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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Andar por aí...

E o tempo ? Não sei. Sinto apenas que alguém o escondeu. Acho que foi deus que piscou os olhos e nesse instante  parte da minha vida, tão longa e tão curta, passou. Foi bom. Muito bom, ter andado por aí.

Festa da Páscoa em Salvaterra do Extremo / Idanha-a-Nova

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O grifo redentor


Subiu ao último andar do prédio, onde todos iam fumar. Veio um grifo, uma espécie de abutre,  agarrou-o pelos colarinhos e, dando primeiro três voltas pela cidade, voou com ele entre as garras até  uma escarpa, na Beira Interior, mesmo interior, chamada “Salto da cabra”.

Depois desceu as escadas do edifício e devolveu a fatura a um dos fornecedores habituais.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Só-Fé

A fé pode parecer falta de inteligência, mas é só fé. Pelo menos, tenho fé que o assim seja.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O silêncio de Deus

São recorrentes as abordagens ao misterioso silêncio de Deus ? Lembrei-me hoje:  Será que o silêncio de Deus é apenas uma forma de Ele nos escutar melhor ?


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Sou logo sou

Narciso (1594-1596), por Caravaggio.





















Corro, corro como um viciado em mim,
como se eu não pudesse existir sem mim,
como se o universo fosse tão-só um átomo
de um órgão remoto do meu corpo.


Corro, corro de mim para mim.
Abraço-me, beijo-me, afago-me,
brindo-me e choro-me na desgraça.
Encho a casa, esvaziando-a da tua gente.
Tolero-te somente porque me serves,
tão-só porque me aqueces.


Perdoou-te para que haja alguém que me possa perdoar.
Acaricio-te apenas à espera do teu corpo, do meu filho
que te deixarei cuidar nas noites frias
em que vadio  longe do lar.


Os anjos e os anos passam transparentes.
Os filhos crescem com um ruído estranho.
São gaivotas gigantes
que se aquietam nas margens,
voando para me imitar e pousando em ti,
no teu ramo, ombro magoado.


Sou a árvore e cresces em mim
como um galho.
Na minha doença
serás o interino  tronco onde me encosto.
Tronco onde guardo minha seiva,
tua  por instantes.
Acreditarei que és um lar,  alpendre solidário.
Já não suporto o sol
nem esta chuva miudinha que me afaga e afoga
Sei que morrendo o mundo morre.
Apercebo-me finalmente do teu sorriso
mas espero que o brilho  do meu
domine de novo o espelho.


Sinto-me e pressagio  as úlimas dores
Espero paciente a partida
e organizo o memorial possível
refletido no lago,
qual antigo narciso que já não brilha
porque não reconhece mais as novas cores do sol.


A praia perde a suavidade do fim do dia
e ao longe parece-me apenas uma fenda nórdica.
As memórias percorrem-me
como a erva que cobre a pedra,
que arrefece com a invernia,
que esquece na medida em que a esquecem
e mais se esfria sem surpresa
quando todos os outros aquecem.


Naquela que será, que já é,
a minha imensa morte,
sou um estro carbónico que se consome
como uma limonada, no pico do verão,
correndo pela garganta escura de uma virgem loura,
cinzas que pouco resistem
ao sopro da tua boca minha.
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