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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Rosebud


Rosebud é o nome do trenó que significa a infância perdida no filme  'Citizen Kane' de Orson Wells.  Rosebud é o trauma que faz correr Kane.  Gosto de pensar que são os desequilíbrios que produzem o movimento humano,  a história e os momentos capitais das nossas vidas. Quando tento compreender alguém ou alguma atitude, penso amiúde : "Qual é o teu Rosebud, rapaz?".

terça-feira, 7 de maio de 2013

João Ricardo Pedro (Prémio Leya 2011) é amadorense


"João Ricardo Pedro nasceu em 1973, na Reboleira, Amadora. Curioso acerca da força de Lorentz, licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico. Durante mais de uma década, trabalhou em telecomunicações sem, no entanto, alguma vez ter aplicado as admiráveis equações de Maxwell. Na primavera de 2009, em consequência do carácter caprichoso dos mercados, achou-se com mais tempo do que aquele de que necessitava para cumprir as obrigações do quotidiano. Num acesso de pragmatismo, começou a escrever. O Teu Rosto Será o Último é o seu romance de estreia."


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Como são simples as portas do céu



Subimos e descemos a íngreme encosta dos "Penedos Juntos" de Monsanto (Beira Baixa). Estancámos os nossos passos defronte da Capela de São Miguel (Séc.XII).  Tínhamos-nos deslocado no tempo e no espaço. Não havia dúvida. Naquela altitude e diante daquele remoto lugar de culto, estávamos de certo às portas do céu. Portas simples é certo, mas não menos celestiais.

"Então é isto..." - Pensámos desconfiados e deslumbrados, como se ambos os sentimentos fossem compatíveis. 
"Vamos entrar?" - Perguntei-lhe eu, afoito.
 " Não." - Respondeu ele com aquele jeito cordial tão próprio - "Vamos descer mais um pouco até ao vale. Ainda é cedo para entrarmos."
"Tens razão. Temos muito ainda para ver lá em baixo." - Rematei.

Fomos ter com as mulheres e lá nos pusemos ao caminho. Se bem me lembro, ainda encontramos o primo Viriato, na taberna dos Lusitanos. Havia javali e cidra fresca. Fizemos bem em regressar por agora.  





segunda-feira, 29 de abril de 2013

A mulher e a terra


“Terra/ para os pés, firmeza/ para as mãos, carícia” – em “Terra” de Caetano Veloso


Gostar de um lugar é como gostar de uma mulher. Temos de aprender a suportar-lhe os maus humores, as trovadas, o calor intenso da fricção entre a vida e ventos frios de espanha. É preciso percorrê-la, por cada curva, cada ravina, aprendendo a escalar o seu sinuoso corpo até à boca ou à torre sineira.

Por último, morrer por ela, se o inimigo ousar ameaçá-la com terror
                                                 [ou tão-só com a paciência mórbida dos cercos.]


domingo, 28 de abril de 2013

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