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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pelas serras da Amadora...

Hoje resolvi conhecer a Necróple de Carenque, situada no concelho da Amadora.




Depois de ter visitado o local, subi mais um pouco até encontrar um agrupamento de 3 moinhos em ruínas.




Um dos moinhos tinha junto dele um marco geodésico que assinala o ponto mais elevado de um local. Fui até esse local e fiquei admirado com a amplitude da vista. Poderia ver a Oeste o mar da palha (Seixal, Alcochete,...) e a Oeste, a Serra de Sintra. A Norte, dislumbra-se todo o Vale de Loures e a Sul, a ponte 25 de Abril e lá por trás a Serra da Arrábida.







Nunca pensei que na Amadora existisse um local assim. Aconselho o passeio, enquanto "Betão", que avança já atrevido, não destruir este desanuviante panorama.

Links interessantes: ARQUA - Ass.Arqueologia da Amadora

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ala Arriba!


Ala Arriba: Filme português estreado em 1942 e realizado por Leitão de Barros foi a 2º docuficção (género documentário/ficção) da história do cinema. O filme passou esta semana na RTP Memória e dou-lhe 17 valores. Razões para este quase "Muito bom" ? - A vertente documentalista-ficcional, a fotografia, o argumento e o objecto filmatográfico único. O filme é interpretado por pescadores, que emprestam ao filme uma genuidade enorme. Não só no sotaque e maneiras, mas também no perfil psicológico das personagens. Não tenho dúvidas que aquele é o perfil padrão do célebre pescador-poveiro: Corajoso, pragmático, tradicionalista e lutador.

As cenas da procissão e chegada das embarcações (ala arriba) à praia são pungentes e belíssimas.

Curioso o facto do filme ter patrociono do Secretariado da Propaganda Nacional durante o Estado-Novo, e, ao mesmo tempo, documentar a precaridade ( e ao mesmo tempo a heroicidade) da profissão de pescador, onde se morria a 10 metros da praia.

A única medida de prevenção - para além dos barcos entrarem um a um na barra, de modo a que existisse sempre uma tripulação de vigia enquanto outra entrava na barra - era rezar, rezar e rezar. Em termos políticos, um caso de irresponsabilidade social e imobilismo.

Bem hajam as comunidades ribeirinhas da Póvoa e Vila do Conde, que bem merecem!

Ala arriba na Wikipédia

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A variabilidade intra-específica


A existência de variabilidade intra-específica possibilita a actuação da selecção natural, i.e., quanto mais heterogéneo for o património genético de uma espécie, ou de um habitat onde essa espécie nidifica, maiores serão as possibilidades de selecção natural e de adaptação dessa espécie à mudança. Colocando agora a matiz interdisciplinar e cruzando a biologia com a sociologia, diria que também a esta variabilidade funciona dentro das comunidades, quando balizada por príncipios éticos e morais aceitáveis. Logo, percebo que uma cidade cosmopolita, ousaria mesmo a usar o termo "dirty", é obviamente mais competitiva e flexível relativamente a outra onde o património genético seja mais homogéneo.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Arrebaldes


Viva o lento! Substituir o carro pelas pernas, a máquina digital pela caneta e bloco de notas, combatendo assim a velocidade (mais que furiosa) que nos dificulta a analise e deslumbre dos detalhes.

Em redor de de Lisboa subsistem ainda alguns apontamentos de um urbanismo da primeira metade do século XX. Ao caminhar ao longo da ribeira de Barcarena ou entre as quintas de Belas encontram-se vestígios de uma forma de estar tão próxima no tempo e tão distante no modo de habitar.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Três em um !

I

Sem filosofia não haveria ideias e vice-versa. Sem matemática não existiria um modelo de aferição concreto do mundo físico. Sem forças militares não existiria pátria. Por esta última razão mantenham-se sintonizados com os posts de alguns especialistas em blogmilitar.blogspot.com para não morrerem estupidos!(Humor negro!)

II


O caos onde germina a ilusão chama-se Amadora. Cidade-berço dos Buraka Som Sistema oferece agora os Macacos do Chinês. Da mesma forma já antes tinham surgido os Da Weasel em Almada e o Sam, The Kid em Chelas. Mesmo o novo fado dos Deolinda tem um perfurme sub-urbano. Assiste-se nos novos "Booms" musicais a uma forte ligação entre o projecto e o bairro. "Rolling na Reboleira" é um expoente desse vector.

III

O novo projecto do Jardim Botânico de Lisboa atribui-lhe mais três hectares de dimensão. Este novo espaço preapara-se para receber para um Hard-Garden com espécies tipicas dos solos portugueses. Espécies que necessitam de pouca água e de adaptação fácil. Afinal de contas ainda há boas notícias!

quinta-feira, 26 de março de 2009

A Tradutora


tu lês. antes de ti, ela muda as palavras. antes dela,
eu escrevo. eu passei por aqui, ela passou por aqui,
tu passas agora por aqui.

entendes isso? ela está onde tu estarás. eu estou onde
ela estará. eu corro pelas palavras, ela persegue-me.
tu corres atrás de nós para nos veres correr.

eu escrevo casa e continuo pelas palavras. ela segura
as letras da casa e escreve vida. tu lês vida e entendes casa
e vida. eu não sei o que entendes.

eu corro. ela corre atrás de mim. tu corres atrás dela.
não existimos sozinhos. sorrimos quando paramos,
quando nos encontramos. aqui.

José Luís Peixoto "A Casa, a Escuridão"

terça-feira, 17 de março de 2009

Arquitectura é para comer !


"Ó subalimentados do sonho/ A poesia é para comer!" - escreveu a poetisa Natália Correia.

Quando vi as imagens da maquete do novo estádio idealizado para Luanda acolher a abertura e a final da CAN 2010 (Campeonato Africano de Futebol), lembrei-me de acrescentar "A arquitectura também é comer".

Deve-se experimentar um profundo estado onírico e humano ao assistir a uma partida de futebol dentro de um poema de betão.

O estrutura do equipamento desportivo inspira-se numa rara e antiga planta angolana: Welwitschia mirabilis. Este testemunho da história natural originária do deserto da Namíbia (Norte da Namíbia e Sul de Angola) e tem como principal característica a sua resistência ao clima extremamente seco do deserto.

Existe uma lenda em redor das capacidades secretas desta planta que lhe atribui o sub-nome de "mirabilis". Acontecia que muitos viajantes e naturalistas desapareciam sempre que o seu percurso ou lugar de estudo se relacionava com as welwitschias. A partir deste fenómeno, nasceram explicações mágicas e demoníacas. Veio a descobrir-se que, sendo a única planta viva de um deserto, ali se abrigavam muitos animais venonosos como cobras e escorpiões. Eram afinal animais e, não a Welwitschia, os responsáveis pelos desaparecimentos.
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