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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"O tempo e o modo"




O programa da RTP2 “O tempo e o modo” convida dez personalidades  estimulantes e com um discurso incómodo  e alternativo. O programa aborda as relações do atual modelo de pensamento e as consequências destas no nosso dia-a-dia. É um programa bastante sério, com o propósito de levar o espectador para além do atual pensamento de sentido único.

O paradoxo é este programa ser transmitido, em reposição, à uma da manhã de quarta-feira por um canal de televisão, a RTP2, que está para ser encerrado, dando lugar a mais um canal de comercial,  cujo modelo não deverá divergir muito dos atuais canais generalistas.

Esta decisão de encerrar a RTP2 tem dois problemas: condiciona economicamente os atuais operadores privados (TVI e SIC), colocando-os ainda mais desprotegidos às pressões do poder económico e termina com o único canal que tem uma política de programação de serviço publico - ainda que a sua qualidade em matéria de produção tenha vindo a enfraquecer nos últimos tempos.

A liberdade também é ter opções de escolha. “O tempo e o modo” propõe outras opções e aborda as questões de uma perspetiva nova. Talvez por isso, tenham pensado que não interessa que a maioria das pessoas possam segui-lo.  Ainda assim, pode vê-lo em diferido através desta ligação: http://www.rtp.pt/programa/tv/p28865

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Cumpre-te!

O professor Agostinho da Silva diz que nos devemos cumprir. Parece-me sensato. Mas para nos cumprirmos, precisamos primeiro saber quem somos. Esta parece-me ser de antemão, a origem  do mistério.


Sonhos pesados



sexta-feira, 13 de julho de 2012

Pensar


Às vezes é preciso querer ter força. É preciso acreditar, mesmo não acreditando. É preciso colocar a máscara, quando nos apetece apenas que a pele do rosto respire.

Às vezes, é preciso saborear os pequenos prazeres, as pequenas conversas, os minúsculos momentos que estamos verdadeiramente com os  outros (e rimos ou tagarelamos), os ínfimos raios de verdadeiro sol, as palavras sussurradas das árvores e os seus afetos maternais. Há tanta poesia por ai. Basta estar atento (ou talvez desatento. Que sorte, meu deus, ser um “cabeça no ar”!).

Estamos sempre a escrever um rascunho dos dias futuros com a tinta dos dias passados. E depois “passamos”. Nada valemos. Muito pouco. Apenas sombras e máscaras e ruído. Somos  uma frase sempre por acabar - uma terrível inquietação.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Grécia




I – As ilhas


Eis-nos

Caminhando sobre estas águas

Grávidas de ásias e áfricas

Outra vez por encontrar



Eis-nos

Caminhando em redor das ilhas

Terra que os dedos dos deuses

Decidiram esfarelar





II – Os templos


Beleza é isto:

Escrever cem mil palavras

Para construir um poema de seis letras

Seis letras coladas como peças do Pártenon





III – Os sábios


Inventei agora mesmo

Que um velho sábio grego disse:

“Qualquer homem que se cinja à sua essência

Redondo e indivisível  como um átomo

Torna-se indestrutível.


Titã algum o derrotará!"

terça-feira, 19 de junho de 2012

Somos livres dentro de um aquário



Reparei, em tempos, que um livro do Prof.Daniel Sampaio se intitulava "Somos livres dentro de uma prisão". Eu substitui a palavra "Prisão" por "Aquário" para enriquecer o conceito. A ideia pareceu-me luminosa como modelo interpretativo da existência humana num contexto social segmentado, organizado em classes, corporações, condições que balizam a existência de um humano. Quantas vezes no dia-a-dia não damos uma "cabeçada" nas paredes do "aquário" ?

Tudo o que acumulamos - história, conhecimento e amigos - são para além de um potencial, uma parede transparente. Essa parede permite-nos uma percepção limitada do exterior, ao mesmo tempo que nos impede de ingressar na outra dimensão que se espraia por detrás das paredes de vidro.

A única possibilidade de sair do "aquário" é o salto. Mas esta possibilidade gera-nos perplexidade, desconfiança e angústia, porque não sabemos ao certo o que nos espera do outro lado: Um aquário mais interessante e venturoso ou uma alcatifa seca, onde ofugantes iremos morrer secos e sem réstea de glória ?

sábado, 9 de junho de 2012

Dois filmes, uma teoria.



Vi dois filmes que alinham por uma teoria: O fim do capitalismo ocidental, nos moldes como o conhecemos. Os filmes eram o "Hunger games" (Jogos de Fome)  de Gary Ross e o "Cosmopólis" de David Cronenberg e baseado no livro homónimo de Don DeLillo. São duas propostas estéticas diferentes. O "Jogos de Fome" é uma ficção científica no sentido mais puro e habitual do conceito. Baseia-se num imenso Big Brother onde os candidatos se eliminam literalmente até encontrar um vencedor. No segundo filme, protagonizado pelo vampiro Robert Pattinson, a história gira à volta de um jovem de 28 anos, especulador bolsista em Wall Street e viciado em sexo. O sexo é tratado nesta fita como forma de dominação, onde cada mulher (uma delas, a quarentona, protagonizada por Juliete Binochet) assume um arquétipo social que se subjuga ao  poder económico.



Os "Jogos de Fome" assumem particular interesse, porque  foi produzido pela industria cinematográfica americana. O filme ganha assim uma relevância crítica que não teria se tivesse vindo de uma produtora independente.
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