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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Parabéns, Eugénio



Se fosse vivo, o poeta Eugénio de Andrade fazia hoje 89 anos.

Em sua homenagem, deixo a bandeira a meia-haste e o final do seu poema "Mãe":

"(...)
ainda ouço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal…

Mas tu sabes  a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.


Não me esqueci de nada mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

(...)"

E acho que ele foi mesmo com as aves. Tão leve, caminhava sobre as nuvens.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Exortação

Uma mole de gente descia a rua. A tarde era cinzenta e de chuviscos. Tudo em redor parecia uma fotografia dos dias anteriores, à excepção daquela pequena multidão, empunhando cartazes e lançando algumas palavras de ordem.

Eram várias as mensagens dos cartazes. Retive a frase, escrita a letras vermelhas mal formatadas, de um deles: "DEUS NOS DEFENDA DE NÓS PRÓPRIOS!".

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Uma mente brilhante



O rapaz arrependeu-se de pensar. Disse que estava a divagar e regressou ao discurso ensaiado de quem cumpre um papel teatral.

"É pena" pensei eu, que há dias atrás comentava com um homem de letras, sobre a pouca popularidade das ciências humanas entre as pessoas.

É tal a propaganda do pensamento físico-matemático, que até chamaram à biografia de um matemático norte-americano que sofria de esquizofrenia: "Uma mente brilhante".

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Inventário da traição

Numa longa fila de trânsito, à saída da cidade, pensou:


"Uma cadeira de balanço, uma lareira, uma janela, um copo de brandy, um cão de caça, uma gata zarolha, um estômago, uma espingarda e um livro de aventuras.


Se era isto que eu queria, porque me traí?"

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Aprender com a História





Passados alguns anos do início da revolução francesa (1789-1799), Napoleão Bonaparte desalentado, relatou numa carta:"Nada mais interessa do que dinheiro e poder. Dinheiro e poder.".
A fraternidade, a igualdade e a liberdade eram apenas slogans revolucionários em que já ninguém acreditava. Tinha terminado um pacto social denominado Antigo Regime e começava outro regime. Mas os fundamentos da mudança tinham tido uma vida curta. 
Curta demais.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Quando o rio enfurece (Wild River) - Elia Kazan




Está em marcha o New Deal do Presidente Roosevelt. Este acordo, promove um conjunto de grandes obras públicas com o intuito de modernizar os Estados Unidos da América. No Rio Tennesse, projecta-se a construção de dezenas de barragens que levaram o progresso aos estados mais atrasados do sul. À cidade de provincia, chega o homem do futuro, Montgomery Clift, enviado por uma agência governamental para negociar o último terreno da região com uma irredutível proprietária de 80 anos. Ele representa a mudança, que gera a crise. "Wild River" relata o choque inevitável entre dois mundos. 


Elia Kazan que havia já realizado um documentário sobre esta região, realiza este filme com saudáveis 30 anos depois do New Deal. Agora tem o distanciamento suficiente para expor os seus argumentos de forma mais aberta e sensata. Kazan, como homem de teatro, traz para a 7ª arte um estilo próprio de filmar conflitos, de configurar as cenas e de  expor as posições das personagens de uma forma muito definida. Como dificilmente o reverei, não pode deixar de registar este filme no blogue, como forma de  eternizar, o mais possível, o bom momento que vivi hoje na Cinemateca de Lisboa.



Quando o Rio se Enfurece


Título original:
Wild River
De:
Elia Kazan
Com:
Jo Van FleetLee RemickMontgomery Clift
Género:
Drama
Outros dados:
EUA, 1960, Cores, 110 min

domingo, 18 de dezembro de 2011

A dupla medida de um homem


"Ainda jovem, fiquei absolutamente espantado, quando soube que Napoleão, no cerco de Toulon, tremia como uma vara. Um oficial que estava perto dele, disse-lhe:"Mas estás a tremer de medo!". Napoleão respondeu-lhe: "Se tivesses o medo que eu tenho já terias fugido a sete pés daqui".


Roberto Rossellini - Realizador
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