Marquem na vossa agenda: O contributo ibérico à ciência na época das Descobertas na Fundação Gulbenkian - "360º - Ciência Descoberta", a partir de 2 de março. O atual processo de globalização não foi o primeiro desta natureza. No século XV/XVI, Portugueses e Espanhóis também criaram uma rede de dimensão planetária.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
O mentor e o crente
O que mais impressionou na personagem de Freddie Quell é a sua capacidade em acreditar. Relevante também, por anteposição, é a forma como o cinema norte-americano trata aqueles que acreditam de forma absoluta em fenómenos fora dos seus cânones. O portador da fé é representado como um psicótico, alcoólico, sem rumo ou profissão fixa - enfim um renegado social. Na realidade, no espartilho lógico e linear de uma sociedade profundamente marcada pelas relações diretas de causa-efeito, acreditar sem razão parece aberrante, mas não o é. A fé é uma qualidade profundamente humana e ajuda-nos a seguir ou a prosseguir. Porque ela traz-nos sempre força redobrada para continuar e ultrapassar os obstáculos. Quando se acredita no mais profundo (ainda que misterioso) e se desvaloriza o superficial, a fé acontece. E creio que foi isso que aconteceu à personagem Freddie. Freddie ignorou o cepticismo dos outros membros da seita, o misticismo barato dos rituais e algumas conclusões mais absurdas em redor das teorias do Mentor. Porém, aquele "Mentor" acreditou nele, foi o pai calmo e tolerante que ele nunca tinha tido. A relação que se foi estabelecendo entre eles, ao longo do filme, ganhou uma dimensão sagrada e, quando assim é , o homem cresce e ultrapassa-se, porque o crente ganha confiança para se afirmar.
A ciência interessa-se apenas por matérias que pode comprovar. A fé não é um fenómeno comprovável pelo seu modelo. Ela está no âmbito da religiosidade e essa está em crise no Ocidente ou foi trasladada para uma dimensão "Disney", ou seja, infantil e desadequada da maturidade da dimensão histórica europeia.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Poesia ilustrada ou não ?
O Facebook colocou-me um dilema sempre que escrevo poesia e pretendo publicá-la nas redes sociais. Devo publicá-la com uma ilustração ?
A imagem que se junta às palavras, enriquece ou não o sentido das mesmas ?
Ainda não tenho uma resposta definitiva, porque ambas as perspetivas têm os seus riscos e oportunidades.
Publicar em versão bi-linguagem talvez seja o mais sensato. Aqui fica o poema de ontem:
Escuta o clássico som da paz
até ao próximo relampejar do destino
Não te impacientes.
Ele, mais cedo ou mais tarde,
chegará.
A imagem que se junta às palavras, enriquece ou não o sentido das mesmas ?
Ainda não tenho uma resposta definitiva, porque ambas as perspetivas têm os seus riscos e oportunidades.
Publicar em versão bi-linguagem talvez seja o mais sensato. Aqui fica o poema de ontem:
Escuta o clássico som da paz
até ao próximo relampejar do destino
Não te impacientes.
Ele, mais cedo ou mais tarde,
chegará.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
sábado, 26 de janeiro de 2013
MUDE
MUDE é mesmo mude, isto é, um apelo constante à alternativa. Não admira que "Design" se dê bem com a "Democracia". MUDE é o Museu do Design na Rua Augusta (Já perto do Arco da citada rua).
MUDE é um museu tão diferente que é grátis e está ainda e para sempre em construção. Aliás a sua estética é exatamente essa: "Em construção", mostrando as paredes sem acabamentos - como se fossem algo por terminar ou já devoluto. Só por isso transmite-nos uma mensagem de mudança contínua.
No piso térreo, apresenta uma rápida mas concisa história do design nos últimos 50 anos. No 1º andar, uma exposição em redor das indumentárias do Fado, com forte destaque para o guarda-roupa de Amália Rodrigues. No 2º piso, recria o design aplicado pela FRESS (Fundação Ricardo Espírito Santo Silva) naquele mesmo edifício, onde funcionava o Banco Nacional Ultramarino (BNU) numa exposição denominada: "Nacional e Ultramarino. BNU e a arquitectura do poder: entre o moderno e o antigo".
Django
"Django" é tarantino, morricone, spaghetti e ketchup. Estes 4 fatores dizem respeito à música, à narrativa, ao argumento e sobretudo ao estilo peculiar deste autor. Tarantino traz de novo à superfície a temática racista na perspetiva sulista (2 anos antes da guerra da Secessão). Parece um tema esgotado, mas Quentin recicla-o, da melhor forma, com a criação de um Western com pradarias, vilões, xerifes, heróis improváveis, cavalos e, claro está, muitos balázios e partes do corpo humano esfaceladas ou mesmo completamente arrancadas.
Quantos aos atores tem uma interpretação simples, na melhor aceção da palavra. Há quase um toque de farsa no estilo da representação. Parabéns também pela banda sonora que aproxima as cenas do publico de uma forma magnífica - aquele Hip-Hop durante a última (e crucial) cena de tiroteio que opõe Django à canalha sulista é uma pérola.
Numa perspetiva muito pessoal, "Django" é univocamente um Tarantino e só por isso um filme juvenil. Mas sabe sempre bem, alimentarmos a juventude que nos habita numa sexta-feira à noite.
PS. Se alguma vez tiver um gato preto, vou chamar-lhe Django.
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