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quarta-feira, 3 de junho de 2015

a propósito da espiritualidade

O homem da segunda fila  perguntou: “Quando mataram Deus para criar o Super-Homem Nietcheziano, não começámos todos a ficar egocêntricos ? Não seria Deus o que nos reunia a todos ?  E o Espírito Santo, esse terceiro elemento que nos torna irmão do outro, o que ganhámos em  torná-lo omisso no nosso pensamento ?”

O escritor com oitenta anos respondeu: “Não devemos perder a espiritualidade. Isso é fulcral. Mas há um conjunto de regras que tentam instrumentalizar politicamente essa necessidade com as quais eu não concordo. Quem me obriga a seguir regras, se quero apenas encontrar Deus ? Respondi à sua pergunta?”


O homem da segunda fila respondeu: ”Muito obrigado, senhor escritor. Claro que sim.”. 

Contudo ficou a pensar: Como é possível exercer a espiritualidade sem religião ? Não será demasiado insolente da parte de um indivíduo descartar um culto que se renova, uma instituição que se adapta e dissemina, ao longo dos séculos um caminho para o transcendente ? Certamente, que o escritor teria também morto Deus e nunca mais o encontrara. Nem sequer o seu corpo morto debaixo de alguma memória, sentimento ou aflição.


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