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domingo, 16 de dezembro de 2012

As idades do mar




A exposição pictórica  "Idades do Mar" na Fundação Gulbenkian entrega o visitante a um conjunto de perspectivas possíveis na grandiosidade do mar: o mito, o poder, o trabalho, a tempestade, o efémero e o infinito. Foram reunidas dezenas de obras cuja origem atravessam séculos e as melhores coleções. Podem-se apreciar quadros desde  Mestre da Lourinhã, da escola denominada "os primitivos portugueses", até ao impressionismo de Monet ou ao pós-modernismo de Vieira da Silva.

Numa época em que a sociedade (numa atitude distante, como é habitual nas nossas elites  e demasiado retórica) insistem na importância do mar, esta exposição é mais uma manifestação dessa tendência de início de milénio que se acentua com a urgência de encontrarmos novos paradigmas económicos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O sagrado dia do cadáver esquisto



Todos anos, eu e um amigo setubalense, juntamos-nos um dia de dezembro para pintar um "cadáver esquisito" (pintura coletiva de inspiração sub-realista, i.e., directamente do subconsciente para a tela de forma automática, sem passar pela censura do consciente.) Este foi o resultado deste ano. Uma criação à volta de uma escultura barroca do famoso escultor italiano da época barroca, Gian Lorenzo Bernini.



Imagem do "ateliêr"



Museu do Teatro e Parque do Monteiro-Mor



Fica, na Estrada do Lumiar, o Museu do Teatro e o do Traje. Entre ambos  os museus, estende-se o belíssimo Parque do Monteiro-Mor, composto pela mata, pelas hortas e jardins. Pontuam ainda, os jardins, inúmeras esculturas. O Parque está disposto numa encosta, tornando-o abrigado e formando uma espécie de estufa natural. Existe muita água pelo jardim, onde se edificaram vários  pequenos lagos.



Se jardins e  museus forem objectivo da uma saída perto de Lisboa, estes dois museus com o seu magnífico parque são uma excelente opção.




Museu do Teatro e Vida, porque ambas as coisas se imitam mutuamente, gerando uma imenso jogo de ilusões, risos e choros. Esta é a função do teatro: especular, confrontar, despertar, agitar. Não gosto de ver um ator "portar-se bem". Essa não é a função do ator, enquanto agente da função teatral. Ele deve sobretudo gerar sentimentos, criar sensações e destruir máscaras.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

À volta do Tejo

10.00 horas

Costa da Caparica

Está frio. Mesmo assim o mar parece trazer alguma bonomia e têmpero a esta manhã de inverno. Algumas dezenas de surfista acordaram cedo para apanhar estas suaves ondas que morrem hoje pela praia-mar. Alguns pescadores desportivos ensaiam lançamentos defronte ao restaurante do Barbas. Vou caminhar e procurar comprar um jornal diário decente.




11.00 horas

S.João da Caparica

Leio no Público, dois versos de um poeta místico, William Blake:

"Tigre, tigre, ardendo aceso
  Pelas florestas da noite"

E continuo:

"Gato, gato, velando à meia-luz
  Em contra-mão com o tempo"

"Sapo, sapo, abocanhando em cheio
 A extrema-unção do mundo"


12.30 horas

Trafaria

Chego à vila piscatória da Trafaria para almoçar. Pensei comer uma caldeirada. Mas é um prato demasiado caro para uma pessoa apenas. Decidi-me pela "Raia frita com açorda".



Ao entrar no restaurante "O Fragateiro" deparo-me com uma parede com muitos posters de equipas de futebol de "Os Belenenses". Pergunto ao proprietário se é sócio. Diz-me que sim. E que é também o pai do Luis Ferreira, antigo guarda-redes do Belenenses e atual treinador de guarda-redes. Ficámos obviamente à conversa.



14.00 horas

Palácio Nacional da Ajuda

Aqui sente-se o poder. No local mais alto da cidade, um magnifico palácio se ergue numa das colinas da cidade. Por detrás, um comando da GNR. Lá dentro alguns Audis e BMWs pretos revelam a austeridade forte do estado. Antes e depois de 1910, talvez pouco tenha mudado no que diz respeito às máscaras do poder.




15.00 horas

Exposição de Botero “VIACRUCIS - A Paixão de Cristo”

Na sala " Rei D.Luis I" do Palácio está exposta um conjunto de pinturas e desenhos denominados "Via Crucis", do pintor colombiano Fernando Botero, até ao dia 23 de Janeiro.

Na exposição de Boreto, encontro no quadro "A crucificação" a ideia mais nóvel da exposição: Jesus jaz na cruz. A sua pele tem uma tonalidade verde que integra-o, qual camuflagem, na paisagem verdejante de um jardim urbano. Por detrás da sua agonia, a população passeia impertubável.



Em alguns quadros a dimensão de Jesus é imensa em comparação com aqueles que o maltratam ou traiem. Contudo, na " A Piedade", Ele surge em dimensões muito reduzidas, em comparação com a sua mãe, que o toma em braços.



16.00 horas

 Beira-rio - Junto à estação fluvial de Belém

Ver o rio é um ato infatigável de fé. É esperar no porto que o estrangeiro chegue da barra ou que a montante venha, rio abaixo, o mais intimo português.

Escrevo por fim com o sol a pôr-se:

"A oeste adensa-se o futuro da noite
como se o sol também desaguasse
levado pela teimosia do Tejo"




sábado, 8 de dezembro de 2012

Palavras-Gato


As frases mais belas  escritas, eram sobre amores impossíveis. E só por isso se moveram na fronteira entre o silêncio e o que apenas pode ser levemente vislumbrado. Eram Palavras-Gato.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Chove sobre a cidade



Sempre que a chuva cai impenitente sobre a cidade, lembro-me destes versos de um soneto de Paul Verlaine:

"Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville ;
Quelle est cette langueur
Qui pénètre mon coeur ?
(...)"

Um homem especial



Tive a oportunidade de conhecer o Joaquim Benite, quando frequentei um curso de teatro nos anos noventa no Teatro Passagem de Nível. Era um pedagogo fantástico que nos fazia aprender connosco próprios. Por exemplo, se alguém da última fila atirava umas piadas para destabilizar a sessão, Benite pedia-lhe que viesse fazê-lo para a frente de todos. O engraçadinho ficava intimidado e o Joaquim Benite aproveitava para explicar a inibição.
A partir desse momento segui com orgulho toda sua carreira à frente do Teatro Municipal de Almada e, sobretudo, no seu grande projeto: O festival internacional de teatro de Almada.
Pelo que fizeste em vida, Benite, mereces descansar em paz.
Joaquim Benite - Jornalista, Ator, Encenador e Programador (1943-2012)
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