O meu amigo Ricardo Simões tem duas costelas, uma wagneriana e outra de artista plástico. Resolveu juntar as duas e eis um "Wagner Pop Art Version".
Se ainda houvesse espaço social para escândalos, depois da invenção dos jornais tablóides, este seria um estrondo. Infelizmente, esta imagem, nos dias de hoje, é apenas um barulhinho. Mas que gostei , gostei.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
quinta-feira, 30 de maio de 2013
32ª aniversário do Teatro Passagem de Nível - Amadora
O Teatro Passagem de Nível fez 32 anos. O meu amigo e colega da mesa da Assembleia Geral do TPN, Domingos Galamba, pediu-me para fazer um dos discursos. Nunca tinha escrito nenhum. Aqui fica para memória futura:
Exmos. Senhores (...)
Exmos. Senhores (...)
Assim como o
teatro se representa tradicionalmente por duas caras, uma triste, a do drama, e
a outra alegre, a da comédia, também o Passagem de Nível, ao longo destes 32
anos, tem os seus sentimentos conflituantes.
Tem a saudade bonita de ter trazido a colaborar nos seus
projetos um conjunto de personalidades que bastante nos honram, e passo a citar
alguns deles, uns felizmente vivos e outros que fisicamente já não estão entre
nós. Chamam-se ou chamaram-se Joaquim Benite (Encenador), Mário Viegas(Ator),
Jaime Salazar Sampaio(Dramaturgo), Jorge Colombo (Cenógrafo), Fernando Filipe (Cenógrafo), Carlos Correia (escritor)
- só para referir ou lembrar algumas figuras que connosco trabalharam ou
colaboraram, porque existem existem muitos mais que mereciam a honra de uma referência.
Mas temos também a outra máscara, a da
alegria, a alegria de termos ajudado a
subir ao palco muitas gerações de jovens como os casos mais relevantes de
Mafalda Vilhena e Dinarte Branco e
outros menos jovens que entre as nossas paredes de ilusão puderam também
sonhar, revelar-se e ao contrário do que se pensa, ter o privilégio de retirar
as máscaras para subir ao palco ou ajudar os outros a subirem-no. Porque o
teatro amador, não são só autores, atores e encenadores, mas um conjunto de
pessoas que voluntariamente dão o seu tempo livre para esta causa nobre e que eu
aproveito para saudar.
Ao longo destes anos,
formou-se uma corrente entre gerações, sensibilidades e caminhos que se cruzam
no palco, nos ensaios, no foyer, nas bilheteiras, nos espetáculos itinerantes.
Tem sido esta, como sugere o nome do grupo, a nossa missão: estabelecer
passagens entre duas margens, entre dois níveis de cidadania e humanismo, entre
aquilo que cada um é e aquilo que porventura será no futuro. Não acredito que
alguém tenha participado na nossa vida associativa através dos espetáculos, dos
cursos de teatro, dos prémios literários ou dos festivais de teatro e não tenha
saído mais humanamente mais rico do que entrou. Esse é o nosso orgulho. Esta
será sempre a nossa esperança.
Quanto ao futuro ? Não tenhamos medo dele. O teatro coabitou
com muitas crises históricas, guerras e mil e uma revoluções tecnológicas e
políticas. Contudo o teatro esteve, está e estará sempre por todo o lado. Da China
ao Canadá, do teatro nacional à mais humilde sala do mais recôndito lugar da
terra. Nesse futuro, o Passagem de Nível será um espaço para a refletir a
história, para os autores de língua portuguesa e para a cidade da Amadora.
Mas também um espaço de procura, de inquietação e provocação
aos mitos do senso comum, às verdades servidas já cozinhadas pelos media.
Assim permita a nossa humilde arte e esta força suave de quem
acaba de fazer 32 anos.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
A "Tabacaria" e crise dos 40
Sortudos aqueles que chegam à meia idade e não subscrevem
estes versos do Pessoa. Eu, à exceção do último verso, subscrevo-os. Que génio!
Fiz
de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Rosebud
Rosebud é o nome do trenó que significa a infância perdida no filme 'Citizen Kane' de Orson Wells. Rosebud é o trauma que faz correr Kane. Gosto de pensar que são os desequilíbrios que produzem o movimento humano, a história e os momentos capitais das nossas vidas. Quando tento compreender alguém ou alguma atitude, penso amiúde : "Qual é o teu Rosebud, rapaz?".
terça-feira, 7 de maio de 2013
João Ricardo Pedro (Prémio Leya 2011) é amadorense
"João Ricardo Pedro nasceu em 1973, na Reboleira, Amadora. Curioso acerca da força de Lorentz, licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico. Durante mais de uma década, trabalhou em telecomunicações sem, no entanto, alguma vez ter aplicado as admiráveis equações de Maxwell. Na primavera de 2009, em consequência do carácter caprichoso dos mercados, achou-se com mais tempo do que aquele de que necessitava para cumprir as obrigações do quotidiano. Num acesso de pragmatismo, começou a escrever. O Teu Rosto Será o Último é o seu romance de estreia."
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Como são simples as portas do céu
Subimos e descemos a íngreme encosta dos "Penedos Juntos" de Monsanto (Beira Baixa). Estancámos os nossos passos defronte da Capela de São Miguel (Séc.XII). Tínhamos-nos deslocado no tempo e no espaço. Não havia dúvida. Naquela altitude e diante daquele remoto lugar de culto, estávamos de certo às portas do céu. Portas simples é certo, mas não menos celestiais.
"Então é isto..." - Pensámos desconfiados e deslumbrados, como se ambos os sentimentos fossem compatíveis.
"Vamos entrar?" - Perguntei-lhe eu, afoito.
" Não." - Respondeu ele com aquele jeito cordial tão próprio - "Vamos descer mais um pouco até ao vale. Ainda é cedo para entrarmos."
"Tens razão. Temos muito ainda para ver lá em baixo." - Rematei.
Fomos ter com as mulheres e lá nos pusemos ao caminho. Se bem me lembro, ainda encontramos o primo Viriato, na taberna dos Lusitanos. Havia javali e cidra fresca. Fizemos bem em regressar por agora.
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