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sexta-feira, 16 de março de 2012

Os filhos do punk

A vantagem de ter um filho com 19 anos é, para além de muitas outras, descobrirmos (com algum atraso, provavelmente!) que continuam a fazer musica que nos faz sentir vivos (The Subways). The Subways faz lembrar "The Clash", é mais pesado que os "Artic Monkeys" e homenageia, a meu ver, que não sou grande entendido musical, a mais influente banda de punk londrina, "Sex Pistols". Apesar dos meus 44 anos, apetece-me fazer um "moche".
Tem juízo, Luís Miguel!

sábado, 10 de março de 2012

palavras são sintomas

Foto de Mariana Castro - "Pas du langage" - série de 10 fotos


"Tudo está implicado, tudo é complicado, tudo é um signo, ou seja, essência. Tudo existe dentro das suas zonas obscuras, onde nós penetramos, como dentro das criptas, para decifrar os hieróglifos e as linguagens secretas.


Não existem coisas, nem espíritos, não há corpos: corpos astrais, corpos vegetarianos…A biologia teria razão, se ela soubesse que os corpos, eles mesmos, são já uma linguagem. Os linguistas teriam razão se eles soubessem que a linguagem é sempre dos corpos. Todo o sintoma é uma palavra. Mas antes de tudo, todas as palavras são sintomas."

Gilles Deleuze, 'Proust et les Signes' - tradução livre minha a partir do blog "nuit interier"

quinta-feira, 1 de março de 2012

O tempo dos filósofos

Há um tempo para agir e outro para refletir.


Conta-se que em outros tempos, numa margem de um rio, dois engenheiros romanos discutiam como construir uma ponte e, na outra margem dois filósofos discutiam se deviam ou não construí-la.

A meu ver, chegámos a um tempo propício aos filósofos.

Com todo aquilo que descobrimos e desenvolvemos nas ciências humanas e exatas, com a tecnologia que já possuímos, devemos essencialmente perguntar o que fazer com tudo isto, antes de criarmos mais artefactos.

Parar para pensar e depois agir com convicções fortes e definidas.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Raça e História



Acabei de ler um livro que, depois da Bíblia e do "Discurso do Método", mais respostas fornece sobre a história das mentalidades: "Raça e História" de Claude Leví-Strauss. Este livro, encomendado e publicado pela Unesco, em 1952, tem como objetivo acelerar um novo ciclo de relações entre o Velho e o Novo Mundo (Pós-Colonial). Em suma, e a apesar do título, é intenção do autor desabilitar o conceito de Raça (Os europeus ainda se refaziam nesta altura do trauma do Holocausto Nazi) e promover o argumento cultural no seu lugar.

A obra inicia um périplo de 10 capítulos bem definidos, evocando a supremacia das culturas sobre as raças - que segundo Levi-Strauss são muito poucas relativamente às primeiras(Culturas). Este ponto de partida é prolifero e esperançoso e arruma com as teses racistas e geneticistas.

Abordar todos os capítulos do livro era demasiado exigente para a natureza de um blog. Acrescento apenas um corolário ao capítulo 7 - "Lugar da Civilização Ocidental", onde o autor demonstra que a aculturação ocidental do resto do mundo, levada em grande parte pelo processo de industrialização, é forçada. Os povos não-ocidentais foram forçados à "Ocidentalização" das suas culturas pelos países da Europa Ocidental ( e EUA) que tinham uma estratégia para esse efeito.

Existe contudo uma réstia da cultura pré-ocidental nos povos aculturados. Levado ao limite (eis o corolário!), este conceito transforma, cada ser humano, num missionário que leva dentro de si uma micro-cultura  disponível a conquistar o possível.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Rosebud


Imagem do filme "Citizen Kane" de Orson Wells. 
A cena em que Kane conhece o preceptor que o levará para longe dos seus pais e do seu trenó "Rosebud".

"Rosebud" era o nome do trenó que o pequeno Kane ("Citizen Kane - Um mundo a seus pés" de Orson Wells) queria e perdeu. Esse trenó, que perseguiu em vão toda a sua viva, representava para ele o amor perdido dos pais e a infância hipotecada lá muito atrás numa manhã de neve. Sem saber exatamente o que realmente queria, lutou, enriqueceu e julgou que todos lhe queriam aquele amor  outrora perdido. Mentira. O amor não se compra. Quanto muito, troca-se.

Não seria exagerado afirmar que em cada um de nós sobrevive o espectro de um "Rosebud". Algo que perdemos e sabemos de antemão que nunca mais recuperamos. No entanto, essa coisa inacessível motiva-nos, dá-nos força para caminhar em busca de um trenó que nem sabemos onde estará agora. Esse espetro influencia as nossas escolhas, conduz-nos como se não tivéssemos vontade própria, nem arbítrio ou outras razões mais vitais para além de "Rosebud".

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Desafiar o destino



Estava há alguns meses a jogar no Sporting Clube Portugal, era búlgaro e a vida profissional não corria muito bem. Não marcava golos, nem fazia boa exibições.

Num jogo com pouco interesse competitivo contra o Moreirense, contrariou as definições do treinador, quando empurrou um colega de equipa  para que fosse ele a marcar uma grande penalidade. Falhou.

Mais tarde, disse numa conferência que "Foi o destino que decidiu.".

Eu acho que Bojinov quis forçar o destino.

Quis perceber se valia a pena, ou não, continuar a jogar entre os Leões. O destino disse-lhe que não. Soube perguntar, como quem, há 2000 anos, perguntava ao Oráculo de Delfos. Soube escutar a voz dos deuses.

Foi dispensado do clube sem honras nem glória. Mas cumpriu-se o destino sem delongas.
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