo inolvidável porto de palafita da Carrasqueira).


Alcácer tem tudo, só faltam habitantes e a sua visita.

PS. A Praça de Touros João Branco Núncio é de uma beleza e casticidade invulgar. O matemático Pedro Nunes nasceu ali.Duas curiosidades com bastante significado histórico e cultural.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Génesis segundo Sebastião Salgado


António Nobre



Fazia hoje anos o poeta António Nobre. Reuniu todos os seus poemas num só livro, a que chamou obviamente "Só". A sua vida é trágica e curta. Deixou-nos belos poemas, diria únicos. Aqui fica um poema seu  sobre outra gesta de valentes portugueses, os poveiros.


Poveiro

Poveirinhos! meus velhos pescadores! 
Na Agoa quizera com vocês morar: 
Trazer o lindo gorro de trez cores, 
Mestre da lancha Deixem-nos passar! 

Far-me-ia outro, que os vossos interiores 
De ha tantos tempos, devem já estar 
Calafetados pelo breu das dores, 
Como esses pongos em que andaes no mar! 

Ó meu Pae, não ser eu dos poveirinhos! 
Não seres tu, para eu o ser, poveiro, 
Mail-Irmão do «Senhor de Mattozinhos»! 

No alto mar, ás trovoadas, entre gritos, 
Promettermos, si o barco fôri intieiro, 
Nossa bela á Sinhora dos Afflictos! 

António Nobre em "Só"




terça-feira, 6 de agosto de 2013

Iliopouli

Mesmo na cidade do sol
não há dias perfeitos.

Às vezes o vento
varre a luz presa nas árvores
e os gatos deixam temporariamente
de pousar para os poemas.


Nota: "Iliopouli" significa "Cidade do Sol" em grego - Helio (sol)+Pólis (Cidade). É ainda um subúrbio  de Atenas.




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