FAZ-TE MEMBRO DESTE BLOG E RECEBE NOTIFICAÇÕES DOS NOVOS POSTS

terça-feira, 19 de junho de 2012

Somos livres dentro de um aquário



Reparei, em tempos, que um livro do Prof.Daniel Sampaio se intitulava "Somos livres dentro de uma prisão". Eu substitui a palavra "Prisão" por "Aquário" para enriquecer o conceito. A ideia pareceu-me luminosa como modelo interpretativo da existência humana num contexto social segmentado, organizado em classes, corporações, condições que balizam a existência de um humano. Quantas vezes no dia-a-dia não damos uma "cabeçada" nas paredes do "aquário" ?

Tudo o que acumulamos - história, conhecimento e amigos - são para além de um potencial, uma parede transparente. Essa parede permite-nos uma percepção limitada do exterior, ao mesmo tempo que nos impede de ingressar na outra dimensão que se espraia por detrás das paredes de vidro.

A única possibilidade de sair do "aquário" é o salto. Mas esta possibilidade gera-nos perplexidade, desconfiança e angústia, porque não sabemos ao certo o que nos espera do outro lado: Um aquário mais interessante e venturoso ou uma alcatifa seca, onde ofugantes iremos morrer secos e sem réstea de glória ?

sábado, 9 de junho de 2012

Dois filmes, uma teoria.



Vi dois filmes que alinham por uma teoria: O fim do capitalismo ocidental, nos moldes como o conhecemos. Os filmes eram o "Hunger games" (Jogos de Fome)  de Gary Ross e o "Cosmopólis" de David Cronenberg e baseado no livro homónimo de Don DeLillo. São duas propostas estéticas diferentes. O "Jogos de Fome" é uma ficção científica no sentido mais puro e habitual do conceito. Baseia-se num imenso Big Brother onde os candidatos se eliminam literalmente até encontrar um vencedor. No segundo filme, protagonizado pelo vampiro Robert Pattinson, a história gira à volta de um jovem de 28 anos, especulador bolsista em Wall Street e viciado em sexo. O sexo é tratado nesta fita como forma de dominação, onde cada mulher (uma delas, a quarentona, protagonizada por Juliete Binochet) assume um arquétipo social que se subjuga ao  poder económico.



Os "Jogos de Fome" assumem particular interesse, porque  foi produzido pela industria cinematográfica americana. O filme ganha assim uma relevância crítica que não teria se tivesse vindo de uma produtora independente.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Bárbaro

Passei por ele quando regressava a casa. Sentado no degrau da porta, com uma rapariga ao seu colo - adorando-o como a um deus pagão - lançou-me um olhar ambivalente. Meteu-me medo e suscitou-me esperança.


Tinha uma tatuagem no pescoço, para que nenhuma camisa a esconde-se. O "69" estampado na T-shirt e nos olhos- como se fosse um  "James Dean" de Sete Rios.

Como o velho imperador romano que espera a chegada dos bárbaros que tomarão o império, também eu olho, vezes sem conta, para o meu correio eletrónico, à espera de um email anunciando a chegada dos  bárbaros. Vêem ou não ?

Este rapaz seria um deles ? Duvido, mas não deixo morrer, porém, uma intíma esperança.



Nota: Esta ideia foi inspirada no poema de Konstantinos Kaváfis "À espera dos bárbaros"

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bendito caos

A vida não está por ordem alfabética. Ficamos surpreendidos quando o caos surge e obriga-nos a mudar de planos.

Depois do casamento acabado recomeça-se a vida de solteiro. Volta-se a casa dos pais ou às noites de sábado com as amigas do liceu.

Regressamos à escola ou à "nossa terra" porque ficámos desempregados.

É assim. Juntamos todas as cartas  já jogadas, embaralhamos-las e distribuímos-las de novo. Até pode ser que o jogo nos saia de feição. Com muitos ases e trunfos ou talvez não.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

o hábito do acaso

entre  detalhes
escondemos a salvação e a danação

olhando o céu limpo de maio
esquecemos-nos deles

depois
sem darmos conta
falhamos ou não

oremos por agora
ao pequeno deus do acaso


domingo, 15 de abril de 2012

O Chico



Descobri a música do Chico Buarque quando era adolescente. Estavamos no início dos anos 80. Gostava das letras e da simplicidade da música (MPB) que vinha ao encontro da revolução musical portuguesa, onde surgiu também um imenso caudal de produção de música popular  (Trovante, Vitorino, Sérgio Godinho, ...). Ouvia repetidamente a cassete verde do "Chico e Caetano juntos ao vivo" que um amigo me emprestara (O mesmo amigo que me apresentou o FMI do José Mário Branco).

Ouvia-o e não sabia se eram as ninfetas do Liceu que me faziam gostar das suas músicas ou o contrário.  Mais tarde, todos aqueles que me conheciam os gostos  encheram-me de "vinis" do Chico nos "Natais" e "Aniversários". Vi-o uma vez apenas no Campo Pequeno. Timido, honesto, humilde e só por isso um gigante gracioso da cultura luso-brasileira.  Gostava quando ele vinha a Portugal e jogava a sua "peladinha" com os gadelhudos jogadores daquela altura. Mais tarde, li os vários livros dele, mas foi com o "Leite Derramado" que fiquei fã também da sua escrita.

Gostava de o ver mais uma vez. Agora que já entrei nos quarenta, seria um ajuste de contas comigo através de todas as músicas dele que marcaram aqueles que como eu as ouviram e as sentiram.

Todos precisamos de heróis. Eu não escapo à regra. Se mais não fosse, valeu pena ter nascido para conhecer  a criação do Chico.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

_