Algumas espécies de aves, outrora avessas aos humanos, invadem agora os espaços urbanos. Foi com espanto que hoje ao passar pelos Jardins da Gulbenkian, um Gaio (Garrulus glandarius), que pastava a dois metros de mim, nem sequer fugiu perante a minha passagem por perto.
Da janela do meu escritório, com o Monsanto (Lisboa) ao fundo, voam bandos de centenas de Estorninhos (Sturnus vulgaris) que passam entre mim e o pôr-do sol. Lindo! O mundo é lindo. Basta estar atento.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Troquei o Buda pelo Santo António!
Namorava-o desde que o vi à venda no MNAA. É uma réplica muito perfeita de uma figura do Santo António de Lisboa ( e de Pádua ) em madeira do século XVI. O original pertence atualmente ao Museu da Guarda.
A partir dessa primeira "aparição", sempre que o via - mais concretamente, quando voltei ao MNAA, ou na Loja do Turismo de Lisboa no Palácio Foz - ficava a fazer-lhe "olhinhos" num flirt descarado.
Este Natal, recebi-o de presente. Agora acabou-se o namoro e, à boa maneira do santo, casei-me com aquela figura. Coloquei-o num local onde passou a tutelar a sala de estar, no local onde relaxava um Buda. Não podemos abdicar de 800 anos de história, por um orientalismo que de vez em quando nos invade o gosto. Há momentos, em que temos de gostar ainda mais de nós - o que implica reforçar o apego à nossa história e credos coletivos. E como dizia o poeta Pessoa: "É a hora!".
Imagem e texto descritivo retirado do site do Museu da Guarda
A partir dessa primeira "aparição", sempre que o via - mais concretamente, quando voltei ao MNAA, ou na Loja do Turismo de Lisboa no Palácio Foz - ficava a fazer-lhe "olhinhos" num flirt descarado.
Este Natal, recebi-o de presente. Agora acabou-se o namoro e, à boa maneira do santo, casei-me com aquela figura. Coloquei-o num local onde passou a tutelar a sala de estar, no local onde relaxava um Buda. Não podemos abdicar de 800 anos de história, por um orientalismo que de vez em quando nos invade o gosto. Há momentos, em que temos de gostar ainda mais de nós - o que implica reforçar o apego à nossa história e credos coletivos. E como dizia o poeta Pessoa: "É a hora!".
Santo António de Lisboa
Autor desconhecido
Século XVI
Madeira repolicromada
53 x 21 cm
Proveniência: Desconhecida
Madeira repolicromada
53 x 21 cm
Proveniência: Desconhecida
Santo António de pé, com vestes franciscanas e capucho erguido. Sustenta no braço esquerdo o Menino Jesus nu, sentado sobre livro fechado.
O Menino Jesus estende a mão esquerda sobre o peito do Santo, como que querendo apresentar o Santo. A sua mão direita assenta sobre o seu próprio peito.
Pedestal marmoreado.
O Menino Jesus estende a mão esquerda sobre o peito do Santo, como que querendo apresentar o Santo. A sua mão direita assenta sobre o seu próprio peito.
Pedestal marmoreado.
Imagem e texto descritivo retirado do site do Museu da Guarda
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
domingo, 16 de dezembro de 2012
As idades do mar

A exposição pictórica "Idades do Mar" na Fundação Gulbenkian entrega o visitante a um conjunto de perspectivas possíveis na grandiosidade do mar: o mito, o poder, o trabalho, a tempestade, o efémero e o infinito. Foram reunidas dezenas de obras cuja origem atravessam séculos e as melhores coleções. Podem-se apreciar quadros desde Mestre da Lourinhã, da escola denominada "os primitivos portugueses", até ao impressionismo de Monet ou ao pós-modernismo de Vieira da Silva.
Numa época em que a sociedade (numa atitude distante, como é habitual nas nossas elites e demasiado retórica) insistem na importância do mar, esta exposição é mais uma manifestação dessa tendência de início de milénio que se acentua com a urgência de encontrarmos novos paradigmas económicos.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
O sagrado dia do cadáver esquisto
Todos anos, eu e um amigo setubalense, juntamos-nos um dia de dezembro para pintar um "cadáver esquisito" (pintura coletiva de inspiração sub-realista, i.e., directamente do subconsciente para a tela de forma automática, sem passar pela censura do consciente.) Este foi o resultado deste ano. Uma criação à volta de uma escultura barroca do famoso escultor italiano da época barroca, Gian Lorenzo Bernini.
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| Imagem do "ateliêr" |
Museu do Teatro e Parque do Monteiro-Mor
Fica, na Estrada do Lumiar, o Museu do Teatro e o do Traje. Entre ambos os museus, estende-se o belíssimo Parque do Monteiro-Mor, composto pela mata, pelas hortas e jardins. Pontuam ainda, os jardins, inúmeras esculturas. O Parque está disposto numa encosta, tornando-o abrigado e formando uma espécie de estufa natural. Existe muita água pelo jardim, onde se edificaram vários pequenos lagos.
Se jardins e museus forem objectivo da uma saída perto de Lisboa, estes dois museus com o seu magnífico parque são uma excelente opção.
Museu do Teatro e Vida, porque ambas as coisas se imitam mutuamente, gerando uma imenso jogo de ilusões, risos e choros. Esta é a função do teatro: especular, confrontar, despertar, agitar. Não gosto de ver um ator "portar-se bem". Essa não é a função do ator, enquanto agente da função teatral. Ele deve sobretudo gerar sentimentos, criar sensações e destruir máscaras.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
À volta do Tejo
10.00 horas
Costa da Caparica
Está frio. Mesmo assim o mar parece trazer alguma bonomia e têmpero a esta manhã de inverno. Algumas dezenas de surfista acordaram cedo para apanhar estas suaves ondas que morrem hoje pela praia-mar. Alguns pescadores desportivos ensaiam lançamentos defronte ao restaurante do Barbas. Vou caminhar e procurar comprar um jornal diário decente.
