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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

processo 32.10892
























há sempre um incêndio
que deflagra no coração da casa

a cozinha em chamas
não é mais que uma nova metáfora
sobre o amor a caminhar por moitas secas

onde por fim restam cinzas para alguém lamber

e as lágrimas ?
essas secaram todas
na excitação de levar entre mãos
a água ao fogo

agora ao longe
tudo parece um murmúrio
ligeiramente incandescente
e uma apólice de seguro em vigor

só mesmo na tua cabeça, ó  poeta,
a cozinha em chamas te faz lembrar
o nosso amor

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A propósito do medo e da cobiça de Thomas Hobbes

Todo o Homem nasce frágil. Tem por isso medo de tudo e tudo cobiça, porque tem  necessidade extrema de se defender. Esta tensão gera um conflito de todos contra todos. Poderão as grandes massas populares, a sociedade cívil e as suas instituições proteger um ser humano de outro ser humano ? Penso que sim. Existem, neste momento (a meu ver trata-se de uma antitese histórica da forma como Hegel conceptualiza na sua dialética ), para isso dois pilares : estado e religião. Só estes dois conceitos conseguem reunir uma perspetiva holística e segura. Desta primeira premissa chega-se à necessidade de um contrato social, mas também espiritual. O materialismo marxista afirma que só depois de teres a pedra (matéria) na mão é que decides o que fazer dela (decisão moral ou ética). Já temos a pedra na mão e agora? Vamos atirá-la à cabeça do nosso irmão ou construir uma casa para vivermos literalmente juntos ?


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

África Delas

Vi esta foto no Facebook e gostei muito dela. Trata-se de um conjunto de estudantes de medicina que foram estagiar até São Tomé e Príncipe. Ao fundo, o Ilhéu das Rolas.

Achei a foto descritiva, equilibrada e enigmática. Gosto de ver os portugueses fotografados em África. Ficam mais humanos e naturais. Perdem aquela película sofisticada que lhes mascara a atitude. Libertam-se daquela peça teatral, velha e demasiado encenada chamada Europa.



Foto de Emanuel Cortesão de Seiça

O abrigo

Em memória de António Queiroz Lopes

Onde havia eu de abrigar-me
das chuvas frias, das noites húmidas
que atormentam meu estro tão cansado como o vosso ?

Onde esconder, ó defuntos,  os vossos ossos
que se encaixam já nos os meus ?

Creio que seguindo o vosso rastro, Senhor,
chegarei ao abrigo, ao lastro da  humanidade toda
- esse lugar onde um ar rarefeito se eleva às grutas.
 desce às nuvens,
e percorre livre as pradarias das covas escuras.

Ai deixará de haver passado ou  futuro,
apenas um rio desaguando nos confins do início
e uma paixão escondida entre duas eternidades.



Como explicar a um jovem porque é bom ler romances ?

Ao explicar a um jovem de 13 anos porque deveria ler romances, disse-lhe:

"Caro amigo,
Ainda acerca dos livros, tenho de dizer-te mais uma coisa: O fantástico é aliciante e livros como o "Senhor dos Anéis" e o "Harry Potter" ajudam-nos a desenvolver a imaginação. Contudo, livros como "O velho que lia romances de amor" do Luís Sepúlveda ajudam-nos a compreender a realidade exterior e interior do Homem. Por isso mesmo, histórias como estas são  muito bonitas e reveladoras. Muitas vezes apenas conhecemos a curta realidade que está à nossa volta e não chegamos a compreender a realidade dos outros. Por isso, é bom ler romances. Não é preciso ler muito. Apenas o suficiente para ganharmos sensibilidade para os problemas dos outros. Então boas férias e não te esqueças de ler."


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Do caridade

Do amor ao outro até amor próprio existe uma grande distância. É hábito confundirmos o amor narcisista com o amar o outro. No amor narcisista, amamos o outro porque ele nos ama, ou julgamos que ama. Este sentimento gera ciúmes, insegurança e não raras vezes conflito. Na verdade, refletimos o nosso amor próprio no outro e deixamo-nos banhar nos pequenos raios por ele ou ela refletidos.

O amor ao outro é uma admiração às qualidades culturais ou naturais da outra pessoa, uma admiração incondicional. É esquecermo-nos de nós mesmos e centrarmo-nos nos outros. É fazermos como o sol e a lua, onde o primeiro(o sol), aquele/a que ama,  ilumina a segunda(a lua), o amado/a, para que ela ou ele brilhe, mesmo que não tenha luz própria. 
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