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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Maternidade


A maternidade é uma "cena de género " em que é representada uma mãe que segura e acaricia um recém-nascido que responde com carinho.

Esta pintura é um óleo de100x100, pintado em 1935, em Lisboa depois da estadia de Almada Negreiros em Madrid. A primeira exposição deste quadro foi no VI salão de arte moderna realizado em 1941. Hoje encontra-se em exposição no Centro de Arte Moderna na Gulbenkian. Esta pintura foi elaborada em pleno regime do Estado Novo.
Podemos dizer que o modernismo era a arte oficial do estado Português e estes artistas tinham apoios para evoluírem e "escoarem as suas obras ". Esta obra não é excepção. Desde 1935, José Almada Negreiros era apoiado pelo secretariado da propaganda nacional.
Este quadro é uma representação bastante simples e natural, usando apenas três cores ( as cores primarias ). A mãe é representada com uma certa robustez , isso é demonstrado com os contornos da roupa, a posição das mãos e dos pés sugerem uma viragem de Almada Negreiros para o neo-realismo. Esta obra evoca a relação mãe-filho , onde estes se acariciam mutuamente. Esta temática permite efectuar um paralelo com o regime do Estado Novo . O "ideário" fascista defende a mulher em casa, a mulher que tem o papel de ser mãe como preponderante. Digamos que esta obra sensibiliza esse gosto e desejo pela maternidade . Almada Negreiros com esta representação visa criar um clima intimista, simples e natural, fazendo uma espécie de metáfora do que é a relação Mãe-filho.
Esta obra enquadra-se na corrente artística do modernismo, apesar de alguns elementos desta obra, como a posição ofertante das mãos e a posição dos pés, iniciarem um processo de viragem para o neo-realismo.

Autor: Pedro M. de Castro

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desafia 2011. E Desafia-te!!


A vida pode ser vivida como uma suave descida ou como uma árdua subida.

Se  tu estás descendo a ladeira, ela é conveniente e confortável. Não é necessário da tua parte nenhum esforço, nenhum risco, nenhum desafio.

Mas também não ganhas nada - simplesmente vais à deriva, do nascimento até a morte. A vida permanece um grande vazio.

É preciso ser laborioso, é preciso aceitar os desafios que levam a pessoa a uma jornada para cima. Isso é difícil, é perigoso, mas desperta o que há de melhor em ti.

Cria integridade, cria finalmente uma alma em ti.  Precisas aplicar todas as energias à tarefa, só assim... É preciso arriscar tudo, só assim... Assim a vida desabrocha, floresce.

Ela se torna uma alegria, uma realização, uma satisfação, uma benção.

OSHO dixit

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Primitivos Portugueses - Pintura no Museu de Arte Antiga

“Primitivos Portugueses” – Exposição a decorrer no Museu Nacional de Arte Antiga até dia 25 de Fevereiro de 2011, merece uma visita – se possível acompanhada por guia (Todos os dias às 15.30). Comemora-se os 60 anos da exposição homónima decorrida durante a exposição Universal de Lisboa de 1940 e cem anos que o Painel de S.Vicente deixou espaço do Convento de S.Vicente de Fora para apresentação pública. Podem ver-se obras de Nuno Gonçalves, Grão Vasco, Francisco Henriques, Frei Carlos, Gregório Lopes, Garcia Fernandes e Cristovão Figueiredo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Encontro com Gonçalo Cadilhe

Hoje viajava de metro, quando entra o Gonçalo Cadilhe (jornalista de viagens) e senta-se defronte de mim. Não pude deixar de o cumprimentar e dizer-lhe o quanto aprecio os seus livros e projectos. Que inveja tenho eu deste homem que leva a vida a viajar e a escrever. Conversámos 3 estações e saímos os dois em São Sebastião. Disse-me que ia à FNAC do Colombo, apresentar o seu último livro “ O Mundo é Fácil ”. Informou-me ainda que ia apanhar a Linha Azul para sair na estação do Colégio Militar. Despedimo-nos e lá foi ele para a sua vida. A ironia veio depois. Encontrando-o de novo junto às escadas rolantes, disse-lhe: “Veja se vai no sentido correcto da Linha Azul ?”. Respondeu-me ele:”Já dei a volta ao mundo, não ia perder-me aqui”. Não resisti e pensei em voz muito alta para ele ouvir:”Esta é histórica. Eu a dizer ao maior viajante que conheço, como não se perder no metrozinho de Lisboa”. Nunca mais me esqueço desta, nunca.

sábado, 13 de novembro de 2010

Elogio da leveza informática













Perseu (simbolo da leveza), decapita a Górgona(simbolo do peso), cujo olhar petrifica




Num mundo, onde a economia marca agenda de governos e cidadãos, as tecnologias de informação não foge à regra. Porém, existem outras perspectivas mais clássicas e não por isso menos interessantes. Falo-vos de Italo Calvino, que escreveu no primeiro ensaio, "A leveza", em "Seis propostas para o próximo milénio" da editora Teorema. Passo a citar:  " Hoje em dia todos ramos da ciência parecem querer demonstrar-nos que o mundo assenta em entidades delicadíssimas: tal como as mensagens de ADN, os impulsos dos neurónios, os quarks, os neutrinos vagueando pelo espaço desde o princípio dos tempos...



É também a informática. É verdade que o software não poderia exercer os poderes da sua leveza senão pelo meio do peso do hardware; mas é o software que comanda, que actua sou sobre o mundo exterior e as máquinas, que só existem em função do software, evoluindo de modo a elaborar programas cada vez mais complexos. A segunda revolução industrial não se apresenta como a primeira com imagens esmagadoras como prensas de laminadoras ou torrentes de aço, mas sim como os bits de um fluxo de informação que corre por circuitos sob a forma de impulsos electrónicos. Continuam a existir máquinas de ferro, mas obedecem aos bits sem peso."

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Desejo

Deixem-me
encher os corpos
de verdes algas
anúbias anémonas
limos gerais
varrendo o ruido
de coisas opacas
celestiais

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A campa do elefante



Saberei eu
encaminhar-me ao velho desfiladeiro
como faz o elefante ?

Saberei eu
elevar-me, em paz e dignidade,
ao meu último paradeiro ?

Serei eu capaz ?

Ou dispersarei meus pobres passos
entre frágeis atalhos de tempo
sussurrando os mais falsos ais ?
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