11.00 horas
S.João da Caparica
Leio no Público, dois versos de um poeta místico, William Blake:
"Tigre, tigre, ardendo aceso
Pelas florestas da noite"
E continuo:
"Gato, gato, velando à meia-luz
Em contra-mão com o tempo"
"Sapo, sapo, abocanhando em cheio
A extrema-unção do mundo"
12.30 horas
Trafaria
Chego à vila piscatória da Trafaria para almoçar. Pensei comer uma caldeirada. Mas é um prato demasiado caro para uma pessoa apenas. Decidi-me pela "Raia frita com açorda".
Ao entrar no restaurante "O Fragateiro" deparo-me com uma parede com muitos posters de equipas de futebol de "Os Belenenses". Pergunto ao proprietário se é sócio. Diz-me que sim. E que é também o pai do Luis Ferreira, antigo guarda-redes do Belenenses e atual treinador de guarda-redes. Ficámos obviamente à conversa.
14.00 horas
Palácio Nacional da Ajuda
Aqui sente-se o poder. No local mais alto da cidade, um magnifico palácio se ergue numa das colinas da cidade. Por detrás, um comando da GNR. Lá dentro alguns Audis e BMWs pretos revelam a austeridade forte do estado. Antes e depois de 1910, talvez pouco tenha mudado no que diz respeito às máscaras do poder.
15.00 horas
Exposição de Botero “VIACRUCIS - A Paixão de Cristo”
Na sala " Rei D.Luis I" do Palácio está exposta um conjunto de pinturas e desenhos denominados "Via Crucis", do pintor colombiano Fernando Botero, até ao dia 23 de Janeiro.
Na exposição de Boreto, encontro no quadro "A crucificação" a ideia mais nóvel da exposição: Jesus jaz na cruz. A sua pele tem uma tonalidade verde que integra-o, qual camuflagem, na paisagem verdejante de um jardim urbano. Por detrás da sua agonia, a população passeia impertubável.
Em alguns quadros a dimensão de Jesus é imensa em comparação com aqueles que o maltratam ou traiem. Contudo, na " A Piedade", Ele surge em dimensões muito reduzidas, em comparação com a sua mãe, que o toma em braços.
16.00 horas
Beira-rio - Junto à estação fluvial de Belém
Ver o rio é um ato infatigável de fé. É esperar no porto que o estrangeiro chegue da barra ou que a montante venha, rio abaixo, o mais intimo português.
Escrevo por fim com o sol a pôr-se:
"A oeste adensa-se o futuro da noite
como se o sol também desaguasse
levado pela teimosia do Tejo"
Costa da Caparica
11.00 horas
S.João da Caparica
Leio no Público, dois versos de um poeta místico, William Blake:
"Tigre, tigre, ardendo aceso
Pelas florestas da noite"
E continuo:
"Gato, gato, velando à meia-luz
Em contra-mão com o tempo"
"Sapo, sapo, abocanhando em cheio
A extrema-unção do mundo"
12.30 horas
Trafaria
Chego à vila piscatória da Trafaria para almoçar. Pensei comer uma caldeirada. Mas é um prato demasiado caro para uma pessoa apenas. Decidi-me pela "Raia frita com açorda".
Ao entrar no restaurante "O Fragateiro" deparo-me com uma parede com muitos posters de equipas de futebol de "Os Belenenses". Pergunto ao proprietário se é sócio. Diz-me que sim. E que é também o pai do Luis Ferreira, antigo guarda-redes do Belenenses e atual treinador de guarda-redes. Ficámos obviamente à conversa.
14.00 horas
Palácio Nacional da Ajuda
Aqui sente-se o poder. No local mais alto da cidade, um magnifico palácio se ergue numa das colinas da cidade. Por detrás, um comando da GNR. Lá dentro alguns Audis e BMWs pretos revelam a austeridade forte do estado. Antes e depois de 1910, talvez pouco tenha mudado no que diz respeito às máscaras do poder.
15.00 horas
Exposição de Botero “VIACRUCIS - A Paixão de Cristo”
Na sala " Rei D.Luis I" do Palácio está exposta um conjunto de pinturas e desenhos denominados "Via Crucis", do pintor colombiano Fernando Botero, até ao dia 23 de Janeiro.
Na exposição de Boreto, encontro no quadro "A crucificação" a ideia mais nóvel da exposição: Jesus jaz na cruz. A sua pele tem uma tonalidade verde que integra-o, qual camuflagem, na paisagem verdejante de um jardim urbano. Por detrás da sua agonia, a população passeia impertubável.
Em alguns quadros a dimensão de Jesus é imensa em comparação com aqueles que o maltratam ou traiem. Contudo, na " A Piedade", Ele surge em dimensões muito reduzidas, em comparação com a sua mãe, que o toma em braços.
16.00 horas
Beira-rio - Junto à estação fluvial de Belém
Ver o rio é um ato infatigável de fé. É esperar no porto que o estrangeiro chegue da barra ou que a montante venha, rio abaixo, o mais intimo português.
Escrevo por fim com o sol a pôr-se:
"A oeste adensa-se o futuro da noite
como se o sol também desaguasse
levado pela teimosia do Tejo"
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