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terça-feira, 30 de setembro de 2014

à beira do lago

(Durante um almoço na esplanada do "espelho de água" - Parque Eduardo VII)

O sol espraia-se sob o lago municipal. Junto a ele - e por entre dois arbustos de semblante aromático - duas crianças brincam como se o o mundo delas coubesse em meia casca de noz.
Depois uma delas deita-se e deixa que o sol se divirta sobre a sua epiderme. Algo lhe chama atenção na superfície do lago e, tocando no espelho de água, produz uma serpente de ondas que agitam o coração do dia e por ai adiante, até ao limite do caos que apenas entendo com uma imprecisa emoção.

Dou o último gole na bica e regresso ao trabalho.


domingo, 28 de setembro de 2014

Casa do segredo

Enquanto
as palavras amadurecem
no silêncio,
os nossos olhares fixam-se
e, grão a grão, constroem
a casa idílica do segredo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Canção de setembro

Setembro é um mês reflexivo, uma metáfora para a vida, para o ano. É um dos protagonistas do ciclo de estações que faz o favor de renovar-nos as sensações. Setembro é o clímax dos nostálgicos e dos bucólicos que com sabedoria definiram a fronteira entre a decadência romântica e o precipício da tristeza.

Caro amigo ou amiga, aproveita esta suave estação, mas tem cuidado. Não deixes que o pessimismo te atraiçoe.

Se tiveres tempo, houve esta canção que ouvi ontem na peça "September Song" da minha amiga Marcela Costa.



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Escondida nas minhas mãos" de Leonard Cohen














Escondidos nas minhas mãos
os teus seios pequeninos
são o ventre às avessas de pardais
caídos que respiram ainda.

Quando te moves ouço
o ruído de asas que se fecham
e de asas que desistem.

Fico sem palavras
porque estás deitada a meu lado
porque as tuas pestanas são o esqueleto
de minúsculos frágeis animais.

Tenho medo do tempo
em que a tua boca
me considere um caçador.

Quando me chamas e tão perto
me dizes
que o teu corpo não é belo
quero ordenar
às bocas e aos olhos ocultos
das pedras da luz da água
que testemunhem contra ti.

Quero que te
entreguem
como de uma caixinha
o verso trémulo que é o teu rosto.

Quando me chamas e tão perto
me dizes
que o teu corpo não é belo
eu quero que o meu corpo e as minhas mãos
sejam lagos
onde tu olhes e rias.

Tradução de Pedro Mexia

terça-feira, 23 de setembro de 2014

a semente do silêncio

acocorada
diante do altar sempre incompleto do poema
uma palavra verde
amadurece no silêncio
e de súbito, por sortilégio, acontece
um novo sentido entre as raízes e o fruto





segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O cão, o gato e o fotógrafo



Enquanto uns roem sem critério e alguns tiram fotografias "porque sim", outros tentam perceber qual o sentido de tudo isto. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Entardecer

Escorre a tarde
e cada gota  que cai
estremece a lentidão
da extrema luz
E os gatos espreitam-na
cautelosos
com  olhos emprestados
por um deus poente


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Sobreviver

A mais fulgurante das lei naturais é a sobrevivência dos fracos, a que bastaria chamar  "sobrevivência" ou, no caso humano, a "sub-vivência".


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